Ian Chicharo Gastim/Estadão
Ian Chicharo Gastim/Estadão

Poucos dias em Lisboa? Preparamos um roteiro certeiro

Se você vai aproveitar o stopover do seu voo ou está apenas de passagem pela capital portuguesa, esse artigo é para você

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2018 | 07h00

Encantadora, histórica e barata para os padrões europeus, Lisboa recebe cada vez mais brasileiros. Mas mesmo quem não tem a cidade como destino principal e passa por ela apenas em uma conexão dos voos da TAP também pode curtir a capital portuguesa. A empresa oferece, gratuitamente, o stoopver - isto é, uma parada com direito a um desembarque de até cinco noites - para os clientes que fazem conexão em Lisboa ou na cidade do Porto. 

A ação, fruto de uma iniciativa da companhia aérea para fomentar o turismo no país, reúne mais de 100 parceiros, oferecendo passeios gratuitos e descontos em restaurantes e hotéis. Se você tem poucos dias para aproveitar a cidade, seja em um stopover ou em uma viagem maior por Portugal, vamos apresentar a seguir um roteiro de um final de semana em Lisboa.

Ter apenas três dias de visita pode parecer pouco tempo, mas é suficiente para ver o fundamental da capital portuguesa. Para se ter uma ideia, ela é cerca de 15 vezes menor que São Paulo e tem uma rede de transporte eficiente, o que facilita sua locomoção pela cidade. Vamos lá?

Antes de mais nada: como sair do aeroporto?

O aeroporto de Lisboa fica a menos de 7 km do centro da cidade. Do Humberto Salgado - ou aeroporto da Portela, como é popularmente conhecido - até a estação Baixa-Chiado ou Rossio, que estão na região central, são pouco mais de 30 minutos de metrô e menos de 20 minutos de táxi ou Uber/Cabify, se o trânsito estiver livre. A corrida de táxi custará cerca de 20 euros, mas você pode aproveitar o wi-fi grátis do aeroporto para pedir um carro por algum aplicativo de transporte para te levar ao seu destino, o que vai custar entre 10 e 12 euros, se for na região central.

Se você está com pouca bagagem ou não está tão preocupado com conforto, a saída do aeroporto pelo metrô também é bem simples, utilizando a linha vermelha. No próprio aeroporto, você pode comprar um cartão VIVA Viagem, que custa 0,50 euros, e carregá-lo com no mínimo 3 euros. Aconselho a carregar logo o cartão com 10 euros ou mais, pois o crédito é válido para o metrô, bondes, trens e ônibus. Aliás, lembre-se que os portugueses dão nomes diferentes para estes transportes: metro (metrô), elétricos (bondes), comboios (trens) e autocarros (ônibus).

​Primeiro dia: fique pela região central da cidade

O fato de Lisboa não ser muito grande não significa que você pode perder tempo. Ao desembarcar na capital portuguesa, siga para seu hotel, guarde as malas e já caia na rua. Não se esqueça de colocar um tênis confortável. Lisboa é conhecida como a cidade das sete colinas e, se você quiser andar pela cidade, vai encarar muitas subidas e descidas.

Comece pela Praça do Comércio, também conhecida como Terreiro do Paço, um dos cartões-postais da cidade, localizada à beira do Rio Tejo. Antigo ponto de desembarque de navios, o local, que foi destruído no terremoto de 1755, é um dos símbolos da reconstrução da cidade. Ali, o Marquês de Pombal, então governador da capital, mandou construir uma grande estátua em homenagem ao rei D. José I.

No entorno, há prédio públicos, que hoje funcionam voltados para o turismo, e restaurantes turísticos onde um prato não sai por menos que 15 euros. A vista é bonita e você pode ver as duas pontes que ligam Lisboa à outra margem do Tejo, a Vasco da Gama e a 25 de Abril. Na praça também fica o Arco Triunfal da Rua Augusta, onde se pode subir e ter uma vista 360 graus da cidade, por 2,50 euros.

Seguindo pelos quarteirões fechados aos carros na Rua Augusta você vai passar pelo cruzamento com a rua de Santa Justa, onde poderá ver o famoso Elevador de Santa Justa. Não recomendo subir no elevador, pois existem vistas melhores da cidade que são até gratuitas. Vale a foto da estrutura metálica, construída há mais de 100 anos.

