Piscina vulcânica

De um azul austero, águas do Crater Lake têm efeito hipnotizante

Nívea Terumi, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2009 | 01h52

O vão aberto no meio da cadeia de montanhas congeladas impressiona pelo tamanho. E também por ser o resultado de uma explosão vulcânica, há 7.700 anos, que colocou no chão o Monte Mazama, do alto de seus 3.660 metros. Surgiu assim a gigantesca piscina natural.

 

BIOGRAFIA - Explosão criou fenda entre as montanhas

Mas, verdade seja dita, o Crater Lake, no sul do Estado do Oregon, deixa boquiabertos mesmo os visitantes que desconhecem sua biografia. O azul é penetrante, austero. Lembra a tonalidade do Oceano Pacífico, que está a 160 quilômetros de distância. Suas águas têm um efeito hipnotizante, quase perturbador. Talvez pelo silêncio, responsável pela atmosfera de espiritualidade. Ou por se tratar do lago mais profundo dos Estados Unidos e o sétimo do mundo, com até 592 metros.

 

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Outras medidas igualmente impressionantes são o diâmetro de quase 10 quilômetros e a circunferência, com outros 35. Tal grandiosidade alimentou lendas de batalhas entre deuses e monstros supostamente adormecidos no leito.

Ainda hoje há quem acredite que o Crater Lake foi formado a partir do impacto de um meteoro em algum momento do passado. Isso apesar das evidências de que, desde tempos imemoriais, a região era conhecida e fazia parte da cultura oral de povos nativos. Conhecimento passado de geração em geração pelos que testemunharam o desaparecimento do vulcão e a formação da nova paisagem.

CONCORRIDO

Em 1902, o então presidente americano Theodore Roosevelt concedeu o título de parque nacional ao Crater Lake. Atualmente, o lugar atrai milhares de visitantes e é o ponto turístico mais conhecido do Oregon. Os americanos são maioria, mas não é difícil encontrar alemães, franceses e italianos encantados pelos 730 quilômetros quadrados da reserva.

A visita pode ser feita o ano todo. Mas o inverno reserva alguns inconvenientes. A neve, que começa a se acumular no fim de outubro, costuma fechar rapidamente estradas e acessos às atrações, como trilhas e alguns centros de visitantes. Em compensação, quem chega lá pode fazer divertidas caminhadas com uma espécie de raquete nos pés - o snowshoeing.

Durante as estações quentes, entre junho e outubro, o parque parece acordar para acolher os visitantes. Há trilhas para aventureiros com qualquer nível de preparo físico. Nas mais fáceis é comum ver adultos, crianças e idosos dividindo espaço nos estreitos caminhos que levam a quedas d"água e penhascos com vista para as cadeias de vulcões congelados.

Chegar até o Crater Lake, no entanto, não é para qualquer um. Extremamente inclinada e com quase 2 quilômetros de extensão, a Cleetwood Cove Trail é a única que leva ao ponto onde é possível nadar nas águas do lago. Que, aliás, são sempre frias: 13 graus no verão e 3 no inverno. Dali saem os passeios de barco até as ilhas Wizard Island e Phantom Ship - esta, uma formação vulcânica que lembra um navio fantasma.

QUARTO OU BARRACA

O parque tem duas áreas para camping. Barracas ficam melhor acomodadas, pois não há infraestrutura para motorhomes, como tubos de água e despejo de dejetos. Mas a entrada dos carros-casa é permitida.

No Mazama Campground, com 200 lugares, é possível fazer reserva. Já o Lost Creek Campground, com 16 vagas, dá a vez a quem chega primeiro. Ambos funcionam apenas no verão. Outras duas opções garantem um pouco mais de conforto. O Crater Lake Lodge e o Mazama Village Motor Inn são disputados - por isso, reservas devem ser feitas com até 13 meses de antecedência.

linkCrater Lake: www.nps.gov/crla/index.htm. Entrada para carros: US$ 10, válido por sete dias

linkOnde ficar: http://www.craterlakelodges.com/. Diária desde US$ 151

 

NA INTERNET

Para saber como está o tempo no parque consulte http://www.craterlakelodges.com/press-room. As imagens são atualizadas a cada 15 minutos

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