Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Possível, sim. Fácil? Nem sempre

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Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2017 | 03h00

Dia desses estava em uma viagem curta de avião, quando senti algo me tocar o cotovelo. Achei que o colega da poltrona de trás ia pedir desculpas, mas quando olhei em sua direção percebi que ele nem havia se dado conta. Afinal, era o seu dedão do pé que havia encostado em meu braço desnudo. Como olhar para trás não adiantou, fiz valer meus direitos sobre aquela estreita poltrona e tratei de colocar ali a revista da companhia – mais dura e desconfortável do que meu braço macio.

Conversando com colegas viajantes, tenho percebido que esse tipo de “acidente” vem sendo cada vez mais comum. Mônica Nobrega, que assina a coluna da próxima semana, fotografou certa vez o pé do vizinho desconhecido dormindo confortavelmente sobre seu colo em um voo internacional.

 

Pois é, viajar não é só glamour (especialmente para quem vai na econômica). A combinação pessoas espaçosas + falta de educação + poltronas estreitas + falta de conforto tem criado o fenômeno que chamo de assentos compartilhados. Ou, numa versão menos conformista e mais bélica, a Guerra Fria de Viagem, que consiste em usar recursos variados para lembrar seu vizinho que você está ali. Assim, divido aqui algumas das minhas técnicas de guerrilha.

Muro de travesseiro. Ultimamente, tenho adotado a técnica do travesseiro lateral. Posso dizer com segurança que em pelo menos 80% de minhas viagens, o vizinho de poltrona se esgueira por cima/por baixo do encosto de braço e passa para o meu lado daquele pequeno latifúndio. O travesseiro cria um limite imediato e estabelece desde o começo da viagem a tolerância zero com invasores. 

Mochila limitadora. Raramente coloco a mochila no compartimento de bagagens. Ela vai sob o assento da frente para criar um fronteira visível para os pés. Certa vez, o passageiro da poltrona da frente de um voo interno nos Estados Unidos quis brigar comigo dizendo que aquele espaço pertencia a ele e, portanto, dava-lhe o direito de chutar minha mochila por todo o voo – chamei a comissária de bordo, que deu uma bronca no sujeito. 

Tosse suspeita. Se o colega ao lado continua se espalhando, uma tosse suspeita costuma surtir efeitos de encolhimento imediato. Serve também para afastar os conversadores.

Negociações de paz. Quando nada mais der certo, é hora de entrar com as negociações pacíficas. “Oi, puxa, acho que você não percebeu, mas eu tô sem espaço aqui, dá para chegar um pouquinho para lá?” Sim, é claro que o cara de pau percebeu, mas negociações pacíficas implicam não fazer acusações e ser cordial. Como ele não está preparado para o enfrentamento direto, costuma dar certo. Você pode me perguntar “Ah, mas por que você não começa com as negociações?”. Acredite: não funciona. O argumento será que a pessoa “relou sem querer” e você ficará como o intolerante. É importante que o viajante folgado já esteja ciente de seu comportamento espaçoso e fique constrangido com o educado puxão de orelhas. 

Convoque as autoridades. Quando a situação ficar insustentável, ou para casos de inconveniência extrema, chame os comissários de bordo. 

Nenhuma dessas técnicas é 100% garantida, mas todas, em algum momento, funcionaram comigo. Certa vez, não fiz nada, mas o carma estava a meu favor. Depois de passar todo um voo dividindo meu espaço da frente com a vizinha de poltrona, uma turbulência na hora errada (ou certa?) fez todo meu iogurte matinal cair dentro do sapato dela. Foi sem querer, eu juro (mas eu ri)!

 Para rir um pouco mais, a conta @passengershaming no Instagram reúne imagens de passageiros folgados e situações embaraçosas em voos pelo mundo. E você, já passou por algo similar? Conte pra gente no e-mail acima ou poste no Instagram marcando #viagemestadao na imagem. 

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