Possíveis andanças pelo Brasil

Possíveis andanças pelo Brasil

O homem mais viajado do mundo fala sobre sua visita ao País do verde e amarelo

Mr. Miles, miles@estadao.com.br , O Estado de S.Paulo

02 Março 2010 | 02h28

O caderno Viagem foi fechado antes que chegassem informações atualizadas sobre a anunciada visita do homem mais viajado do mundo ao Brasil. Com inúmeros motivos, a redação conserva um certo ceticismo quanto à possibilidade de mr. Miles finalmente nos dar o prazer de sua visita. Mas há os que o aguardam com entusiasmo. Na próxima semana, mais notícias sobre o tema:

Querido mr. Miles: como sua fã de carteirinha, tenho certeza de que, a essa altura, já terei um autógrafo e uma foto sua, porque vou fazer plantão no Aeroporto de Guarulhos à espera de sua anunciada chegada a São Paulo. Aproveite e traga em sua bagagem um pouco do friozinho europeu porque o calor nessas bandas anda de rachar. Onde o senhor vai ficar hospedado? Alice Vanini, por e-mail

"Well, my dear: muito gentil o seu apreço por minhas modestas colunas, que têm apenas o objetivo de compartilhar os intermináveis prazeres de uma vida de viajante. Se, eventualmente, tivermos mesmo nos encontrado no aeroporto - embora, enquanto escrevo essas linhas, ainda tenha indefinições em minha agenda -, terei prazer em ceder-lhe um autógrafo. Devo dizer, however, que, além de pouca serventia, ele mais se parece com uma garatuja, sem qualquer valor estético.

Quanto à foto, darling, você deve saber que, por motivos ligados a uma experiência sobrenatural que vivi na espanhola cidade de Granada - já relatada nesse espaço -, cultivo a excentricidade de não permiti-las sob qualquer pretexto. E, I"m sorry to say, nem tente fotografar-me com uma teleobjetiva, porque minha mascote Trashie, a pequena raposa das estepes siberianas, foi treinada (à custa de muito single malt) para afugentar abelhudos com lentes em um raio de centenas de metros.

Sobre a hospedagem, felizmente, tenho dois ou três amigos que insistem em receber-me em suas casas e, of course, vou escolher aquele em cuja moradia minha presença cause menos estorvo.     Se eu realmente tiver voltado ao Brasil no momento em que você lê essas linhas, tenho algumas ideias para prolongar minha viagem.

Uma de minhas opções é visitar Serro, em Minas Gerais, onde se produz o melhor queijo daquele Estado. Acho notável que poucos saibam, no Brasil, que esta pequena cidade no caminho de Diamantina (para onde também quero ir, se houver uma vesperata) foi a primeira, em todo o País, tombada pelo Patrimônio Histórico. It"s delightful!

Em Diamantina, onde Juscelino (N. da R.: Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, nascido na cidade mineira) contou-me, certa vez, de seu sonho de criar uma cidade no meio do cerrado (juro que achei que ele havia exagerado na cachaça), a vesperata é um espetáculo musical que ocorre ao ar livre em um pequeno largo no centro colonial. As pessoas acompanham-no das próprias ruas e das sacadas ao redor.

Se ocorresse em Salzburg - garanto-lhe -, custaria uma fortuna e teria fama mundial. No Brasil, unfortunately, é pouco divulgada.

Outra ideia que me ocorre é rever os cânions espetaculares de Aparados da Serra, onde estive, anos atrás, com o bom Mário (N. da R.: Mário Quintana, poeta gaúcho). Ainda não me decidi, dear Alice. Mas essa liberdade de mudar de rumo, como o vento, é outro incomparável prazer de ser um viajante independente. Don"t you agree?"

* Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

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