Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Por que estrangeiros não vêm ao Brasil?

miles@estadao.com

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

07 Março 2017 | 03h00

Nosso incansável viajante voltou a Londres para uma recepção de Lord Setton, the Third, onde, well, embora não confesse, quer exibir o tom tropical de sua cútis, depois de percorrer o Rio de Janeiro em cerca de 20 blocos carnavalescos. 

A seguir, a pergunta da semana:

Caro Mr. Miles, sou profundo admirador e fã de suas colunas no Estadão. Tal como você, gosto de viajar e eventualmente acabo fazendo amigos on the road. E gosto de retornar para visitá-los just like you do. Contudo, gostaria que eles retribuíssem e também viessem me visitar. Eu achava que estar no Brasil seria um bom chamariz e, por mais que eu os convide, ofereça abrigo, diversão e arte, não tenho tido sucesso. Como convencer amigos estrangeiros a vir me visitar no Brasil? Ariel Fingerut, por e-mail

Well, my friend: diga aos seus amigos como é, de fato, o Brasil. Como vocês são amistosos, hospitaleiros e, of course, quantas atrações têm a oferecer. Talvez seja difícil convencê-los em um primeiro momento. Por ser grande e produzir noticiário abundante na mídia mundial, o lindo Brasil fica indefeso contra pessoas preconceituosas, ignorantes ou, well, simplesmente medrosas.

Como dizia meu mestre Twain ( N. da R.: Mark Twain brilhante escritor norte-americano), ‘viajar é fatal para preconceitos, para o fanatismo e para as mentes estreitas’.

In fact, tenho sempre repetido, de um jeito ou de outro, os pensamentos de Twain. Veja exemplos de viagens que deixam de ser realizadas por pura falta de informação dos viajantes. Israel é o centro das três principais religiões monoteístas. Suas atrações são indiscutíveis; as emoções que proporcionam são imensas. However, dear Ariel, a hostilidade entre os vizinhos e algumas escaramuças de fronteira levam as pessoas a acreditarem que viajar à Terra Santa é perigosíssimo. 

Ledo engano. O índice de turistas feridos por motivos de guerra em Israel a cada década é menor do que o índice de motoqueiros mortos no trânsito de São Paulo em uma semana. It’s amazing, isn’t it?

Outro exemplo: my old friend Mark, the Schwartz, operador de turismo, disse-me que se há uma briga entre hindus e paquistaneses ( very frequent, by the way), os passageiros ficam temerosos em viajar para a Tailândia. É preciso lembrar, contudo, que a distância entre a capital da Índia e Bangcoc, no velho Sião, chega a quase 5 mil quilômetros. O lugar dos conflitos, my God, fica equidistante entre Roma e Deli – e ninguém pensa em não ir a Roma porque há um conflito na Índia.

Permita-me mencionar que estou falando em números grandes. Há sentido, embora pouco, no fato de alguém resolver não vir ao Rio porque estrangeiros foram atacados durante o carnaval. Mas a ignorância – de distâncias, geografia, tensões sociais and so on – leva muitas pessoas a sequer pensarem em viajar para Itacaré, na Bahia. Can you believe?

Se existem culpados? Claro que sim! Em tempos de relações públicas altamente profissionais, países que não adotam estratégias para competir com o noticiário, real ou, almost ever, mentiroso e exagerado, perdem muito.

As you know, acabo de voltar do Rio e ainda tenho confetes agarrados ao meu chapéu-coco. Mas nem só de foliões, mulatas e futebol vive um país imenso como o vosso. Não me interesso muito por números, mas ouço que o Brasil fatura menos com turistas do que a pequena ilha de Barbados. 

What a shame! Nossa antiga colônia no Caribe é 17 mil vezes menor do que o Brasil. 

Já me disse Orson Welles durante a filmagem de Cidadão Kane: ‘Miles, se você quer se fazer ouvir, speak loud and clear. Alto e claro: yes, Ariel, pode fazer como Welles. O Brasil merece!” 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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