Poligamia na Suazilândia

Depois de provar a estranha sensação de dormir em um iglu no Santa Resort Kakslautannen, na Finlândia, nosso curiosíssimo viajante seguiu para St. Gallen, na Suíça, com o objetivo de hospedar-se no primeiro hotel zero estrelas do mundo. Trata-se do Null Stern (Zero Estrelas) Hotel, construído em um bunker nuclear hoje fora de uso.

O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2012 | 03h09

Segundo mr. Miles, "o Null Hotel realmente cumpre o que promete. Seus quartos têm as paredes grossas de um abrigo nuclear e são perpassados por tubos horrendos que conduzem ar, água, esgoto e gás através das instalações". Um leito franciscano e uma lâmpada de leitura foram os únicos equipamentos que nosso correspondente britânico encontrou em seu aposento. "O serviço, claro, tem de ser obrigatoriamente péssimo", segue mr. Miles, "para honrar a inexistência de qualquer estrela. Imaginem se, por um acaso, surge um recepcionista atencioso? A reputação do estabelecimento vai por água abaixo…"

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: tenho uma grande curiosidade sobre a Suazilândia. O senhor já esteve lá? Conte-nos um pouco a história do rei Makhosetive, que tem não sei quantas mulheres. Fraterno abraço do leitor.

Arthur de Lucca, Goiânia, por e-mail

"Well, my friend: estive na Suazilândia por diversas vezes, sobretudo quando ela era uma colônia de nosso império. Eu estava lá, by the way, no dia 19 de março de 1968, quando ocorreram dois fatos importantes na história suazi: a proclamação da independência do país e o nascimento, no Raleigh Fitkin Memorial Hospital, do menino Makhosetive, hoje chamado de rei Mswati III. Fortuitously, eu até me encontrava no hospital, com minha querida Annie, médica abnegada e grande paixão do passado.

Well: o que eu posso lhe dizer hoje sobre a Suazilândia? Que não viaje para lá, se puder. Trata-se de um minúsculo reino montanhoso encravado na África do Sul e com uma pequena fronteira para Moçambique. Ele até tem lindas paisagens, mas a tirania imposta ao seu povo pelo rei Mswati III estampa o medo nos olhos de seus mais de 1 milhão de habitantes.

Meu velho amigo, o reverendo Vincent Paris, costuma dizer que a Suazilândia é a capital do inferno na Terra. É bem verdade que ele vê demônios por todos os cantos, mas o que se pode dizer de um país onde a expectativa de vida é de 39 anos e onde, my God, um terço da população está infectado pela aids? Não existe taxa igual em todo o planeta!

As autoridades suazis atribuem esse flagelo a um traço cultural da população, que ninguém está disposto a erradicar: a prática da poligamia. Em média, cada homem daquele país é casado com cinco mulheres. O pai do rei Mswati III, Sobhuza II, foi mais, digamos, abrangente: teve 120 esposas. Makhosetive, que o sucedeu, foi apenas o 67.º filho do antigo monarca.

Quanto ao soberano atual, que manda prender qualquer oposicionista que lhe faça críticas, este tem apenas 13 esposas. Com o objetivo de diminuir a epidemia de aids, Mswati III decretou a proibição da prática de sexo para mulheres abaixo de 18 anos entre 2002 e 2006. Em 2005, however, revogou a lei para poder se casar com uma menina de 17 anos.

Em outras palavras, my friend, a Suazilândia é um lugar para ser visitado com os olhos fechados para o despotismo e com toda a bagagem envolvida em condoms gigantescos.

Se ainda assim a sua curiosidade continuar grande, não conte com minha companhia."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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