Quando evitar a cautela pode ser bom

Como, na semana passada, nosso correspondente estava viajando por Maiorca, nas Ilhas Baleares, alguns de seus leitores perguntaram em que época do ano é possível avistar baleias naquela região do Mediterrâneo. Mr. Miles pediu que informássemos a eles que se trata de um erro muito frequente relacionar Baleares com baleias. "Nesse caso, I'm afraid to tell you, o nome do arquipélago não tem qualquer relação com os grandes cetáceos. As Baleares vêm do grego balear, muito similar ao significado da palavra balear em português. Trata-se de atirar fundas, longínquo hábito das belicosas populações de vândalos, bizantinos, romanos e corsários apátridas que viveram nas ilhas. Para quem quer ver baleias, recomendo os mares do sul do Chile, a costa do Alasca e, of course, Abrolhos".

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2012 | 11h39

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: minha mulher e eu estamos pensando em fazer uma daquelas viagens indispensáveis. Gostaríamos de ir ao Egito, passando pelo Cairo, Luxor e alguns daqueles cruzeiros que sobem o mitológico rio até a barragem de Assuan. Sempre me disseram que a melhor época para fazer a viagem é o inverno do Hemisfério Norte, quando as temperaturas ficam mais amenas e é possível aproveitar melhor. Minha única dúvida: não seria muito arriscado viajar por um país ainda tão politicamente instável? Obrigado. Klaus Pfeffer Ornellas, por e-mail

"Well, Klaus: a precaução é, in fact, um elemento que se deve levar em conta ao escolher um destino. Ainda assim, my friend, há anos de distância entre o que você chama de um país politicamente instável e um verdadeiro país conflagrado, como é o caso da triste Síria. Não vou ser eu, of course, a enviá-lo para a mais bela viagem de sua vida em um momento de instabilidade. Se eu estivesse em sua posição, however, não teria a menor dúvida em comprar as passagens, as excursões e verificar, in loco, as conquistas de Ramsés e Hatshepsut em um tempo que supúnhamos que os homens eram pouco mais que símios.

Quando estive na planície de Gizé pela primeira vez, com minha curiosíssima amiga Agatha (N.da R.: Agatha Christie, maior autora inglesa de novelas policiais), ficamos atônitos. Era, sem trocadilhos, o que considerei uma viagem ao melhor da História. Durante o cruzeiro a que você se refere, navegando entre suaves feluccas (veleiros típicos das populações do Nilo), vi que Agatha, absorta, já não prestava atenção à paisagem - mas escrevia. Lembro-me que perguntei, just for fun: darling, você está preparando uma morte no Nilo? Pois foi assim que esse livro se chamou! Morte no Nilo. Can you believe me?

Mas voltando ao tema da precaução, a relação entre o noticiário e a realidade é quase sempre enganadora. Quando a polícia do Rio ocupou o German's Complex, há cerca de dois anos, os viajantes mais precavidos devolveram suas passagens e acreditaram que o Brasil inteiro estivesse convulsionado. It was a shame, porque, as you know, o Rio de Janeiro continuava lindo e quem estava na praia do Leblon não tinha qualquer ligação com os acontecimentos.

Assim funcionam as coisas, dear Klaus. As coisas são mais, ou menos, do que parecem ser. É preciso informar-se antes, com fontes de diversos tipos.

On the other hand, quem se arrisca acaba tendo grande vantagem. Como todos os precavidos pensam do mesmo jeito, a procura pelo destino diminui. Ou seja: você vai viajar mais barato, visitar as atrações sem ter multidões ao redor e, believe me, até o preço para um passeio de camelo custará a metade - se você souber negociar.

Há lugares do mundo que exigem eternas precauções. Seja em Londres, Praga ou São Paulo. Nem por isso vou deixar de conhecer as cidades. Apenas evitarei seus distritos mais inseguros. Quanto a países conflagrados, você nem precisa perguntar se vale a pena visitar. Alguém, seja de uma milícia ou de outra, estará sempre preparado para proibir que você prossiga. Talvez seja o caso de voltar em outra ocasião. Don't you agree?"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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