Prazeres da ensolarada Toscana

Aromas, sabores e histórias de uma região que parece existir para mostrar o lado simples e delicioso da vida

Natália Zonta, de O Estado de S. Paulo, e Marcia Glogowski, especial para O Estado,

07 Abril 2009 | 02h47

Depois de abocanhar um açucarado biscoito cavallucci descobre-se que é preciso pouco para ser feliz na Toscana. Sem exageros. Um pacote do tradicional doce e alguns dias de sol nesse pedaço tão especial da Itália têm o poder de curar males, apagar frustrações e transformar atos corriqueiros em instantes inesquecíveis.

 

Na Piazza del Campo, sente-se no chão para admirar o Palazzo Pubblico e a Torre del Mangia

Tudo na Toscana parece existir para proporcionar tranquilidade e prazer. Prove a culinária simples da região, fartamente regada com o azeite local, e aproveite o vinho até a última gota de sangiovese. E depois perca-se olhando o verde das montanhas no horizonte.

 

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Nos meses de abril e maio - sem o calor do verão ou o insuportavelmente gélido vento do inverno - essas sensações se intensificam. Como a maioria dos turistas ainda não chegou, trazendo a típica agitação da alta temporada, os dias ficam mais longos entre as construções históricas de Siena e de Florença, a riquíssima capital da Toscana. As pequenas Pisa, Grosseto e San Gimignano, por sua vez, enfeitam a paisagem com torres centenárias no horizonte e muralhas ao longe.

 

A hipnotizante geografia da região obriga o turista a se planejar. Apesar de próximas, as cidades são separadas por vales e colinas. Um caminho estreito e sinuoso que requer calma - para você poder apreciar melhor a paisagem sem o risco de derrapar nas curvas.

Siena, com encantos mais sutis que a vizinha e antiga rival Florença, proporciona um razoável resumo da Toscana. Boa culinária, festivais e prédios medievais. Está tudo lá. Só que com menos burburinho nas ruas. Mesmo em épocas disputadas pelos turistas, a Piazza del Campo mantém uma calma abençoada. Faça como todos por lá: sente-se no chão para conferir cada detalhe do Palazzo Pubblico e da Torre del Mangia, bem ao lado.

Na sequência, aventure-se pelo novelo de ruas que cerca a praça, sempre tendo a incrível Duomo como referência. Inaugurada em 1182, a catedral segue o estilo gótico-romano e surpreende também em seu interior. Atente para os pilares com listras de mármore preto e branco e para o teto, pintado de azul e salpicado de estrelas.

NOVOS ÂNGULOS

Ao deixar a Duomo, ande sem rumo pelas vielas e descubra sozinho os segredos de Siena. Pode ser um café bonitinho em um beco sem nenhum outro grande atrativo. Ou dois pares de ruas comerciais cheias de vida. Ou, ainda, lojas de quitutes únicos, como a Antica Drogheria Manganelli. Por lá, a melhor pedida atende pelo nome de biscoito cavallucci (o pacote de meio quilo custa 6,50 ou cerca de R$ 19). Essa delícia tradicional, feita de farinha, açúcar, essência de laranja e nozes, vai dar mais ânimo à sua caminhada.

Se tiver exagerado nas andanças, tome as escadas rolantes que levam moradores e visitantes até o centro da cidade. São cinco lances morro acima, sem nenhum esforço extra. E escolha um dos restaurantes da praça principal para saborear uma massa - com sorte, acompanhada por goles de Brunello di Montalcino. Você terá aí a essência de Siena. E uma merecida síntese da Toscana.

 

COMPETIÇÃO À MODA ANTIGA

Ninguém se arrisca a dizer exatamente quando o festival começou. Mas um detalhe simples assim não poderia tirar do Palio de Siena o título de principal comemoração da Toscana. Entre 2 de julho e 16 de agosto, cavaleiros com roupas medievais levam suas montarias à Piazza del Campo e protagonizam disputas de velocidade e valentia.

Alguns acreditam que o primeiro Palio tenha ocorrido em 1656. Mas outros juram que uma competição parecida já era realizada desde 1283. Divergências à parte, a festa celebra a aparição da Virgem Maria no vilarejo pertencente a Provenzano Salvani, um nobre local. Hoje, costuma-se dizer que o evento homenageia a Madonna di Provenzano.

O festival é acompanhado por uma multidão e tem regras claras. Dezessete contradas (distritos que correspondem às paróquias de Siena) participam da disputa - algumas têm nomes curiosos, como Selva, Onda, Pantera e Drago. Os cavalos são escolhidos por sorteio e depois benzidos na igreja. Cada corrida dura apenas 90 segundos e o vencedor ganha um palio (bandeira) colorido. Site: www.ilpalio.org.

 

CARRO OU TREM

Se você quiser incluir no roteiro apenas as principais localidades da Toscana, a falta de um carro não será problema. Trens modernos levam os visitantes de Roma até Florença, Siena ou Pisa. E também fazem a ligação entre as cidades. Partindo da capital italiana, por exemplo, a viagem para Florença tem duração de três horas e custa 15,85 (cerca de R$ 47). De lá, os vagões seguem para Siena, Pisa e Arezzo, entre outras localidades, com bilhetes a partir de 5 (R$ 15).

Quem deseja visitar vilarejos perdidos nas montanhas, por sua vez, não tem como escapar dos estandes das locadoras de veículos. Isso porque algumas cidades da região têm acesso bastante complicado, com poucas opções de ônibus em horários restritos.

Uma semana de aluguel de um carro básico, com quilometragem livre e seguro, custa cerca de

250 (R$ 750), no aeroporto de Roma. A capital da Itália fica a 200 quilômetros da Toscana, aproximadamente.

linkMais informações: www.comune.siena.it/turismo

Domo: Piazza del Dumo

Antica Drogheria Manganelli: Via di Città 71-73

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