Percurso pelos mosteiros

Nosso grandioso viajante anuncia que está refazendo a cor mediterrânea de sua cútis na ilha de Corfu, no Mar Jônico. Ele não confirma nem desmente, mas fontes dizem que ele foi à vizinha ilha de Skorpios, de seu velho amigo Aristóteles (N.da R.: Onassis, o magnata grego), hoje propriedade de um discreto magnata russo. Com o sol dos deuses sobre seu bowler hat, Mr. Miles responde à pergunta da semana: 

Mr Miles, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2015 | 00h00

Hello, mr. Miles. É um enorme prazer ler, reler e participar, quase que intimamente, de suas viagens por meio da coluna. Não sei por que sempre gostei de lugares de difícil acesso, com construções incríveis e inimagináveis. É o caso de alguns mosteiros construídos sobre penhascos que vi apenas em imagens. Um dia, who knows, espero ver pessoalmente. E o senhor, já visitou algum mosteiro?

Maria Lúcia Paganelli, por e-mail.

Well, my dear, sua curiosa pergunta me dá a oportunidade de falar sobre dois lugares muito curiosos (um deles quase desconhecido) que ficam, ambos, situados na Grécia. Os ‘mosteiros sobre penhascos’ aos quais você se refere, são, certainly, os de Meteora, seis construções irreais, almost unbelievable, levando-se em conta que foram erguidas nos anos mais escuros da Idade Média.

Todos eles ficam no topo de imensos pilares de arenito, que alcançam 549 metros de altura – e, até o inicio do século passado, somente podiam ser alcançados com a ajuda de guindastes lançados pelos próprios religiosos. A pergunta seguinte parece óbvia: eram os monges alpinistas?

Of course not, my dear, mas o fato é que eles tinham tanto medo dos ataques otomanos que não se importaram em construir seus redutos religiosos cercados pelas nuvens. Aliás, Meteora, em grego, quer mesmo dizer ‘meio do céu’. Em tempos remotos, darling, os mosteiros de Meteora chegaram a ser 24. Hoje são seis: cinco para homens e um para mulheres. Informo-lhe, with pleasure, de que é possível visitar alguns deles, inclusive internamente. Mas cuidado com suas panturrilhas: a subida é feita por escadas quase intermináveis. Eu, for instance, não consigo subir os degraus dois a dois – a não ser que esteja em ótima forma.

However, mais inauditos que os conventos de Meteora são os de Monte Athos, que também ficam na Grécia (close to Tessalônica) mas, in fact, constituem-se em entidade política autônoma, governada por um conselho da Igreja Ortodoxa Grega. Para os colecionadores de viagens, desses que gostam de pregar alfinetes em mapas-múndi, é motivo de festa. A pequena península chama-se, oficialmente, Estado Monástico Autônomo da Montanha Sagrada e, of course, não consta da relação de países que visitei – apesar de tê-lo visitado. 

Didn’t you understand? Bom, explico-me: o pretenso ‘país’ tem uma população de 1.500 monges espalhados por vinte mosteiros distintos. Não há forma de alcançá-lo, exceto via marítima. Os barcos partem de Ouranoupoli. O problema, however – e com todo o respeito aos greco-ortodoxos –, é que, sendo a montanha sagrada frequentada apenas por monges (nem monjas existem por lá!), o ingresso na mininação é proibido para qualquer mulher ou para qualquer animal do sexo feminino!

Os que me conhecem sabem que eu jamais daria status de país a um lugar onde as mulheres – os seres mais belos da criação – não podem entrar. Sem contar que Trashie, minha raposa das estepes siberianas, teve de ficar me esperando, altruisticamente. Em um pub de Ouranoupoli, by the way

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

Mais conteúdo sobre:
Mr. Miles

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.