Pernoite diferente, da cama ao café

Sala de banho coletiva e quarto com tatame e futon estão entre as peculiaridades dos típicos hotéis locais

Otávio Dias, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2009 | 01h32

A viagem ao Japão não será completa sem dormir ao menos uma noite em um dos muitos ryokans distribuídos pelo país. Esses hotéis tradicionais desenvolveram uma sofisticada arte de receber viajantes, bem diferente dos métodos ocidentais. Isso desde os tempos dos samurais e dos xoguns.   Veja também: Em busca das cerejeiras Kyoto em versão branca e rosa A montanha das 4 mil árvores   O hóspede deve chegar por volta das 18 horas para ter tempo de se banhar antes do jantar. Na porta, os sapatos dão lugar a chinelos. No quarto, sem cama, forrado de tatames, o visitante encontra uma yukata, tipo de quimono simples que também substitui as "roupas de rua" dentro do ryokan. Fachada do ryokan Yumoto Choza, perto de Takayama, nos alpes japoneses (norte) Um rápido chá de boas-vindas e é hora de ir para a sala de banho - uma para homens, outra para mulheres. Alguns ryokans também têm espaço específico para casais. Na sala de banho há uma fileira de torneiras com um banquinho e um balde de madeira na frente de cada uma. O hóspede se enxágua e, só depois, submerge no ofurô, banheira de madeira ou pedra com água quente, muitas vezes vinda da fonte de água termal. Ryokans rurais costumam ter ofurôs a céu aberto, para usar mesmo quando está nevando. A sensação é de incrível relaxamento. É hora, então, de recolocar a yukata. Mesmo porque o jantar, quase sempre servido no quarto do hóspede, começa no máximo às 19h30. Sentado em uma almofada sobre o tatame, com uma mesa baixa na frente, o visitante enfrenta uma sequência interminável de pequenos pratos. Quase sempre há sopa, vegetais diversos, peixe cru (sashimi ou sushi), grelhado ou assado e, às vezes, carne. Para terminar, arroz com picles e chá. Os pratos variam de acordo com a região e a época do ano, mas nos bons ryokans são preparados com esmero e apresentados de forma a agradar também às retinas. Peça saquê, quente ou gelado. Hora do sono Depois da comilança, a atendente do ryokan - que cuida do hóspede do momento em que ele chega até a hora de ir embora - sugere que você dê uma volta por cerca de meia hora. É o tempo certo para a mesa ser retirada e o quarto, preparado para a noite. Em cidades pequenas, os visitantes costumam passear pela área em torno do hotel. E devem ir de yukata mesmo, com um chinelo alto de madeira nos pés - no início, meio difícil de se equilibrar. Em cidades grandes, pode-se passear pelo próprio ryokan, que com frequência tem jardim interno. Ao voltar para o quarto, os futons - uma espécie de acolchoado típico japonês - já estão cuidadosamente estendidos sobre o tatame. É hora de dormir. No dia seguinte, por volta das 8 horas, a atendente bate na porta, dá bom dia e, pouco depois, o desjejum é servido, também no quarto. E um café da manhã tradicionalmente japonês tem sopa, tem peixe, tem arroz, tem chá... Vai encarar? Durma como japonês É recomendável reservar ryokans com antecedência, já que são pequenos e nem sempre habituados a ocidentais. Não são baratos, mas a diária inclui jantar e café da manhã. O serviço é excelente (lembre-se de que gorjeta é tabu no Japão) e o hóspede recebe escova de dente, barbeador, etc. Fiquei em vários ryokans. O mais barato custou cerca de US$ 150 por pessoa e o mais caro, cerca de US$ 400 (Murata, em Yufuin, imperdível). Reservei na agência paulistana Century Travel (www.centurytravel.com.br). Mais informações nos sites www.ryokan.or.jp e www.japaneseguesthouses.com  

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