Personalidades ocultas sob a terra

Não existem duas cavernas iguais. Essa será sua primeira[br]grande descoberta ao visitar o surpreendente Petar

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2009 | 03h17

A escuridão é pouco convidativa. O sopro frio e a umidade fazem o grupo adiar os últimos passos antes de entrar na caverna. Mas é chegada a hora. Todos acendem a luz de seus capacetes, iluminando as paredes de pedra. E eis que as mais inesperadas formas e cores surgem bem diante dos olhos, um espetáculo que faz a mente perder a noção do tempo.

 

Por mais incrível que pareça, essa mágica será sua companheira em cada gruta do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), entre Iporanga e Apiaí, no interior do Estado. Criado em 1958, o parque só começou a funcionar como tal na década de 1980. E de lá para cá continua sendo pouco visitado. Total injustiça, como é possível ver nas imagens que ilustram esta edição.

 

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De relance, concordamos, as cavernas podem até parecer meio iguais. Mas elas têm personalidade própria e histórias distintas para contar. Basta olhar em volta com um pouco mais de calma para perceber estalactites gigantes em uma, formações que parecem pérolas em outra, quedas d"água em uma terceira...

Com tantas diferenças, fica inevitável eleger uma favorita. Sem deixar que as demais descubram, claro. O espeleólogo e dono da agência Ecocave Sérgio Ravacci e sua mulher, Milena, já definiram a deles. "A Água Suja tem uma trilha linda, é divertida... e, no fim, há uma bela cachoeira para admirar", descreve Milena.

Sua atenção provavelmente vai se voltar para uma das 12 cavernas que hoje estão abertas à visitação nos quatro núcleos que compõem o Petar. É mesmo questão de compatibilidade de gênios.

A Morro Preto tem boca larga, como um grande e convidativo sorriso. Há também as tímidas, como a Ouro Grosso, que se escondem de tal maneira que seria fácil passar por elas sem notar. Talvez pela beleza ímpar, a Temimina exiba um ar superior e quase inacessível. O oposto da simpática Santana, sempre repleta de turistas.

PARA TODOS

As características diferentes de cada uma atraem visitantes igualmente distintos em idade e expectativa. O médico Sebastião Zanforlin, de 46 anos, foi ao parque com a mulher, Silvia, o filho Luís, de 16 anos, e o estudante intercambista da Alemanha Daniel Sticher, de 17. "Queríamos algo com um pouco de aventura e decidimos conhecer o Petar", conta. "Me surpreendi positivamente."

Com um currículo repleto de experiências bem mais radicais, como a chegada ao acampamento base do Everest, o dono da operadora Highland, Mauro Chawarts, levou as filhas gêmeas de 7 anos para a estreia no mundo do ecoturismo. "Quero que elas se acostumem desde cedo."

E quem gosta de natureza sabe que falar em preservação nunca é demais. Algumas cavernas do Petar apresentam cicatrizes aparentes, marcas onde antes existiam estalactites e estalagmites, retiradas por quem acredita que belezas tão particulares têm de ser levadas nos bolsos, e não na lembrança. Um total engano.

LÁ FORA: NOVA ZELÂNDIA

Uma espécie de Petar pode ser visitado no interior da Ilha Norte da Nova Zelândia: as cavernas de Waitomo. Os labirintos formam uma rede subterrânea de 45 quilômetros, com opções para diversos níveis de aventureiros. Algumas, como a Aranui (acima), têm iluminação fixa: cabe ao guia ligar e desligar a luz. Uma maneira de observar as formações em detalhes.

AQUI MESMO: CAVERNA DO DIABO

Na ida ou na volta do Petar, vale a pena parar na Caverna do Diabo, em Eldorado, com amplos e belos salões. A gruta foi modificada para se tornar acessível - há escadas de alvenaria, por exemplo. Seu plano de manejo está em andamento e é possível que a caverna receba rampas para cadeirantes. Uma trilha asfaltada leva até a gruta e há estacionamento. Entrada: R$ 10.

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