'Pintxos' ou lavanda: entre o País Basco e a Provence

O que fazer com oito dias livres na Europa? Ricardo Freire responde

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 02h30

VIAJE NA PERGUNTA

Temos oito dias livres no começo de julho entre dois compromissos; o segundo é na Costa Brava espanhola. Como já conhecemos a Catalunha, estamos em dúvida entre o norte da Espanha (País Basco) e a Provence. O que você recomenda? (Marina, São Paulo)

O início de julho é a melhor época para quem quer sentir o gostinho do alto verão no sul europeu, sem muvuca demasiada. Os lugares estarão cheios, mas não apinhados; na minha opinião, a Europa fica muito mais divertida sob o sol. Se você não tem problemas com o calor (que, nessa época e nessas regiões, não será maior do que experimentamos no Brasil), não há nada que desabone nenhuma das duas viagens.

O que pode desempatar o placar a favor da Provence é que, em julho, você encontra os campos de lavanda floridos. É a cereja do bolo – perdão: do clafoutis, o delicioso pudim provençal de cereja –, mas é, evidentemente, a única razão para decidir por um tour provençal. A Provence é uma experiência estética completa, sobretudo quando você monta base em cidades pequenas. Eu dividiria a estada entre St.-Rémy (para visitar Les-Baux e Arles) e algum vilarejo do Lubéron (como Gordes ou Lourmarin). O Lubéron sintetiza o espírito rústico-chique provençal; dá para passar dias circulando entre os vilarejos dentro da área do parque nacional, onde não há absolutamente nada feio à vista. Eu visitaria Aix-en-Provence e Avignon só para ficar feliz de voltar ao meu vilarejo para jantar e dormir.

O que pode desequilibrar para o País Basco é que se trata de um destino bem menos óbvio – e nem por isso, menos atraente. Em termos gastronômicos, por exemplo, a região não deve nada à França. San Sebastián é sinônimo de cozinha de vanguarda, e a sofisticação da culinária basca pode ser provada em qualquer boteco que sirva pintxos, as tapas bascas. Prestes a completar 20 anos, o Museu Guggenheim de Bilbao deve ser o menos visitado entre os prédios mais conhecidos do mundo – e permanece imbatível como a criação mais instigante de Frank Gehry.  Uma noite na cidade é o bastante – de lá eu partiria para um tour de dois dias pela região vinícola de La Rioja. E terminaria com quatro dias de verãozão, divididos entre o balneário clássico de San Sebastián (a 100 km de Bilbao) e o hype recém-readquirido de Biarritz, na França (a 50 km de San Sebastián). 

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