Mariana Goulart/Estadão
Mariana Goulart/Estadão

Poesia nas alturas de Humahuaca

A 60 quilômetros de Purmamarca está a gigante Serranías del Hornocal, uma cadeia de montanhas que ultrapassa os 4 mil metros de altitude

Mariana Goulart, O Estado de S. Paulo

13 Março 2018 | 04h54

Apenas 60 quilômetros separam Humahuaca e Purmamarca, que têm em comum as casas coloniais de adobe e a forte herança andina. Mas é em Humahuaca que está a gigante Serranías del Hornocal, cadeia de montanhas que ultrapassa os 4 mil metros de altitude. 

O período da tarde é o melhor para observar suas cores, graças ao posicionamento do sol. Por isso, decidimos almoçar primeiro. O restaurante Pachamanka, pertinho da praça central, foi uma agradável surpresa. Em um casarão antigo, com pé direito alto e decoração simples, oferece cardápio variado, com opções vegetarianas e muita fartura. Me sugeriram a carne de lhama com batatas assadas (240 pesos ou R$ 38). Decidi provar – e não me arrependi. O gosto não é muito diferente da carne bovina, mas ela é mais macia e um pouco mais clara – lembra o bife ancho. Saborosíssima. 

Assim como em Purmamarca, os artesãos daqui também se reúnem no entorno da praça. Se quiser caminhar para fazer a digestão depois do almoço, saiba que a siesta por ali é coisa séria. O comércio costuma baixar as portas das 15 às 17 horas mas, nesse tempo, dá para bater papo com os moradores e observar o trabalho de artesãos independentes.

Embora o objetivo de quem chega ali seja ver as montanhas, Humahuaca é conhecida como “capital histórica da Quebrada”, estabelecida pelos espanhóis no século 16. Além da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, do século 17, a cidade se orgulha de seu Monumento aos Heróis da Independência, construído no alto de um morro, ao lado da praça central. Para chegar até lá é preciso subir uma escada com 113 degraus. 

Mas nós tínhamos compromisso certo: seguir para as Serranías de Hornocal, a 25 quilômetros dali. A majestosa cadeia de montanhas coloridas com 4.344 metros de altura só pode ser alcançada de carro, pela sinuosa rota 73. Depois de 1h30 de viagem, chegamos ao topo: é preciso pagar 50 pesos (R$ 8) por veículo para entrar. Outra opção é ir com as excursões que saem do centro da cidade. O agendamento deve ser feito no Centro de Turismo, e o passeio custa 350 pesos (R$ 55).

Por causa da altitude, é recomendado caminhar com calma, para ver o cenário ao redor (não esqueça sua garrafinha de água). As montanhas coloridas são grandiosas e a impressão que fica é que foram pintadas à mão. Se quiser se sentir um nativo, leve uma térmica de água quente e mate, sente nas muretas do mirante e passe um tempo observando as montanhas. Amarelo, vermelho, laranja, verde. É um espetáculo de cores que parecem ter saído dos ponchos andinos.

Não perca o fôlego

Com tempo extra, você pode reservar um tempinho para fazer o trekking a Peñas Blancas. É um passeio simples, de apenas 2 quilômetros, que pode ser feito sem necessidade de guia. Ali estamos a 2.400 metros de altitude, por isso mantenha a cautela e caminhe devagar, em ritmo constante. Do alto, tem-se uma bela vista da cidadezinha e das montanhas ao seu redor. 

Tradições

As cidades da Quebrada são repletas de festejos tradicionais. Na Semana Santa, por exemplo, Tilcara – vilarejo um pouco mais estruturado que Humahuaca e Purmamarca – as celebrações começam na Quarta-feira Santa, com uma longa procissão acompanhada por tambores. Na Sexta, as ruas são tomadas por Ermitas, como são chamados os murais feitos de flores

Sinta-se em meio às montanhas no vídeo 360º a seguir. A experiência será melhor aproveitada através do aparelho celular. 

 

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