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Ponto final, Praça de Espanha

Monumental em Sevilha, irônica em Barcelona... várias cidades espanholas têm uma praça batizada com o nome daquele país

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 03h30

Tenho reparado, já faz um tempo, nos ônibus cujos letreiros luminosos indicam sempre uma mesma direção: Praça (de) Espanha. Porque nunca encontrei – e se o leitor já, peço que me escreva para contar – outro país ou mesmo nome próprio que tivesse a honra de batizar tantas vezes um espaço – e com a mesma concepção além de tudo. Praça Inglaterra? Nunca vi. Praça Brasil? Também não. Nem Carlos, Isabel, Pedro, imperadores e reis que nomeiam uma área ou outra, existem em tanta quantidade como ocorre com Espanha.

Não lembro bem nem quando nem onde foi que a ideia me veio à cabeça pela primeira vez, mas encasquetei com o fato e considerei que, assim que tivesse acumulado passagens por um bom número de praças batizadas com o nome Espanha, escreveria sobre. Eis-me aqui.

Para falar a verdade, nem é preciso reparar nos letreiros de ônibus como costumo fazer. Se você escreve Plaza de España ou somente Plaza España no buscador do Google, por exemplo, logo aparecerão três sugestões em cidades espanholas conhecidas: Madri, Barcelona e Sevilha. Fico só imaginando os outros milhares de municípios espanhóis com praças que rendem suas homenagens ao país.

Também me falha a memória sobre a primeira Praça de Espanha que encontrei pelo caminho. Mas certamente ela estava na América e não na Europa. E, com alguma probabilidade, em Buenos Aires, para onde viajei pela primeira vez quando saí das nossas fronteiras. Sim, porque nomes de vias e espaços públicos também são testemunhos da história, de pessoas e cidades. Resistem, em nome de praça, séculos da dominação europeia por aqui.

Tanto que México e Uruguai também contam com seus exemplares. A de Montevidéu, à beira do Rio da Prata, conta com um monumento em homenagem a Isabel de Castela, a rainha católica da época das grandes navegações e da chegada de Cristóvão Colombo ao nosso continente.

Até em Portugal, Lisboa, achei uma Praça de Espanha. Tem a questão da vizinhança e até da história – por 60 anos, os dois países formaram um só reino, séculos atrás. Mas há também “unidades” na Bélgica e nos Estados Unidos. Aliás, a Wikipédia tem um verbete “Praça Espanha” com a lista de pelo menos cinco cidades que batizaram praças assim. 

Praça monumental 

Voltando à Espanha, onde o nome das praças têm mais razão de ser, estive justamente nas três sugeridas pelo Google. A de Sevilha é a mais marcante pela monumentalidade. Projetada no início dos anos 1900 para receber a Exposição Iberoamericana de 1929, tem um enorme palácio de estilo neomudéjar e 50 mil metros quadrados de área. Isso sem falar do canal e das pontes que contornam o edifício e do parque que a cerca.

Em Barcelona, a Praça Espanha, ponto de encontro e referência na cidade, me chamou mais atenção pela aparente contradição do que pela beleza, ainda que seja bastante agradável. Pois numa região (a Catalunha) que há anos briga por sua independência do resto do país, a manutenção de uma homenagem assim não deixa de ser peculiar.

Praças são sempre lugares por onde passamos em viagens, intencionalmente ou não. Algumas têm histórias mais interessantes, outras são mais bonitas, tem aquelas que são tranquilas e convidam a uma pausa no passeio e – adoro essas – as que ficam ainda mais vivas com mesinhas, cervejas e petiscos.

E, pelo tanto de praças que há no mundo, cogito que haja uma Espanha de cada jeito, para todos os perfis. Na dúvida de onde encontrá-las em sua próxima viagem, siga os letreiros dos ônibus. A parada final poderá ser uma Plaza de España.

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