Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Por que você viaja?

Mr. Miles explica suas razões - e convoca os leitores a contarem por qual razão se tornam viajantes

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 03h40

Secretamente, Mr. Miles foi ao bistrô de uma velha amiga em Avignon para com ela comemorar o fim da azáfama gerada pelas férias escolares de agosto na Europa. Uma comemoração peculiar e contraditória. Nosso correspondente, um defensor aguerrido das liberdades viajoras, brinda à diminuição do número de viajantes em seu caminho. Sua amiga, que vende muito mais pastis quando seu bistrô está cheio, também celebra a queda do faturamento, em troca de um pouco de descanso. 

C’est la vie! 

A seguir, a pergunta da semana:

Querido Mr. Miles: adorei a sua crônica da semana passada, com lindas lições de sabedoria. Concordo que é preciso viajar sem medo sempre que possível. Sugiro que o senhor pergunte aos seus leitores o contrário: por que você viaja? Aposto que vai ouvir ótimas respostas.  

Rebeca Mólnar, por e-mail

Well, my dear: obrigado por suas palavras generosas. Não é por outra razão que escrevo. A sua questão está lançada e – yes, I agree – vou ter uma grande variedade de respostas. Já fiz uma enquete parecida anos atrás e, unfortunately, descobri que uma parcela considerável dos respondentes explicou, sem qualquer emoção, que viaja exclusivamente por motivos práticos. Para trabalhar, para estudar, para visitar amigos, para encontrar namorados ou familiares, para assinar papéis ou se candidatar a heranças. Para fazer tudo, as you see, exceto viajar.

Hoje, unfortunately, os que viajam para fugir dos problemas políticos e econômicos de seus países também já formam um contingente expressivo, mas nem nesses candidatos a emigrantes veem-se embutidos os valores emocionais que deveriam movimentar as pessoas e seus sonhos.

I don’t care, darling. Costumo dizer que, para aprender por que viajar, é preciso viajar. Ou seja: por mais estranho que isso pareça, partir para se apaixonar pelo mundo é apenas o segundo passo – depois do partir propriamente dito.

Aposto, however, que, por trás dessa ladainha de motivos práticos e socialmente aceitáveis, existem emoções e clamores muito mais importantes. Que estranhos tempos esses em que vivemos! Temos vergonha de expressar nossas emoções, pois elas têm o condão de mostrar o que somos na plenitude de nossas convicções, virtudes ou fraquezas. 

Não temos o pejo de exibir nossos cãezinhos nas redes sociais; ficamos felizes em nos alinhar a correntes de pensamento que estão na moda ou que são adequadas, embora isso nos estimule a não aprender, a não pensar ou ter dúvidas. 

Os cachorros, as flores ou as aves que postamos não dizem, nevertheless, nada do que realmente gostaríamos de mostrar, fossem outras as circunstâncias ou outros os tempos. Por que as pessoas viajam? Se lhes fosse permitido responder com liberdade, elas diriam, of course, que o fazem porque o mundo em que vivem se tornou apertado para seus sonhos e expectativas, que o fazem porque é da natureza humana (falo de humanos livres de moléstias) conhecer outros povos, respirar novos ares e sentir outros perfumes – assim como é da natureza dos cães farejar cada pedaço de chão, tornando-se, therefore, os mais argutos e denodados peregrinos olfativos.

Por que viajar? Repito sua questão e tenho o prazer de expô-la a meus leitores. As melhores respostas, garanto, serão publicadas neste mesmo espaço, as soon as possible. Com meus comentários que, espero, possam ao menos não estragá-las. 

Have a nice week!

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM @MRMILESOFICIAL

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