No final da rua, você vai chegar à Praça do Rossio, também conhecida como Praça Dom Pedro IV - o nosso Dom Pedro I - por conta da estátua do imperador, que é uma das mais antigas praças da capital portuguesa. O local está sempre cheio, com turistas e moradores de Lisboa, principalmente no fim da tarde, onde é possível aproveitar um happy hour em algum dos diversos cafés e bares que existem ao redor. Se você estiver perto da hora do almoço, uma boa opção é a Confeitaria Nacional (Praça da Figueira 18B), onde o menu do dia sai por 10,90 euros.

Após comer algo, é hora de conhecer o Governo do Carmo, que é, na verdade, um museu arqueológico com as ruínas de um antigo convento do século 14, que foi destruído durante o terremoto de 1755. A entrada custa 4 euros e é bem rápida a visita - lembre-se só que o local fecha às 18h. Do Rossio até o convento, você vai levar cerca de 10 minutos andando.

Após a visita, siga para o icônico Castelo de São Jorge, que é um ótimo ponto para ver o pôr-do-sol em Lisboa. Você pode pegar o emblemático Eléctrico 28, o bonde que é uma espécie de mascote de Lisboa e passa pelos principais pontos turísticos da cidade, para poupar a íngreme caminhada. A antiga fortaleza foi construída pelos muçulmanos, em meados do século 11, com entrada a 8,50 euros. Andar sem pressa pela fortificação é bem interessante para conhecer um pouco da história da cidade, sem falar da vista do Tejo lá de cima.

Na base do castelo, sugiro uma parada no restaurante de cozinha moçambicana ZambezeComi um delicioso risoto de cogumelos florestais e bebi um copo bem gelado de Super Bock por 20 euros. Não é barato, mas almoçar com uma vista incrível da cidade tem seu preço.

No fim de tarde e noite adentro, explore as ruas do Bairro Alto e do Chiado, onde é possível beber um copo do vinho ou uma cerveja por cerca de 1,50 euros e comer um prato típico português, como bacalhau com nata, por menos de 5 euros. Suba a Rua das Flores e vá até a praça Luís de Camões, onde sempre há muita gente buscando diversão. Para comer sem gastar muito, sugiro a tasca - um restaurante típico português - O Trevo (Praça Luís de Camões, 48). Lá, um bolinho de bacalhau e uma cerveja não vão sair por mais de 3 euros.

Nas ruelas ao redor da praça, localizada no Chiado, não faltam opções de bares e restaurantes. Se você é fã de literatura, não deixe de passar pelo Café A Brasileira (Rua Garrett, 120), onde está a estátua de Fernando Pessoa, que era frequentador assíduo do estabelecimento.

Nas ruelas do Bairro Alto, colado à praça Luís de Camões, estão a maioria das baladas da região e você também pode conferir por ali uma apresentação de fado, a música tradicional de Portugal. Uma boa opção é a tradicional Adega Machado (rua do Norte, 91). Lá, a consumação mínima é de 27 euros por pessoa até 22h30 e de 17 euros a partir de 22h30. Lembre-se só de que as apresentações se encerram às 2h.

Segundo dia: seu cansaço será recompensado

Você deve estar cansado da viagem e da caminhada no dia anterior, mas tente acordar cedo se para visitar a Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara, perto do Panteão Nacional.  Nos moldes do Portobello, em Londres, e do Mercado das Pulgas de Paris, a Feira da Ladra é um mercado popular que funciona nas terças e sábados. Centenas de vendedores negociam de tudo por ali: roupas, livros, antiguidades, utilidades, bugigangas e até sucata. Os vendedores começam a montar suas barracas por volta das 8h e a feira vai até umas 17h, dependendo da época do ano e do tempo - no Verão costuma ir até mais tarde. 

Da feira, ande cerca de cinco minutos até o Panteão Nacional, onde estão enterrados ícones de Portugal, como o navegador Pedro Álvares Cabral, o jogador Eusébio e a cantora Amália Rodrigues. A entrada custa 4 euros e é possível ter uma bela vista da cidade, no topo do edifício.

