Fébio Mottta/Estadão
Fébio Mottta/Estadão

Programas de milhas: sem moleza para os infiéis

Mudança de regras em programas de milhagem é algo quase tão antigo quanto os programas de milhagem. Para você ver: no início dos anos 90, em programas como Smiles e AAdvantage, um upgrade para classe executiva em voo internacional custava apenas 12.500 milhas - não importando a classe tarifária em que a passagem tinha sido comprada. Já há muitos anos, porém, o mesmo upgrade custa 30.000 milhas, e só é concedido para passagens compradas na tarifa cheia.

RICARDO FREIRE , O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2013 | 02h21

Nos últimos meses, três das quatro maiores companhias aéreas nacionais alteraram as regras dos seus programas. Em junho a TAM matou o principal benefício histórico do Multiplus Fidelidade, que era a garantia de emitir passagens domésticas e sul-americanas pela tabela base, sem limitação de assentos por voo. Ainda em junho, a Azul reformulou inteiramente o programa Tudo Azul, que passou a atribuir pontos proporcionais à tarifa paga.

Agora é a vez de a Gol mudar. A partir de 10 de outubro, o Smiles vai na cola do Tudo Azul e passa a conceder milhas com base no valor da tarifa. E para penalizar ainda mais o caçador de pechinchas, as tarifas promocionais não darão mais direito a milhas (uma prática que não é novidade, mas que estava restrita aos feirões e às megapromos de todas as companhias).

"Milhonários" x independentes. O recado das companhias aéreas é claro: os infiéis, que voam sempre onde está mais barato, serão cada vez menos remunerados com milhas. O acúmulo substancial passa a ser privilégio dos passageiros frequentes, que pagam as tarifas cheias de última hora e têm sua milhagem bonificada em até 100% (na TAM e na Gol) e 200% (na Azul) ao atingir o status máximo de elite.

Para complicar a vida dos independentes, os cartões de crédito dos bancos - que eram o melhor atalho para juntar milhas em várias companhias sem precisar voar - agora impõem deságio e limites mínimos altíssimos para transferência de pontos para os programas Multiplus Fidelidade e Smiles. Com os pontos presos no banco, você pode perder as promoções de milhas reduzidas que volta e meia são oferecidas por TAM e Gol.

A saída: fidelizar-se a um cartão oficial. Hoje, a alternativa mais eficiente para acumular pontos sem voar é fazer um cartão de crédito oficial de um dos programas de milhagem - sobretudo se você cacifar a categoria platinum. O Itaucard TAM Platinum (anuidade: R$ 399) confere automaticamente 1,5 ponto a cada dólar gasto. Já as versões Platinum dos cartões Smiles do Banco do Brasil e do Bradesco (anuidade: R$ 248) são mais generosas: creditam automaticamente duas milhas por dólar gasto e 10.000 milhas na adesão.

Outra vantagem dos cartões platinum ligados aos programas de fidelidade é a prioridade no check-in e no embarque: você adquire (literalmente) o seu status de elite, mesmo sem ser passageiro frequente. A única diferença é que você não ganha os bônus sobre as milhas voadas. Mas como passagem-prêmio nunca deu direito a milhagem, você não sai perdendo nada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.