Flavia Alemi/Estadão
Flavia Alemi/Estadão

Por dentro do mundo bruxo, nos estúdios de gravação

A 40 minutos de Londres, complexo onde foram gravados os filmes da saga leva a uma imersão no universo de Harry Potter

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 04h40

A magia por trás do mundo de Harry Potter é revelada a nós, mortais (ou trouxas, na gíria bruxa) no Estúdio Leavesden. Ali estão os cenários cuidadosamente trabalhados para os filmes e toda a arte envolvida nas criações. Dos truques ópticos de profundidade e escala à flâmula do time de quadribol favorito de Ronald Weasley, é notório o apreço pelos detalhes. Para vê-los, a organização diz que o tempo ideal de visitação é de 4 horas, mas tem um pessoal maluco que fica quase o dobro disso. Eu, por exemplo.

Ao entrar no Salão Principal, o primeiro ambiente cenográfico, duas longas mesas ladeiam o espaço, com pratos, talheres e jarras prontos para mais um dia letivo em Hogwarts. Cobras, águias, texugos e leões de pedra, os animais-símbolo das casas, seguram pequenas piras com fogo falso nas paredes, enquanto manequins vestidos com trajes de estudantes e professores se espalham pelo salão. Ao fundo, o púlpito do diretor Alvo Dumbledore, a mesa dos professores, e, atrás dele, um grande vitral.

A cada 15 minutos entra um lote novo de visitantes e os organizadores pedem que os fãs mais meticulosos que ainda não terminaram de explorar a sala avancem para a próxima fase. Mas dá pra voltar quantas vezes quiser. Fiquei paralisada e boquiaberta com os detalhes, por isso fui e voltei duas vezes. 

Depois do salão, surge um corredor com vários elementos da saga e vídeos dos diretores, produtores e atores contando curiosidades sobre a rotina das gravações. Alguns ambientes, como o Salão Comunal da Grifinória, o dormitório dos meninos e a cabana de Hagrid são apenas expositivos, mas igualmente minuciosos. Na seção onde eles estão, há também uma espécie de gaiola gigante onde estão guardadas centenas de adereços mágicos.

Nem tudo é estático. A magia está presente na n’A Toca, a residência dos Weasley, onde objetos se mexem sozinhos (como a faca cortando legumes em cima da mesa ou as agulhas de tricô). Também pude montar em uma vassoura para receber um vídeo no qual eu voava sobre Londres (cafona? talvez, mas divertido). Gostei mais das fotos ilustrando o cartaz de “procurado” pelo Ministério da Magia. Custam de £ 14 a £ 50 (R$ 67 a R$ 240).

Vilões e batalhas

A partir daqui, o tour assume um tom mais sombrio. Há máscaras dos Comensais da Morte e a exposição de uma cena marcante do último filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte, quando Voldemort e seus asseclas estão reunidos na casa dos Malfoy. Na ocasião, a professora de Estudos dos Trouxas, Caridade Burbage, levita sobre a mesa e é morta por Nagini, a cobra de estimação do vilão. 

Na Floresta Proibida, o jogo de iluminação e o efeito de névoa garantem o ar de mistério. Centauros e hipogrifos dão as caras, além das aranhas. Se tiver uma aracnofobia muito forte, pode ser melhor pegar a saída em vez de adentrar na floresta. É sério.

E é aí que surge a primeira lojinha do tour, com itens temáticos da floresta, como Aragogues, Caninos, Bichentos e Edwiges de pelúcia. Não gaste seus galeões agora: tudo está disponível também na loja ao fim do tour. 

O apito do trem avisa o que está na próxima sala. A Plataforma 9 ¾ se materializa num espaço amplo - a locomotiva vermelha com a inscrição “Hogwarts Express” fez meu coração disparar. É nessa seção que fica a segunda loja do tour, a Railway Shop - e aqui sim há itens que não estão disponíveis nas outras, como uma caneca vermelha de cerveja, tapeçarias, bonés, camisetas e pirulitos temáticos.

A hora do descanso fica a cargo do Backlot Café, onde é possível se deliciar com um copo de cerveja amanteigada (£ 4 ou R$ 19) e comprar algo para comer. Se preferir, utilize as mesas à disposição para fazer um piquenique com os lanches que você trouxe. 

Novo cenário

Daí começa a segunda metade do tour, que passa pelos truques de maquiagem e animais mecânicos, além das máscaras dos duendes de Gringotes e o próprio banco, cujo cenário foi inaugurado em abril deste ano. 

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, a cena de Harry entrando com Hagrid pela primeira vez no banco dos bruxos foi gravada na Australia House, em Londres. Mas, para as cenas de Relíquias da Morte, que envolvem a destruição do local por um dragão cego, o ambiente da Australia House foi replicado em Leavesden. 

Foi o ambiente mais bonito e preciso do tour inteiro. O mármore das colunas é só pintura, e envolve uma técnica engenhosa de mergulhar folhas de papel em água com tinta. Já os lustres foram feitos com plástico imitando cristal. Nos balcões, detalhes como balanças e pilhas de galeões, sicles e nuques enfeitam o ambiente enquanto duendes trabalham.

Atrás do saguão perfeito de Gringotes está a versão toda destruída, e também uma surpresa feita com efeitos especiais (não vou dar spoilers para não estragar sua experiência). 

Uma das últimas atrações é a maquete do Castelo de Hogwarts, considerada a joia da coroa do Departamento de Arte. Criado em escala de 1:24, o modelo foi utilizado nas tomadas externas do castelo, para mostrar alguma passagem de tempo ou mudança de ambiente. Todos os mínimos detalhes foram feitos à mão - um jeito de fazer parecer mais realista foi replicar torres e pátios do Castelo de Alnwick e da Catedral de Durham, que serviram de locação para cenas de A Pedra Filosofal.

Na sala fica tocando a conhecida trilha sonora dos filmes e a iluminação muda lentamente de cores quentes para cores frias. 

O tour se encerra na loja principal dos estúdios, cuja principal mágica é fazer seu dinheiro desaparecer. Você foi avisado.

COMO CHEGAR

Pegue o metrô em Londres até a estação Watford Junction. Siga até o terminal de ônibus, onde estará estacionado o veículo que leva até os estúdios. O bilhete custa £ 2,50 (R$ 12) e deve ser pago em dinheiro. Há ônibus a cada 20 minutos. Já o ingresso deve ser comprado com antecedência pelo site .Ingresso adulto a £ 45 (R$ 217).

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