Prepare corpo e alma para Mikonos

A mais cosmopolita, a mais liberal, a que tem praias de cair o queixo. Acredite: toda essa fama é justificada

Carla Miranda, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2008 | 03h08

O novelo de ruazinhas da capital, Chora, e as festas ininterruptas em Super Paradise estão no páreo. Tal como os moinhos na ponta leste de Mikonos e a sagrada Ilha de Delos, ali pertinho. Mesmo assim, Kristos, Jorge e Marcos tentam - e conseguem - longos minutos da atenção do turista nessa apaixonante porção de terra no meio do Mar Egeu. Basta um barco ou um navio se aproximar do porto para os três pelicanos se colocarem à disposição dos flashes, numa exibição só. Andam por todos os lugares e são paparicados à exaustão. Tanto por eles próprios quanto em memória de Petros, a ave original, que surgiu na ilha na década de 1960. Fugido não se sabe de onde, o pelicano acabou sendo adotado por pescadores e moradores. E adorado a tal ponto que, depois de sua morte, Mikonos decidiu que não poderia mais viver sem os engraçados animais. Sorte de Kristos, Jorge e Marcos, os mascotes substitutos e absolutos nesse trecho de 85 quilômetros quadrados e pouco mais de 9 mil almas. LIBERAL Excentricidade permitida à mais cosmopolita das Ilhas Gregas, que também leva a fama de ser a mais baladeira, a mais gay friendly, a que tem o maior número de praias incríveis e por aí vai. Fama justificada, basta pisar lá para ver. No quesito mitologia e história tampouco há do que reclamar. Dizem que sob o granito que cobre grande parte da ilha estão os gigantes vencidos por Hércules (sim, aquele infeliz que teve 11 trabalhos a mais que você). Já o nome da ilha seria uma homenagem a Mikonos, príncipe de Delos, que na intrincada genealogia dos deuses viria a ser neto de Apolo com uma ninfa. Entendeu? Se não, fique com a versão menos complexa e mais plausível: mikonos significa ''massa de pedra''. Fenícios, romanos, otomanos e, por último, venezianos estiveram na ilha, descoberta na década de 30 pelos ricos e famosos do continente europeu. De lá para cá, a fama de point só aumentou e, a cada verão, hordas festeiras invadem essa porção liberal da Grécia, onde quase tudo é permitido. De nadar pelado a beijos homossexuais. O trecho mais baladeiro fica no sudoeste da ilha, entre as Praias Paradise e Super Paradise. Por lá, a festa começa com o café da manhã ainda no estômago e segue madrugada adentro, com direito a beldades dançando nas mesas dos bares. As duas têm ampla infra-estrutura e você pode chegar lá em barquinhos que partem da Praia de Platys Giálos, a 3 quilômetros de Chora, reduto das famílias. Lotada desde o tempo dos hippies cabeludões, Paradise também reúne a turma dos esportes aquáticos e dos que gostam de camping, enquanto em Super Paradise ficam os jovens (e os que sentem assim), interessados nas festas que ocorrem na areia, ao som de DJs famosos. O público GLS - Mikonos é um dos destinos mais cobiçados - se encantou com Elia, última parada dos barcos que fazem o transfer a partir de Platys Giálos. Os naturistas também ficam por lá ou em Ágios Sostis. Quem tem braços fortes pode alugar um caiaque e ir parando em cada uma dessas faixas de areias douradas e águas de um azul insano. Praia e pôr-do-sol formam uma dupla dinâmica, mas dizem que em Mikonos o melhor lugar para dar adeus ao dia é na colorida Little Venice, onde as casas têm varandas debruçadas sobre o mar. Escolha um dos bares com vista para a praia e só lembre do relógio para notar que, nesta época do ano, o dia é longuíssimo, com sol até as 21 horas. FACADA Na seqüência, hora de vasculhar as muitas lojas de Chora, onde qualquer lembrancinha tira da sua carteira 5 (R$ 12,58). Petros e os moinhos reaparecem em imãs de geladeira, chaveiros e camisetas - e as vitrines de jóias parecem persegui-lo. Se você chegou até Mikonos de transatlântico, submeta-se ao brilho do ouro. Caso contrário, fique com aneizinhos de prata, feito por designers locais, que custam em torno de 35 (R$ 88). Para beliscar delícias típicas, siga até a taverna Opa (Goumenio Square), que serve um selecionado de tapas por 14 ou R$ R$ 35,21 (moussaka, pastinhas, queijo assado...). E recomece a balada na Skandinavian Bar and Disco (www.skandinavianbar.com), uma das mais tradicionais noitadas da ilha. Depois, é só voltar para o hotel - ou para a praia.

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