Perto das nuvens, em meio a uma paisagem desértica e lunar

Passeio imperdível para quem está em Jujuy é visitar as Salinas Grandes, no altiplano argentino. Com 12 mil hectares de uma superfície branca como neve, o salar é tão encantador quanto o percurso até ele.

JUJUY, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h18

O acesso é pela RN-52, que leva ao Chile e sai da RN-9, em Purmamarca. São 126 quilômetros de estrada sinuosa, para subir 2 mil metros de altitude e chegar ao ponto culminante da montanha, a 4.170 metros acima do nível do mar, de onde se avista o Nevado de Chañi, o mais alto do pedaço, com 5.896 metros.

Mesmo com sol, o vento gelado em alguns trechos da estrada é quase insuportável e, à noite, a temperatura pode chegar a 30 graus negativos. Durante o verão, a atenção tem de ser redobrada por causa das chuvas. Também é comum cruzar com lhamas e vicunhas pelo caminho.

Depois de atingir o ponto máximo do zigue-zague, que marca o fim da Quebrada de Humahuaca, é preciso descer a 3.450 metros para chegar às salinas, com sua paisagem lunar e desértica.

Na altura do km 64 da RN-52, um galpão de pedra, onde são vendidas pequenas esculturas de sal, é uma das entradas da salina. É preciso ter cuidado: primeiro, onde se pisa, pois há água embaixo das camadas de sal e elas podem se romper; e depois, com o sol forte refletido na superfície branca, que pode provocar queimaduras. Dali são extraídos sal de cozinha sem iodo e lítio, um elemento usado em baterias.

No dia da visita, meu grupo teve o privilégio de almoçar na casa de pedra, com o serviço de um famoso bufê de Jujuy, o Syrah Catering & Eventos. Para começar, as irresistíveis empanadas assadas na hora, depois truta salmonada com risoto de quinoa e, para sobremesa, frutas, nozes, melaço e doce de cayote.

'Madre tierra'. Outra surpresa foi presenciar a cerimônia de Pachamama, ou "mãe terra", comemorada no dia 1.º de agosto. Eles acreditam que se a pessoa passa pelas tormentas do dia 31 de julho, terá mais um ano de vida.

Além do festejado carnaval de Jujuy, que dura 8 dias e 9 noites, a celebração da Pachamama é uma das mais importantes manifestações populares na região.

Uma breve oferenda é feita no chão, onde são depositados em círculo doces, bebidas, cigarros e dinheiro. É oferecido o que há de melhor e, depois, tudo é queimado, como agradecimento pela agricultura e para que não falte nada no ano seguinte. / L.N.

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