Por terra, água e ar

A viagem para o fim do mundo começa em Punta Arenas. E segue por terra, água e ar, em um roteiro de dez dias. No caminho, geleiras, pinguins, pampas e outras paisagens arrebatadoras, que se sucedem até o ponto mais austral das Américas.

MARINA PAULIQUEVIS , PUNTA ARENAS, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2013 | 02h19

Punta Arenas está localizada na província de Magalhães, no extremo sul do Chile. E é a porta de entrada para desbravar a Patagônia e a Terra do Fogo. Da cidade, partem cruzeiros de exploração, como o Stella Australis, que percorre os canais e fiordes dessa região com paradas em pinguineras, geleiras e o temido Cabo de Hornos - última ponta de terra antes do continente antártico.

Os passageiros desembarcam em Ushuaia, do lado argentino, mas nossa aventura seguiria por terra, rumo a lodges instalados em pontos isolados. O caminho desde Punta Arenas é longo, mas nada cansativo. A estrada contorna montanhas nevadas e cruza pastos onde correm soltos os guanacos, animais da família das lhamas.

Em terra, a pedida é caminhar, descobrindo as particularidades da fauna e da flora. Ou aproveitar os lagos próximos para a pesca de trutas - a Terra do Fogo está entre os melhores pontos do planeta para a prática. E não falta tempo para fazer tudo. De outubro a março, quando as temperaturas estão mais amenas, os dias têm até 19 horas de luz solar.

Tão certa quanto o clima imprevisível - o céu azul ensolarado pode dar lugar à neve em questão de minutos - é a garantia de conforto oferecido nos lodges. Um conforto com boa comida e atendimento atencioso, que faz com que o hóspede se sinta tão em casa a ponto de andar pelas áreas comuns de moletom e meia.

Nesses lugares, nada de telefone, TV e internet. O entretenimento está todo do lado de fora. Segure a ansiedade e deixe para postar as fotos no Instagram quando chegar em casa.

História e cultura. Próximo do Brasil, mas ainda pouco visitado por brasileiros, esse pedaço da Patagônia e da Terra do Fogo quer atrair turistas não só pela natureza selvagem, mas por seus aspectos culturais. Por onde se passa, ouvem-se histórias dos povos indígenas que habitavam o lugar e desapareceram pouco depois da colonização.

A primeira casa feita por não-índios na região foi reconstruída na pequena Porto Williams, anexa a um museu antropológico. Da cidadezinha mais austral do mundo partem caminhadas pela cadeia de montanhas conhecida como Dentes de Navarino, pelo formato nas rochas no topo.

Pelo alto, e avante. Antes mesmo de desembarcar, o turista já sente o impacto da paisagem local. O voo de 3h30 de Santiago a Punta Arenas é uma oportunidade para se impressionar com a beleza de montanhas nevadas e lagos escondidos em meio à Cordilheira dos Andes.

Quando a aeronave começa a descer, surgem lá embaixo os telhados coloridos das casas de Punta Arenas. Já em terra firme, outra marca da cidade é sentida na pele: o vento. Ele é companhia certa nesta viagem, por isso nem pense em dispensar gorro, luvas e cachecol, mesmo que o dia esteja ensolarado.

Não foi a única vez que vimos a Patagônia do alto. O fim da viagem ainda reservaria um voo sobre a Cordilheira Darwin. E surpresas maravilhosas, que você descobre a seguir.

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