Fábio Vendrame/AE - 24/6/2003
Fábio Vendrame/AE - 24/6/2003

Praias e uma pitada de vida selvagem

Moçambique aposta nesse mix e na Copa de 2010 para atrair turistas

Daniel Brito, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2009 | 02h26

O primeiro feixe de luz irrompe na escuridão do Oceano Índico pouco depois das 6 horas. Um a um, os raios vão colorindo o céu, até que a bola amarela disforme surge em meio às ondas. Uma nuvem fina e extensa passeia despreocupadamente entre o mar e a linha do horizonte, dando contornos engraçados ao sol de Moçambique.

Os raios agora refletem na água. Por bons minutos é difícil distinguir céu e mar. Mas, por volta das 7 horas, o sol invade com a mesma intensidade todo o país e ilumina essa joia na costa leste da África, que por muito tempo ficou escondida.

Moçambique, uma ex-colônia de Portugal, só conquistou a independência em 1975. Depois disso, enfrentou uma guerra civil que durou 17 anos, o que atrasou muito seu desenvolvimento turístico. Como os raios de sol que o revelam aos pouquinhos, o país quer conquistar cada vez mais espaço no roteiro de viagem de europeus, americanos, australianos e - por que não? - brasileiros.

 

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No centro do país, reservas ambientais oferecem safáris, para delírio dos turistas. Inclusive o famoso Kruger Park, que começa na vizinha África do Sul e ultrapassa a fronteira.

Mas é mesmo no litoral que está o diferencial turístico. São 2,5 mil quilômetros de praias paradisíacas e desertas. Da espetacular Península de Pemba e sua arquitetura colonial até a praia do Tofo, em Inhambane, a 500 quilômetros da capital Maputo. Sem falar do arquipélago de Bazaruto, composto por cinco ilhas, das quais apenas duas são povoadas. O acesso, os serviços e os preços, é verdade, não são muito convidativos. A passagem de barco de pesca para a ilha pode custar até US$ 60 (R$ 110) e a diária em um resort de luxo, cerca de US$ 500 (R$ 915).

 

NO LITORAL - Águas cristalinas e bons ventos trazem surfistas e praticantes de kite

SELEÇÃO BRASILEIRA

Bazaruto, Pemba e Tofo são alguns dos trunfos do governo moçambicano para pegar carona na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e atrair uma quantidade mais expressiva de visitantes - atualmente, o total é de 1,3 milhão de turistas por ano. O país também gostaria de ser a casa da seleção brasileira na preparação para o Mundial. Essa decisão, porém, compete à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que escolhe as concentrações com critérios que vão além de praias paradisíacas e povo hospitaleiro.

A verdade é que Moçambique ainda sofre com a falta de estrutura. O país tem hoje apenas 17 mil vagas em hotéis, muitas de qualidade duvidosa. É preciso pensar no sistema de compensação: as belezas naturais superam tais deficiências.

Tampouco é fácil chegar a Maputo. A LAM, companhia aérea de Moçambique, é superinflacionada: a passagem de ida e volta para Johannesburgo custa aproximadamente R$ 200, mas são mais R$ 300 ou R$ 400 em taxas injustificáveis, apresentadas na forma de siglas.

 

NA CAPITAL - O mercado municipal vale a parada: bacias de lagostas e camarões a preços baixos

De todo modo, Maputo é a porta de Moçambique. Antes de seguir viagem para o litoral, passe algumas horas ali para ver as casinhas de arquitetura colonial portuguesa e enlouquecer com o trânsito de carros velhos - embora as propagandas pelas paredes exibam apenas automóveis importados. O mercado de peixes da capital também vale a parada: é possível comprar bacias de lagostas e camarões por preços inacreditavelmente baixos.

Até hoje, Moçambique sobrevive com a ajuda financeira internacional. Mas agora tenta se reerguer apostando no turismo, uma luz para a economia local. Tão intensa quanto o sol que nasce no horizonte do Oceano Índico.

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA

linkA colonização portuguesa não é um assunto muito apreciado pelos moçambicanos. Após séculos de presença, os europeus saíram do país da noite para o dia, segundo eles. Mas deixaram como herança o idioma, a religião católica, a arquitetura e algumas pitadas gastronômicas.

linkTalvez por também termos herdado traços lusitanos, nós, brasileiros, somos adorados em Moçambique. Muitos nem sabem onde fica o Brasil no mapa - o que é aceitável, já que a recíproca pode ser verdadeira-, mas narram os últimos capítulos das novelas globais e escalam a seleção brasileira.

linkAlém da Globo, eles assistem à TV Miramar, que transmite a programação da Record. A emissora, aliás, foi alvo de polêmica recentemente, por causa do policial Cidade Alerta. Segundo as autoridades moçambicanas, crimes praticados no Brasil, como sequestro relâmpago e trote no celular, estavam inspirando criminosos em Maputo e outras cidades. O programa foi tirado do ar.

linkO futebol brasileiro é venerado. Como o último jogador de qualidade surgido em Moçambique foi Eusébio, que defendeu Portugal há quatro décadas, os africanos transferem sua fé para a seleção brasileira. Na Copa das Confederações, na África do Sul, em junho, os jogos do time de Dunga eram sempre motivo de festa.

linkCurioso é que eles veem o campeonato português e torcem para Benfica, Sporting e Porto.

COMO IR

PASSAGEM AÉREA

SP-Johannesburgo-SP por US$ 1.058 na South African (0--11-3065-5115). Ida e volta até Maputo custa 2.962 rands (R$ 680) com a LAM (www.lam.co.mz)

PACOTES*

linkUS$ 3.312: 6 noites. Johannesburgo, Kruger Park, Cidade do Cabo e Pemba. Soft Travel (0--11-3017-9999)

linkUS$ 3.520: 8 noites. Inhambane e Johannesburgo. Freeway (0--11-5088-0999)

linkUS$ 4.400: 8 noites. Cidade do Cabo, Sun City e Moçambique. Tereza Ferrari (0--11-3021-1699)

linkUS$ 4.765: 8 noites. Johannesburgo, Pemba e Matemo. Kangaroo (0--11-3066-0266)

linkUS$ 4.800: 17 noites entre Inhambane, Johannesburgo, Kapama e Cidade do Cabo. Judy (0--11-5522-1146)

linkUS$ 5.000: 7 noites entre Maputo e Bazaruto. Abreutur (0--11-3702-1840)

linkUS$ 5.640: 10 noites. Sun City, Cidade do Cabo, Bazaruto. Queensberry (0--11-3217-7100)

linkUS$ 6.660: 10 noites. Cidade do Cabo, Kruger Park, Johannesburgo e Bazaruto. Friends in the World (0--11-3894-9403)

*Por pessoa em quarto duplo, com aéreo, café e passeios

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