'Preço da ilha' aparece em restaurantes e pousadas

A chegada da Econoronha abriu os horizontes de muitos empresários da ilha. Se no passado tudo era de improviso, agora eles querem profissionalizar os serviços oferecidos aos turistas.

FERNANDO DE NORONHA, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2013 | 02h12

As pousadas domiciliares, que há anos hospedam visitantes em espaços simples e muito confortáveis, passaram a ser classificadas. Não se trata de estrelas, pois elas não se enquadram nos padrões tradicionais, já que lhes faltam alguns serviços considerados básicos, como estacionamento. Por isso, os empresários criaram uma referência específica, que vai de 1 a 3 golfinhos.

As hospedagens mais disputadas, como a do Zé Maria e a Maravilha, são 3 golfinhos - e seus preços equivalem aos de um hotel cinco-estrelas. A diária de um apartamento simples para duas pessoas, na baixa temporada, não sai por menos de R$ 688. Na alta temporada, R$ 838. O bangalô pode chegar a R$ 2.008, na baixa, e a R$ 2.418, na alta.

No Zé Maria, os bangalôs especiais têm 80 metros quadrados, são equipados com TV de LCD, ar-condicionado e banheira com hidromassagem, além de terem uma ampla varanda.

As pousadas de 1 golfinho custam em torno de R$ 300 e têm ar-condicionado, TV a cabo e banheiro. Uma diária nas intermediárias sai por cerca de R$ 500, com café da manhã. Algumas, como a Beco de Noronha, inovam e oferecem também café da tarde em dias específicos. No total, existem hoje no arquipélago 104 pousadas e 1.300 leitos.

Bom de prato. Outro chamariz de Noronha é a gastronomia. Os restaurantes, como os hotéis, carregam o "preço ilha", bem mais salgado, mas apresentam qualidade altíssima.

O Palhoça da Colina é bem exótico. Como as mesinhas são baixas, em estilo japonês, o turista se senta no chão, em meio a dezenas de almofadas coloridas. A iluminação é feita apenas com velas espalhadas sobre as mesas.

Por R$ 100, os visitantes saboreiam uma sequência equilibrada com saladas verdes, frutas, banana assada, batatas, lagosta e camarão. O prato principal é o ponto alto da noite: um peixe assado na folha de bananeira, servido pelo próprio dono do restaurante.

No Ekologikus o ambiente é mais despojado e a comida, deliciosa. Cada pessoa paga R$ 120 e pode comer frutos do mar à vontade. A especialidade é a lagosta.

No Varanda, além da comida memorável, o visual chama atenção. O restaurante tem vista para a Praia da Conceição. Ali, o ideal é reservar um horário para o almoço. Os protagonistas são o bobó de lagosta e o gratinado de frutos do mar. Um prato para dois sai na média por R$ 120.

Às quartas-feiras e aos sábados, a Pousada do Zé Maria promove um concorrido festival gastronômico. Nessas ocasiões há mais de 40 opções, desde paella e bobó de camarão a sabores típicos do Nordeste, como carne de sol e queijo coalho. Tudo escoltado pela famosa farofa de pão velho, quase uma lenda na região.

Antes de os turistas se servirem, o próprio Zé Maria apresenta, ao lado da chef, todos os pratos. A aparência da comida, colorida e apetitosa, faz brilhar os olhos dos visitantes.

Quem tem a chance de curtir esse momento deve se lembrar de reservar um (bom) espaço para a sobremesa. São 20 tipos de bolos, pudins, pavês, sorvetes... Simplesmente irresistível.

Para participar dessa experiência gastronômica, contudo, é preciso estar esperto. Garanta reservar com antecedência, pois sempre há fila de espera no restaurante, localizado na própria pousada. O custo é de R$ 150 por pessoa, compensado a cada garfada.

Para curtir o pôr do sol, ver e ser visto, o restaurante Mergulhão, na Praia do Porto, é o lugar. Tem ambiente descolado, drinques coloridos, petiscos refinados e vista inspiradora do Morro do Pico ao entardecer. / R.P. e C.A.

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