Pequenos budas brotam do chão no jardim de musgos de Ohara

A viagem de Kyoto ao distrito de Ohara é curta e não leva mais de uma hora. Mas a paisagem se transforma rapidamente. Da janela do ônibus, as casas logo dão lugar a montanhas que parecem saídas de um quadro.

KYOTO , O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h19

Tipicamente rural, a vila guarda um templo importante: o Sanzen-in, estabelecido no período Heian (794- 1185). O Amida Hall, estrutura de madeira criada especialmente para acomodar uma gigantesca estátua de Buda, foi construído no ano de 985 e reconstruído no mesmo estilo em 1148. Da cidade ao templo, o caminho é repleto de lojinhas.

Ali, um monge me convidou a entrar para ver uma cerimônia budista tradicional. Os sacerdotes estavam sentados em posição de meditação (zazen) nas laterais do templo, entoando preces e cânticos. Em frente à imagem de Buda, apenas um monge ancião, em uma cadeira de rodas. Ao final, os presentes correram para pegar os papéis coloridos espalhados pelo chão, que simbolizavam pétalas de flores. Quando estava saindo, o mesmo monge que me convidou a entrar me ofertou, com um sorriso franco, alguns papeizinhos. 

Do lado de fora, um curioso jardim de musgos guarda esculturas de pedra de pequenos budas que parecem brotar do chão. Ao lado, um espelho d'água com carpas calmas como a atmosfera do lugar.

Outro templo interessante é o Hosen-in, conhecido como "o templo do sangue dos samurais". Em 1615, houve uma sangrenta batalha no castelo de Fushimi, em Kyoto. Os samurais fiéis ao xogum Tokugawa perderam, mas preferiram o suicídio à rendição. As tábuas do chão com o sangue dos guerreiros agora estão no teto do templo, para que ninguém macule o sacrifício desses homens. Preste atenção ao jardim: ali há um pinheiro de 700 anos, podado no formato do Monte Fuji.

Águas termais. A cidade também é conhecida pelas piscinas de águas termais - os onsens. O ryokan onde me hospedei tinha algumas, feitas de pedra ou em formato de piscinas tradicionais. Não se usa roupa para o banho: sentado em um pequeno banco de madeira, em frente a uma parede, o jato d'água faz uma "pré-limpeza". Depois, entra-se na banheira ao lado de um bando de desconhecidos. Constrangedor? Um pouco. Mas não dá para negar que a experiência é extremamente relaxante.

Olha o trem. Também pertinho de Kyoto, Arashiyama é outro passeio interessante. O marco turístico principal é a Ponte Togetsukyo: ao seu redor, espalham-se lojinhas, restaurantes e o famoso bosque de bambus. Caminhar ou andar de bicicleta por ali são as pedidas.

A ponte leva ao Tenryu-ji, templo erguido originalmente em 1339 - a versão que se vê hoje tem cerca de 250 anos e integra a lista de patrimônios da Unesco.

E que tal embarcar em uma maria-fumaça? A estrada de ferro panorâmica que leva ao vilarejo de Sagano é conhecida também como o Trem Romântico, e leva a um passeio charmoso ao longo do Rio Hozugawa, de tom azul esverdeado e repleto de pedras.

Durante o hanami (a época da florada das cerejeiras) o passeio é concorridíssimo. São 25 minutos para uma jornada de sete quilômetros - a volta pode ser de trem mesmo ou pelo rio, a bordo de grandes barcos. Apenas dois homens conduzem a embarcação pelo Hozugawa, cujas corredeiras dão um ar de "soft rafting" ao passeio. Custa 600 ienes (R$ 14). /T.Q.

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