Pernoite nos domínios da máfia siciliana

Capos saíram de cena. [br]E antigas propriedades viraram charmosos bed and breakfasts no norte da ilha

Joshua Hammer / NYT, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2010 | 01h59

A típica villa poderia ser o retiro rural de um magnata ou pertencer a um príncipe italiano. Dois andares de estuque e pedra, com vista para o Jato Valley, no norte da Sicília. Mas a casa de fazenda do século 17 era de Bernardo Brusca, capo de uma violenta família mafiosa.

Foi o filho dele, Giovanni, hoje com 51 anos, o responsável por detonar a bomba que matou o promotor Falcone, em 1992. E o próprio Bernardo morreu sob custódia judicial, em 2004, após passar quase 20 anos preso.

Fazendo valer uma lei de 1996, o governo italiano tomou a propriedade do mafioso e entregou a um consórcio formado por municípios da região. Surgiu, assim, o bed and breakfast Portella della Ginestra ( 45 a diária com café; tel.: 39-328-2134-597), cercado por uma grande horta comunitária de produtos orgânicos.

"Queremos deixar para trás o triste passado violento", explica Emiliano Rocchi, que trabalha na pousada desde que ela abriu as portas, em 2004. "Usar as propriedades de mafiosos de forma a possibilitar projetos sociais é uma forma de fazer isso."

A casa dos Bruscas foi a primeira a ser confiscada e transformada em bed and breakfast. E pode ter começado uma tendência. O grupo de cooperativas Libera Terra Mediterraneo recentemente abriu sua segunda pousada, numa casa que pertenceu ao capo dos capos, Salvatore Riina.

Ficar hospedado nessas vilas é garantia de poder admirar as mais belas paisagens da ilha. E, no caso do Portella della Ginestra, de provar o melhor da culinária local. Como a pasta alla Norma, feita com tomates frescos, abobrinha e queijo pecorino.

Corleone. Do outro lado do vale está Corleone, de onde Mario Puzo tirou a inspiração para seu poderoso chefão. Tudo ali era dominado por Riina, que desde 1993 amarga seus dias numa penitenciária de segurança máxima. A casa rural do mafioso foi reformada com ajuda de um fundo da União Europeia e virou pousada do Libera Terra Group.

Ladeada por 100 acres de fazenda, a Terre di Corleone (desde 40 euros; tel.: 39-339-5247- 626) começa em um caminho de cascalho fora da vista da estrada principal. A bela casa de pedra virou um restaurante e os antigos estábulos de Riina, um hotel: cinco confortáveis quartos com o Jato Valley pela janela.

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