Quando mascotes viajam

Nosso interminável viajante foi visitar o novo resort do Papai Noel, chamado Santa Resort Kakslauttanen, em pleno Círculo Polar Ártico, na Lapônia finlandesa. Atendendo a um chamado de seu afilhado de casamento, Kimi Uten, mr. Miles hospedou-se em um dos 20 iglus de vidro, construídos especialmente para observação da aurora boreal, que considerou muito criativos. Com mr. Miles viajou sua mascote Trashie, que vibrou de alegria ao reencontrar temperaturas siberianas. A seguir, a carta da semana.

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2012 | 03h06

Querido mr. Miles: tenho lido sobre a afetuosa relação que o senhor mantém com sua mascote Trashie. Somente isso - além de todos os outros predicados - já o engrandece diante de meus olhos. Também tenho mascotes, gosto muito deles e, justamente por isso, encontro dificuldades para viajar. Como o senhor concilia os dois prazeres?

Marília Vaz Filliardis, por e-mail

"Well, my dear: como você sabe, encontrei minha doce Trashie abandonada em Novosibirsk, na Sibéria, durante um gélido inverno alguns anos atrás. Até então, Marília, não fazia parte de meus planos viajores contar com uma companheira de quatro patas. Mas Trashie, que, na verdade, é uma raposa das estepes siberianas (raça, unfortunately, ainda não mencionada nos manuais de cinofilia), conquistou-me em poucas horas por seu comportamento refinado e incomum.

Após ter rejeitado o prato de leite e os pedaços de pão que lhe ofereci - com uma expressão de franco desagrado, descobri que a nobre cadelinha só gostava mesmo de whisky com mais de 12 anos ou, outra descoberta que veio mais tarde, de single malt.

Foi esse dom extraordinário que me fez transformá-la em companheira de viagens, apesar, indeed, das dificuldades que enfrento em muitas ocasiões. O mundo das viagens pode ser muito cruel com os animais domésticos ao obrigá-los a viajar nos porões das aeronaves ou proibi-los de entrar em hotéis, restaurantes e museus. Ou seja: entendo claramente sua colocação, my dear.

Com Trashie tem sido um pouco diferente. Ela é comportada como uma lady. Não enjoa em aviões ou navios. Quando assolada por uma imposição de sua bexiga ou de seu intestino, sempre me avisa a tempo de evitar qualquer vexame público. Espera-me, prazerosamente, na porta de estabelecimentos onde não é bem-vinda e ainda é capaz de olhar com um desprezo atordoante para o cidadão que impediu sua entrada.

É claro, darling, que o fato de eu ser sócio remido de oito programas de milhagem, ter familiaridade com inúmeras tripulações e, quase sempre, hospedar-me em hotéis de afilhados ou amigos ao redor do mundo ajuda a evitar situações constrangedoras.

Se você, however, não tiver tais facilidades, siga pelas vias normais. Escolha hotéis que aceitem pets. Atualize as vacinas de seu mascote. E, caso você não tenha capital para reservar um assento exclusivo no nome de seu cão (ou gato?), aceite as normas da companhia aérea. Eu aposto que o próprio animal terá tanto prazer em fazer novas descobertas quanto você. E, cá entre nós, viajar na classe econômica não é mesmo muito melhor do que fazê-lo no porão. Don't you agree?

Se for o caso de deixar seu mascote, oh, my God!, não o abandone em um desses hotéis para quatro patas de onde eles costumam voltar com péssimos hábitos e uma coleção de micoses. Tente, se possível, emprestá-lo a algum amigo (ou amiga) da mais alta confiança. Quando não levo Trashie comigo, costumo deixá-la em pubs de minha confiança. Ela adora o ambiente de um bar, onde não faltam suas bebidas prediletas.

Quanto a destinos, dear Marília, apesar de minha implicância com os gauleses, a França é o melhor lugar para passear com seu mascote. Cães, sobretudo, são muito bem recebidos em quase todos os lugares, inclusive em brasseries e alguns restaurantes estrelados. Trashie gosta tanto de lá que até está tomando gosto por alguns vinhos da Borgonha. Desde, of course, que sejam seguidos por um single malt."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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