Por amor à Sicília

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Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2014 | 02h06

A Copa vai terminando, assim como a esperança dessa redação de receber a visita de seu famoso viajante. Sem notícias recentes de mr. Miles, resta-nos aguardar alguma surpresa de última hora. A seguir, a carta da semana:

Caríssimo mr. Miles: sou seu fã tanto no jornal quanto nas redes sociais e admiro o estilo poético com que consegue lidar até mesmo nas questões mais adversas. Por isso recorro à sua sabedoria e conhecimento. Estamos planejando uma viagem à Sicília em setembro próximo e gostaríamos imensamente de saber a sua visão sobre essa ilha tão diversa, além de algo que vá além do Etna e da máfia. Como é um destino em ascensão, acho que nada mais oportuno saber o que o senhor pensa a respeito. Muito obrigado e um abraço de um grande fã.

Ademir Villatoro, por e-mail

"Em primeiro lugar, thank you, dear Ademir. Fãs são o vinho de que se abastecem os que escrevem. Agradeço, as well, sua menção à minha (pouca) sabedoria e meus (parcos) conhecimentos. Felizmente, não preciso recorrer muito a eles para recomendar efusivamente que, sim, você deve ir à Sicília. Aposto, desde já, como essa será uma das melhores viagens de sua vida.

Permita-me esclarecer, dear Ademir, que você estará fazendo várias viagens ao mesmo tempo. De uma delas pouco se fala. Ao desembarcar na bela ilha italiana, você terá chegado ao coração da Grécia! Como assim? Não, my friend, não estou bebendo e ainda não me diagnosticaram, as well, qualquer tipo de demência. O fato é que, muito antes de ser Sicília, a Sicília (perdão pela repetição) foi Trinakria. O que, em grego, quer dizer algo como 'três pontas'. Basta ver um mapa para conferir que a ilha é mesmo um triângulo. E você vai me perguntar: por que diabos os gregos deram nome a uma ilha italiana?

A resposta é simples: quando os gregos a batizaram, Trinakria pertencia à Grécia. Therefore, a Sicília de hoje guarda mais resquícios e vestígios gregos do que a própria Grécia. Can you believe me?

Pois você verá com seus olhos. Selinunte, Agrigento e Siracusa são apenas alguns nomes que mencionarei para que constem de seu roteiro. Cidades, templos, anfiteatros, lugares frequentados por grandes nomes da cultura helênica em plena Itália. Com a vantagem de que, well, hoje Trinakria é mesmo Sicília. E portanto tem, of course, presença da cultura romana. E da normanda. E da bizantina. E, by the way, de todos os povos que, ao longo dos tempos, brigaram por sua posição estratégica no meio do Mediterrâneo.

Só isso já valeria a viagem, don't you agree? Agora suponha que toda essa história seja acompanhada de uma geografia lancinante, de imensos promontórios que se projetam sobre as praias e sobre vilarejos encantadores. De mares pintados a mão, I dare to say, pelo próprio Criador em um momento de ternura. Ponha sobre toda essa colossal estrutura um vulcão gigantesco, onipresente e, for Christ sake, com uma enorme vontade de mostrar sua energia com regularidade. Diante disso, my friend, que poder minúsculo é esse da máfia, isn't it?

Eu poderia passar horas fazendo digressões sobre a beleza antológica da ilha que você quer conhecer. However, como o espaço não permite que eu fale de sua maravilhosa gastronomia, de seus limões e seus vinhos, permita-me apenas sugerir que pare em um vilarejo qualquer, sente-se na praça e observe os locais. Não há italianos mais intensos do que os sicilianos. Dos mais velhos às crianças, um estranho ardor escapa aos olhos. E neles pode-se perceber tanto a fúria do Etna como o encanto de um filme de Ettore, meu bom e velho amigo (N. da. R.: Ettore Scola, cineasta italiano).

Vá, Ademir, e conte-me tudo quando voltar."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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