Após a visita, desça pelas ruas do bairro Alfama sem pressa: a região é aconchegante, parecendo uma cidade do interior, com casinhas e bares, sendo um reduto da tradicional de fado. Outro passeio extra para quem quiser aproveitar mais o bairro é o Museu do Fado. Pequeno e bem montado, o museu conta a história desse estilo musical de forma interativa e, claro, com muita música. Entrada: 5 euros.

Se já estiver com fome, escolha uma tasca pelo bairro para almoçar. É possível comer pratos portugueses e beber uma taça de vinho por menos de 10 euros. Quando terminar de descer as ruas de Alfama, siga rumo ao bairro de Belém. Na Praça do Comércio, pegue o elétrico 15E e salte no Mosteiros dos Jerônimos. Símbolo da cultura portuguesa, o mosteiro abriga túmulos de figuras históricas do País, como Vasco da Gama, Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa. A entrada custa 10 euros.

A cerca de 1 km do mosteiro, o Estádio do Restelo, do pequeno Belenenses, também pode valer uma visita, mesmo se você não for fã de futebol. Longe do glamour do Estádio da Luz, do tradicional Benfica, o Restelo é um estádio simpático, daqueles de clube de bairro, construído numa encosta, onde é possível ter uma bela vista do Rio Tejo. Vale a visita na área externa, que, aliás, é gratuita.

Ali também está a Torre de Belém, cartão-postal português. Construída estrategicamente na margem norte do Rio Tejo, entre 1514 e 1520, para defesa da cidade, a torre é uma das joias da arquitetura do reinado de D. Manuel I. A entrada custa 6 euros.

Saindo dali, rume para o Padrão dos Descobrimento, um monumento grandioso às margens do Tejo, construído para comemorar conquistas da navegação portuguesa. A entrada custa 5 euros e é possível subir até o terraço. Mas caso você não queira pagar, a vista dali de baixo, do rio e das pontes, também é linda e você ainda pode passear pela enorme rosa-dos-ventos de mármore, cravada no chão da praça.

A cerca de 750 metros do Padrão, está a tradicional fábrica dos Pastéis de Belém (R. Belém 84-92). O doce feito com massa folhada e recheio de gema de ovo, açúcar e leite é irresistível e chega à mesa quentinho. A unidade custa 1,10 euros. Mas por quê é preciso comer o doce deste lugar? É simples, lá é onde é feito o doce "original", que seria feito, até hoje, com a receita do Mosteiro dos Jerônimos. Para você ter uma ideia do quão especial ele é, no resto da cidade, o nome é outro: pastel de nata.

Antes de sair de Belém, você tem algumas paradas extras para poder fazer. O museu de arte contemporânea de Lisboa, o MAAT, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, (Av. Brasília, Central Tejo 1300-598), localizado às margens do Tejo, com entrada a 5 euros, é uma opção. Agora se você curte cultura urbana, ou deseja beber uma cerveja e comer algo em um ambiente hipster, não deixe de fazer uma visita a LX Factory (R. Rodrigues de Faria 103, 1300), antiga fábrica transformada em espaço de cultura, lazer e gastronomia. Os preços não são baratos, um jantar com bebidas pode sair por volta de 15 euros, mas o ambiente compensa a visita. Para chegar lá será preciso pegar um ônibus ou trem, partindo de Belém até Alcântara-Mar. A pé, são 25 a 30 minutos. 

No final do dia, siga para a região revitalizada do Cais do Sodré. Por ali, há dois pontos interessantes para serem visitados à noite. Bem em frente à estação de trem, está o Mercado da Ribeira (Av. 24 de Julho, 1200), um espaço gastronômico renovado, com restaurantes e uma grande praça de alimentação com mesas conjuntas. Apesar dos preços não serem tão baratos - uma fatia de pizza custa cerca de 6 euros e a cerveja, 2,5 euros -, vale a visita.

