Felipe Mortara
Felipe Mortara

Por dentro do teatro do Oscar

Casa da maior festa da indústria cinematográfica, o Dolby Theatre, em Los Angeles, não é só para celebridades. Reles mortais também podem pisar naquele palco em tours pelos bastidores

Felipe Mortara, Especial para o Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2018 | 04h50

Não apenas escutava cada passo, mas sentia o tablado vibrar suavemente sob meus pés. Rumava à plateia. Deveria me pronunciar não apenas à audiência daquele teatro, mas ao mundo. “All eyes on me”, pensei, em inglês. Diante de mim, o Dolby Theatre, com Meryl Streep, Sylvester Stallone e Matt Damon logo nas primeiras fileiras. É claro que vou engasgar no meu discurso de agradecimento do Oscar.

Acredite, fui protagonista da cena acima no famoso teatro onde, neste domingo, ocorre a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ou simplesmente The Academy. Infelizmente, não recebi a estatueta dessa vez: tratava-se de um tour guiado de 30 minutos, ao preço de US$ 23 (R$ 74). Um pouco salgado, é verdade, só que é daquelas vivências que valem muito a pena para quem é fã. Fazia apenas uma semana que a festança havia rolado, portanto, o clima todo ainda continuava lá – e também alguns bonecos de papelão com os nomes das estrelas em suas respectivas poltronas no domingo anterior. Desde 2001, a cerimônia é realizada no mesmo local – até 2012, o atual Dolby era chamado de Kodak Theatre. 

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Mesmo sem receber um Oscar (você pode comprar o seu em uma das lojas vizinhas, na Hollywood Boulevard), eu estava genuinamente emocionado de estar ali, no palco onde são entregues os troféus aos principais nomes da produção cinematográfica internacional da temporada. 

Assim como Hollywood se especializou em criar um universo em que sonhos são realizáveis, a visita pelo Dolby Theatre segue roteiro parecido. Dei sorte de embarcar na última turma do dia, com apenas mais quatro pessoas, um casal argentino e outro de chineses. O ingresso é comprado na própria bilheteria do teatro. Por causa da cerimônia, o tour fica interrompido durante cerca de um mês, e só voltará a operar em 9 de março.

Primeiros passos

O clima mais intimista parece ter deixado o jovem guia Harry Jones extremamente à vontade para destilar seus conhecimentos sobre o lugar e revelar-se uma enciclopédia das telonas. 

Bem disfarçado nos fundos do Hollywood & Highland Center, um pequeno centro comercial, o teatro de 3.332 lugares ganha uma baita maquiagem semanas antes da festa. O badalado tapete vermelho pelo qual as celebridades desfilam até seus assentos é colocado apenas na véspera. As vitrines das lojas, com marcas variadas, de Forever 21 a Louis Vuitton, são cobertas por, pasmem, elegantes tapumes. 

O único vestígio de que aquele lugar faz parte da rota mais badalada são discretos luminosos nas colunas com o vencedor de melhor de filme de cada ano desde a primeira cerimônia, em 1928. Registrei Forrest Gump (1994), Titanic (1997) e Moonlight (2016), vencedor da última edição. 

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Uma frustração: não poder fotografar os lobbies onde são recebidos os convidados. O carpete velho é decepcionante e lembra a velha sala de cinema do Gemini, na Avenida Paulista, pouco antes de fechar as portas. Uma surpresa: grandinha, com 33 centímetros, cada estátua do Oscar é feita de bronze, coberta por ouro 24 quilates e pesa 3,8 quilos – pouco mais que um recém-nascido. Uma pena não poder segurar, mas há um exemplar original numa vitrine, concedido honrosamente à empresa Dolby em 1988 por sua tecnologia de som.

Embora os números sejam contundentes, 34 metros de altura por 18 metros de profundidade, uns acham o palco enorme, outros pequenino, mas fato é que descobrir o teatro do Oscar entrando pelas coxias é emocionante. 

Num minuto de silêncio do grupo me meti a falar alto, tentar escutar minha própria voz e me imaginar a receber o prêmio. Afinal, diante de bonecos qualquer um pode ser uma estrela de Hollywood. 

Clássicos e locações

Não é raro caminhar por Los Angeles e encontrar uma rua bloqueada por causa de alguma gravação. Tampouco é rara a sensação de já ter visto determinado ponto antes, mesmo em sua primeira vez na cidade. Além da Calçada da Fama e do Teatro Chinês, há outros pontos queridinhos dos diretores em Los Angeles e imediações. 

