Preservar, a principal atração dos parques

Ecologicamente corretos, Xel-há e Xcaret têm golfinhos, shows, história...

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2008 | 03h12

Os maias nunca se preocuparam em dar nome ao pequeno curso de água doce a 8 quilômetros de Tulum. Tiveram o cuidado, no entanto, de batizar o ponto onde sua correnteza muito transparente encontra o Mar do Caribe: xel-há, água mista, hoje endereço de um bem cuidado parque onde todas as atrações se concentram justamente ao redor de El Río. O parque Xel-há investe em preservação ambiental como mote para atrair turistas. Mal passa da entrada, o visitante recebe envelopinhos de protetor solar biodegradável. Não há mapas individuais para evitar consumo de papel e todos se orientam por painéis ilustrados. Não que seja assim tão difícil se deslocar pelo parque. As alamedas são pavimentadas e bem marcadas. Basta seguir adiante. O piscinão dos golfinhos aparece primeiro. Se a idéia for apenas assistir às acrobacias, basta se acomodar em uma rede na área de descanso em frente e esperar pelo próximo show. Caso queira nadar com os animais, o visitante precisa desembolsar a partir de US$ 99 (R$ 238). O passo seguinte depende do interesse. Há pontes, trilhas na mata, flutuação com bóia, natação com snorkel... A atividade, em geral, só termina quando o visitante é vencido pelo cansaço. Ou pela fome. Nessa hora, o parque não decepciona. Que ninguém espere encontrar comida requintada, mas o bufê alimenta faixas etárias e paladares distintos. Há desde apimentadas iguarias mexicanas até espaguete com molho vermelho e batata frita. O almoço e as bebidas estão incluídos no ingresso. CULTURA O Xcaret é um parque quase igual ao Xel-há. Também faz da água espaço de lazer. Também aposta em educação ambiental, com projeto de reprodução de tartarugas-marinhas e estufas de cogumelos e orquídeas. Tudo visto em passeios guiados por pessoal bem treinado. Mas o Xcaret (pequeno canal) também é diferente. Abre espaço para as culturas do povo maia e de todos os mexicanos. Arquitetura, rituais e shows tentam explicar ao visitante um pouco de história e do modo de vida do período pré-hispânico. É uma ambição e tanto e, em muitas atrações, o parque consegue mesmo oferecer boas pílulas de cultura nacional. É o caso do show dos Voadores de Papantla (leia mais abaixo) e do Cemitério Mexicano, réplica com 365 túmulos distribuídos em 7 níveis. As sepulturas em tamanho reduzido foram copiadas de fotografias tiradas em cemitérios do país inteiro. Até rostos e epitáfios estão lá. No ponto mais alto do parque fica a Capela de São Francisco de Assis, espécie de quiosque com altar e bancos de madeira. Uma graça e o turista ainda pode se casar ali, desde que tenha reservado a cerimônia. A vista é linda, com a ilha de Cozumel no horizonte. A partir das 18 horas tem início um espetáculo grandioso em pirotecnia e menos vistoso em significado. Tambores de madeira soam pelo parque, convidando o público a tomar lugar no anfiteatro Gran Tlachco. O show começa com uma partida de pok ta pok, um jogo pré-hispânico com tacos e uma bola em chamas, e segue com danças e canções folclóricas de vários Estados mexicanos. Mais de cem atores se revezam por cerca de três horas na arena central - e arrancam do público, em igual medida, aplausos entusiasmados e bocejos impacientes. Em tempo: fuja de excursões para os dois parques no mesmo dia. Ambos são enormes, têm programação para um dia inteiro e, acima de tudo, cansam bastante. Xel-há: www.xelha.com; entrada a US$ 75 (R$ 181), com refeição, bebidas e equipamentos Xcaret: www.xcaret.com; ingresso a US$ 69 (R$ 166)

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