Se ainda estiver no pique, você pode subir pela Rua do Alecrim e escolher algum dos bares no caminho para uma cervejinha. Destaco a Pensão do Amor (R. do Alecrim 19), um antigo bordel que hoje funciona como um divertido bar e espaço de espetáculos. Outro ponto que vale uma visita é a rua Nova do Carvalho, uma das principais da área, que se transformou na rua Cor-de-Rosa, fechada ao trânsito de carros e que tem o asfalto pintado em parte de sua extensão. Há uma série de bares, num clima parecido com o da Rua Augusta, em São Paulo. Beber uma cerveja por ali custa entre 1,50 euro a 2,50 euros. Certamente vale uma parada.

Terceiro dia: tente sair de Lisboa!

O seu último dia em Lisboa vai depender de quanto tempo você vai ter na cidade. Caso você só tenha uma manhã livre, sugiro ir até algum parque gratuito na cidade ou visitar o Oceanário. Como o preço do oceanário é um pouco salgado (16,20 euros), talvez você prefira mesmo optar pelos parques.

Comece o dia com uma passada rápida no miradouro do Parque Eduardo VII, onde se encontra hasteada a maior bandeira de Portugal, que tem 240 m². Localizado no extremo norte da Avenida Liberdade, este é o maior parque da cidade, com cerca de 25 hectares. A estação de metrô mais próxima é a Parque, na linha azul, que fica a menos de 10 minutos do miradouro. Mas é tranquilo ir de ônibus também - use o 746. Se não houver nevoeiro, você vai conseguir ver o castelo de S. Jorge, o bairro da Baixa e, é claro, o Rio Tejo.

Após a visita ao miradouro, que tal visitar os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian? Trata-se de um dos jardins mais emblemáticos do movimento moderno em Portugal e uma referência para a arquitetura paisagista portuguesa. A caminhada leva menos de 15 minutos e você não vai encontrar nenhuma grande subida até a entrada pela rua Doutor Nicolau Bettencourt. Descubra ali um grande espaço verde, com lago, riachos e trilhas labirínticas entre árvores, onde você pode se perder à vontade, em meio à uma flora diversificada e diversos tipos de pássaros.

Caso você tenha mais que uma manhã, que tal seguir a Sintra ou a Cascais, na Grande Lisboa?  Patrimônio Mundial da Unesco, a vila de Sintra fica entre a encosta da serra que leva o seu nome e o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental do continente europeu. Pegue o trem a estação Rossio, por 4,40 euros, ida e volta. O trajeto vai levar cerca de 40 minutos. Chegando lá, percorra as ruelas estreitas da cidade, com direito a uma parada na A Piriquita, tradicional loja de doces portugueses. Ela é famosa por seus travesseiros, um doce feito de massa folhada recheado com creme de amêndoas (1,40 euro). Prove também as deliciosas queijadinhas (o pacote com seis custa 4,50 euros).

Entre as principais atrações da cidade está a Quinta da Regaleira, uma construção histórica com luxuosos jardins onde é possível passar uma tarde inteira andando por grutas e trilhas, com direito a visitar a Torre Invertida, uma construção em espiral que desce 27 metros para dentro da terra. A entrada custa 6 euros. Outro ponto de interesse é o Castelo dos Mouros, uma fortificação em ruínas, com vista privilegiada, em um penhasco na costa atlântica da serra de Sintra. A entrada custa 7,50 euros e é preciso pegar o ônibus turístico 434 (5 euros).

Caso seja verão, você pode trocar Sintra por Cascais. Nesse caso, pegue o trem na estação do Cais do Sodré pelos mesmos 4,40 euros. A viagem  dura 35 minutos. Vá direto ao Largo de Camões, um dos lugares mais animados da vila, onde se encontram bares, cafés e restaurantes.

Mas o passeio imperdível em Cascais, para mim, é a Boca do Inferno. Do centro da cidade, são cerca de 20 minutos de uma agradável caminhada até o local, um penhasco cheio de grutas e rachaduras provocadas pela erosão da água do mar e da chuva. Vale demais a visita para contemplar - e escutar - as ondas baterem e poder observar a imensidão do Oceano Atlântico.

É válido lembrar que o stopover da TAP, por meio do aplicativo no celular, oferece um passeio com 25% de desconto de van por Cascais e Sintra. É tudo bem rápido, mas dá para conhecer pontos turísticos como a Boca do Inferno e o centro de Sintra em uma manhã, caso você não tenha muito tempo para gastar.

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