Armando Fávaro/Estadão
Armando Fávaro/Estadão

Mistérios do lugar onde foi encontrado o sapato mais velho do mundo

Já perto do Irã, fica a região mais montanhosa da Armênia, onde foi descoberto um calçado de 5.500 anos e o mais longo teleférico

Renata Tranches / Texto, Armando Fávaro / Fotos, O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2015 | 13h27

TATEV - Vegetação e solo mudam sensivelmente em direção ao sul, à medida em que nos aproximamos da fronteira com o Irã, na região mais montanhosa da Armênia. Construídas com as pedras específicas de suas regiões, as paredes dos monastérios e igrejas são o retrato dessa mudança.

A 120 quilômetros da capital Erivan está o belo mosteiro de Noravank. Chegar até lá inclui cruzar a estrada em meio a um cânion, uma paisagem de tirar o fôlego onde mochileiros viajam a pé para melhor admirar o cenário. É nesse caminho que fica a gruta de Areni, onde foi encontrado o sapato mais antigo de que se tem notícia. Feito de couro, sua autenticidade e antiguidade – 5.500 anos – foram comprovadas por testes feitos em respeitadas universidades do mundo. Hoje, o calçado está exposto no Museu Nacional de História, em Erivan.

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Na mesma gruta, pesquisadores descobriram outros raros e ricos indícios de como viviam os homens daquela época. Caso do complexo sistema de fabricação de vinho, com seus tonéis incrivelmente preservados sob o solo da gruta. Testes em um tipo selvagem de uva fossilizado encontrado nesses vasos mostraram a semelhança com a típica fruta cultivada na região, a areni. Os pesquisadores acreditam que não acharam nem 20% do que pode ser escavado por ali, deixando a esperança de que muitos tesouros arqueológicos capazes de elucidar pontos da história humana ainda podem ser encontrados no lugar. 

As paredes avermelhadas das edificações em Noravank remontam aos séculos 13 e 14 e se confundem com os paredões da garganta rochosa onde estão localizadas. Na construção do monastério trabalharam arquitetos importantes da Armênia medieval, como Siranes e Momik.

No centro do complexo está a igreja de Santa Astvatsatsin (Mãe de Deus), de dois andares. Para se chegar ao superior, é preciso coragem para encarar a estreita escada de 15 íngremes degraus, que leva a um amplo e iluminado salão, contrastando com as construções escuras de outras igrejas armênias.

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Universidade. Saindo da região de Vayots Dzor e seguindo por um trecho da antiga Rota da Seda, antes da fronteira com o Irã, a próxima e última etapa é a montanhosa região de Syunik, a 280 quilômetros da capital. A estrada tem importância fundamental para a Armênia por ser a ligação com o Irã, o que não descarta a necessidade de pausas não planejadas no caminho para dar passagem a tranquilos rebanhos de ovelhas e vacas, que passam sem pressa.

A principal atração é Tatev, monastério que começou a ser construído no século 4.º e se transformou em um importante centro de ensino – nos séculos 14 e 15, funcionou ali a sede da Universidade de Tatev, a mais importante da Armênia medieval. O monastério foi erguido à beira de um penhasco e a construção mais antiga conservada até hoje é a belíssima catedral de São Paulo e São Pedro, erguida entre 895 e 906. 

Para chegar até lá, em 2010 foi inaugurado o teleférico Wings of Tatev, considerado pelo Guinness Book o mais longo do mundo sem paradas. São 5.750 metros sobre as montanhas percorridos em uma impressionante viagem de 12 minutos.

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Os jornalistas viajaram a convite do governo da Armênia.

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