Observatório Griffith 

Em La La Land (2016), é no observatório que Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) dançam e flutuam sob as estrelas, mas a cena mais famosa (do vestido amarelo) foi rodada na estrada que leva ao observatório. O Griffith aparece também em Rebelde sem Causa (1955), com James Dean; O Exterminador do Futuro (é ali que o ciborgue Arnold Schwarzenegger chega do futuro); e como o centro de visitantes de Jurassic Park (1993). 

Píer de Santa Monica  

A roda-gigante do Pacific Park e o píer de Santa Monica estão presentes em filmes de estilos distintos. No clássico Golpe de Mestre (1973), Paul Newman opera o belo carrossel, que continua em funcionamento. Durante sua fase de corredor, Forrest Gump chega para ver o mar – e continua correndo. Adam Sandler passeia com Keri Russel sob o píer em Um Faz de Conta que Acontece (2008) – e até come os deliciosos corn dogs vendidos ali.

Los Angeles River  

Se tem cena de perseguição, sempre vai parar ali. Caso do racha de Grease – nos Tempos da Brilhantina (1978), a perseguição de caminhão a um John Connor de mobilete em O Exterminador do Futuro 2. Hoje, no entanto, a área está sendo revitalizada, com direito a ciclovia e plantio de árvores. 

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Passeios para mergulhar no mundo de Hollywood

Desde opções clichês (como a imperdível Calçada da Fama) a experiências cinematográficas que exigem mais tempo e dinheiro

Felipe Mortara, Especial para o Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2018 | 03h45

Pode ser um clichê turístico e tampouco está na lista dos lugares mais glamourosos de Los Angeles. Mas desembarcar na cidade-símbolo do cinema norte-americano e não conhecer a região um tanto cafona da Calçada da Fama é um pecado a não cometer. Como boas-vindas, um exército de atores fantasiados como personagens famosos – Batman, Wolverine, Homem-Aranha e até Mestre Yoda – posam para fotos em troca de dólares. Eis o tom do lugar.

Percorrer as mais de 2 mil estrelas distribuídas entre a Hollywood Boulevard e a Vine St. é cansativo e, sinceramente, não vale a pena. No site wakkoffame.com você pode buscar a localização exata de seu ídolo e para tirar sua sonhada foto. Ali também descobre-se quais serão as próximas cerimônias de inauguração de estrelas. Fãs de Star Wars, preparem-se: Mark Hammil (mais conhecido como Luke Skywalker) será o próximo a ganhar a sua, em 8 de março, às 11h30. 

Muitas dessas estrelas podem ser vistas ali não em carne e osso, mas em cera e tinta. O museu inglês Madame Tussauds tem uma filial, que a decotada Marilyn Monroe na porta não deixa o turista passar batido (US$ 24,99; madametussauds.com). Um mar de lojinhas de souvenir com estatuetas de todos os tamanhos, camisetas, chaveiros e outras quinquilharias disputará sua atenção com uma série de fast-foods, de pizza a tacos. Nada muito instigante, mas acabei optando pelo Calle hora da fome, escolhi a opção mexicana, mais cerveza Dos Equis, a US$ 12.50, no Calle Tacos (calletacos.com). 

Não faltarão abordagens para aderir a tours de carro para conhecer (do lado de fora, claro) as mansões de muitos figurões e ir até o melhor mirante para clicar o famigerado letreiro de Hollywood. O da Starline (starlinetours.com) custa a partir de US$ 45 e vale se você encarar a experiência como um mico divertido. Para chegar de fato aos pés das letras imensas, com 15 metros de altura cada, será preciso encarar 2,5 horas de caminhada guiada (desde US$ 52 ou R$ 163, com a Bikes and Hikes LÁ; bikesandhikesla.com). 

Se tiver um pouco mais de tempo (e alguns dólares a mais para investir), complete sua experiência cinematográfica fazendo os tours a alguns dos estúdios. No da Warner (wbstudiotour.com; US$ 65 ), a experiência dura 2 horas e é bastante interativa – o guia pergunta no começo do passeio sobre as séries e filmes favoritos do grupo e faz questão de enfatizar detalhes de gravação dos citados. 

Na Universal (universalstudioshollywood.com; US$ 109), o passeio pelo estúdio é uma das atrações do parque, com direito a sustinhos causados por King Kong e o tubarão de Steven Spielberg.

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