Principal estação de trem resume a alma de Zurique

Dificilmente um roteiro planejado por Zurique terá furos. Tudo ali inspira perfeição. Claro, isso pode irritar sua improvisada latinidade, mas não demora dois segundos e três décimos para você ajustar seus ponteiros ao lugar.

MÔNICA MANIR , ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h09

A adaptação começa pelo trem que deve levá-lo do aeroporto à Estação Central. Se está escrito que sairá às 13h02, assim será. O horário quebrado pode dar a impressão de que haverá um chorinho até a hora cheia. Engano. Com o ingresso devidamente validado, acerte o passo para a plataforma, onde há poucos lugares para sentar. Mas pelo menos você saberá - por meio de um luminoso - por quanto tempo terá de se apoiar na sua mala de rodinhas até a chegada do comboio.

A compra do tíquete mostrará que a língua alemã domina as máquinas. Mas o francês, o italiano e o inglês podem salvar sua pele não germânica. No trem de poltronas impecáveis e ergométricas, a locutora avisa a proximidade de Hauptbahnhof ou Main Station. É a deixa para baixar na HB, a maior estação de trens do país. Localizada no centro velho (Altstadt), ela concentra mais de 2.900 linhas diárias, que operam das 5 à 1 da manhã.

Procure um banco livre - aqui há mais disponíveis - e sente para escrutinar o lugar. Um anjo o espera no hall principal. É L'Ange Protecteur, escultura de Niki de Saint-Phalle, figura de seios fartos e quadris de baiana de acarajé que abre suas asas folheadas a ouro sobre os 350 mil passageiros que cruzam a estação diariamente. Pesando mais de 1 tonelada, L'Ange saiu dos Estados Unidos em 1997 dividida em três partes. Em Zurique, foi montada e içada a 11 metros de altura. Vale fotos, assim como tomadas dos imensos relógios Mondaine, anunciando que, sim, a pontualidade é a alma do lugar.

A HB abarca lojas de roupas e de souvenirs, restaurantes, chocolateria, supermercado, livraria, banheiros limpíssimos (para banho inclusive) e um ponto de informação turística. É a deixa para, caso não tenha um roteiro definido, escolher o que visitar na maior cidade da Suíça.

Se for um domingo, aproveite para se abastecer de víveres e fazer sua primeira pesquisa de mercado, porque as lojas na vizinhança estarão fechadas - inclusive as da Bahnhofstrasse, a badalada rua das grifes, que nasce na frente da estação.

Zurique não nega a fama de cidade cara, mas há uma correspondência em qualidade. Veja o que realmente quer comer e levar de lembrança para casa. No final das contas, perceberá que nenhum franco suíço foi gasto em vão.

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