Claudio Marques/Estadão
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Pérola no Oriente

Ligada a São Paulo por voo direto desde junho, a suntuosa capital dos Emirados Árabes quer se firmar como ponto de conexão entre Ásia e o mundo ocidental

Claudio Marques, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2013 | 02h16

ABU DABI - Luxo, ostentação, lojas de grife. Tudo em meio a prédios gigantescos que parecem disputar algum prêmio de arquitetura moderna e, ao mesmo tempo, dão a impressão de congelar a alma de uma cidade quente no ar refrigerado. Entre o belo e verde mar do Golfo Pérsico e o deserto, Abu Dabi, capital e uma das sete unidades que compões os Emirados Árabes, impressiona o visitante pelo seu aspecto ocidental e novo. E, como sua vizinha Dubai, pretende se firmar cada vez mais como ponto de conexão entre o extremo oriente e o mundo ocidental.

Prova disso é que a empresa aérea de Abu Dabi, Etihad, começou em junho a operar voos diretos e diários para lá desde São Paulo. São cerca de 15 horas ininterruptas de voo, motivo suficiente para fazer uma parada de alguns dias, caso você esteja indo para algum destino na Ásia ou no Índico, por exemplo.

Há boas atrações nessa cidade erguida pensando-se mais em carros que em caminhadas - talvez por causa do calor. As temperaturas podem chegar a 43 graus nos meses mais quentes e a sensação abafada é amplificada pela umidade. Claramente inspirada em um modelo americano de centro urbano, tem largas avenidas e transporte coletivo que deixa a desejar: alguns ônibus e pontos de parada que, pelo menos, têm ar condicionado, item de primeira necessidade por lá.

Mesmo na Corniche, a avenida à beira-mar de 8 quilômetros de extensão que, com seus parques e passeios, é o cartão-postal de Abu Dabi, fica difícil encontrar um pedestre ou bicicleta durante os meses mais quentes (abril a outubro).

Quando as temperaturas cedem um pouco (novembro a março) é que começam a ser possíveis os jantares ao ar livre e encontros para fumar shisha (narguilé). Também começa a temporada de eventos como o Grande Prêmio de Fórmula 1, que, aliás, ocorre no domingo, dia 3 de novembro; além de campeonatos de tênis e golfe e festival de gastronomia.

Hábitos. Abu Dabi chama a atenção também pela multiplicidade de origens de seus habitantes: gente do mundo todo se entrecruzando pacificamente em shoppings, restaurantes e escritórios, com costumes e trajes próprios. De acordo com a autoridade de Turismo e Cultura do emirado de Abu Dabi, apenas 20 % do total de 1,6 milhão de pessoas que vivem lá são nativos, os emiratis. Os demais são gente da Índia, Ásia, Austrália, Europa e do continente americano, inclusive brasileiros.

A cidade tornou-se ponto de atração de trabalhadores porque os Emirados Árabes vêm experimentando um crescimento acelerado nos últimos 20 anos. Graças ao petróleo, descoberto na região em 1958, que transformou completamente o arquipélago formado por 200 ilhas onde está Abu Dabi e que era, então, habitado por tribos nômades.

Os clãs de beduínos sobreviviam de pesca, cultivo de tâmaras e do comércio de pérolas (foto). A coleta de pérolas foi abandonada em meados dos anos de 1990 por ser pouco lucrativa e pelas sequelas físicas que deixava nos mergulhadores. Agora, a atividade existe como opção de entretenimento para turistas (leia na página 11).

Em meio à aparência ocidental que a cidade tem hoje, homens circulam vestidos com a longa túnica branca chamada de candura e o lenço branco preso por uma corda preta sobre a cabeça. Mulheres usam túnicas pretas até os pés e lenços pretos na cabeça (chamados de sheyla), que cobrem os cabelos e o colo, mas não o rosto. Ocidentais mantém seus hábitos e trajes, mas são aconselhados a respeitar costumes locais, como o de homens e mulheres não se tocarem em público, e a não usar decotes nem deixar ombros à mostra.

O profundo respeito ao Ramadã, mês de jejum diurno, e os minaretes que despontam na paisagem, como os da deslumbrante Mesquita Sheik Zayed, contribuem para lembrar que, apesar de tudo, Abu Dabi ainda é a capital de um país árabe e islâmico.

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