Pensando na lua de mel

Convenhamos: lua de mel não tem mais aquele significado original. É de se esperar que, ao subir ao altar, noiva e noivo já se conheçam o suficiente. Recomenda-se que tenham viajado juntos antes - até porque não há melhor teste para um relacionamento. E pode ser que já dividam a mesma casa há algum tempo - o que elimina as últimas surpresas que ainda poderiam ocorrer.

RICARDO FREIRE, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2010 | 03h52

A finalidade da lua de mel moderna é proporcionar o início mais auspicioso possível a essa nova fase de convivência. Traduzindo: "Eu vos declaro autorizados a arrebentar a boca-do-balão". Vocês não sabem quando terão novamente oportunidade (e patrocinadores, e aprovação social) para fazer uma viagem dessas. Mas o tal início auspicioso não tem a ver apenas com o cenário, o conforto ou a mordomia. É preciso cuidado para reduzir ao mínimo o "risco-D.R.". Não, vocês não estão gastando essa grana toda para "discutir a relação".

Para dar tudo certo, usem o mesmo conceito que funciona entre quatro paredes: decidam por uma viagem que dê igual prazer aos dois. O ideal é que vocês gostem de tudo em igual intensidade - e nos mesmos momentos. Façam tudo com calma: nada de programas corridos, com aqueles horários difíceis de cumprir. Eles não combinam com o início de uma nova fase de convivência.

Não há lei que obrigue alguém a passar lua de mel em uma praia paradisíaca. Mas aquela viagem complicada de dez países em quinze dias é território mais do que propício às primeiras briguinhas oficiais do novo casal.

No Brasil. Nada mais glamuroso que um superbangalô maior que o apartamento onde vocês vão morar, que seja pé na areia numa praia linda e vazia.

Existem inúmeros espalhados pelo litoral brasileiro. Alguns vêm com piscina particular. Entre eles estão os bangalôs no morro da Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina (pontadosganchos.com.br). É o melhor hotel de praia - mas, em caso de mau tempo, transforma-se automaticamente em melhor hotel de montanha da região.

Os superbangalôs sobre palafitas do Nannai, em Porto de Galinhas (nannai.com.br), dividem um belo espelho d"água; e os do Kiaroa, na Península de Maraú (kiaroa.com.br), têm piscina e vista para o mar. Querendo total privacidade, escolha uma das supersuítes com piscina e pátio murado da badalada pousada Estrela d"Água, em Trancoso (estreladagua.com.br).

Já na cultuada Pousada do Toque, na Rota Ecológica alagoana (pousadadotoque.com.br), alguns superchalés com piscina custam menos que um apartamento comum em um resort de primeiro time. Alagoas ganhou recentemente mais um hotel com piscinas particulares nas suítes: o estiloso Kenoa, em Barra de São Miguel (kenoaresort.com).

No exterior. São aquelas mesmas que você já sabe. O clichê é a matéria-prima dos romances. Vá atrás deles e sua lua de mel não vai ter erro. O bom dos destinos manjados da Europa - Paris, Veneza, Toscana, Provence, ilhas gregas, Praga - é não precisar fazer nenhum esforço. Esses lugares exalam romance; azar de quem está sozinho ou a trabalho. Mas, atenção, se a sua escolha é recair sobre uma ilha paradisíaca, cuide para ir na época certa: a mais ensolarada (e, lamento dizer, mais cara), sem risco de chuva persistente nem - vade retro - furacões. Na internet, pesquise pelas palavras-chave "dry season" (estação seca) e "wet season"(estação chuvosa).

Para sair do lugar comum. Nem Veneza, nem palafitas: há um mundo de viagens fora do padrão que combinam com lua de mel:

Aprendam algo juntos. Um curso de culinária na Itália (cookitaly.com) vai ser útil na nova vida. Começar, juntinhos, um novo esporte - mergulho, esqui, equitação - também rende uma viagem inesquecível.

Divirtam-se feito crianças. Disney e todos os parques da Flórida que vocês têm direito e puderem imaginar. Bungee jumping e outras loucuras mais na Nova Zelândia. Safári na África do Sul, no Quênia ou na Tanzânia. Deixem para virar adultos na volta.

Bwana bwana. Peguem o que vocês gastariam naquela ilha paradisíaca e invistam em uma viagem de luxo a algum lugar exótico: Índia, Marrocos, Bali, Camboja. Caprichem nos hotéis (palácios de marajás no Rajastão, barcos privativos nos canais do sul da Índia, riads e kasbahs no Marrocos) e providenciem guias particulares durante todo o período da viagem (para não haver "risco-D.R.").

Ecoturismo cinco-estrelas. Banquem um dos eco-hotéis chiquérrimos do deserto de Atacama. Embarquem numa das expedições de bicicleta da Butterfield & Robinson - na Provence, na Toscana, na Califórnia, no Vietnã (butterfield.com).

Brinquem de casinha. Escolham uma cidade do mundo onde vocês gostariam de morar e passem um mês por lá. Alugando um apartamento não fica impossível.

A segunda lua de mel. Deve ser feita todos os anos. De preferência, na época do aniversário de casamento (ou namoro). Não precisa ter o luxo da primeira, mas não pode deixar de acontecer. É a dois que se celebra - e se renova - a alegria de estar juntos. E as crianças? Avós, tios e até as famílias dos melhores amiguinhos servem para isso. (Claro que vocês vão precisar retribuir o favor.)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.