Quando o melhor é viajar consigo mesmo

Nosso estimado viajante voltou à Grã-Bretanha para ver de perto o plebiscito que pode resultar na secessão da Escócia. "Não que o assunto incomode, a não ser que me proíbam de comprar o single malt de cada dia. Do ponto de vista filosófico, however, cada nova fronteira que se cria é mais um entrave para pessoas que, como eu, acham que o mundo inteiro é uma extensão de seu jardim."

O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2014 | 02h05

A seguir, a pergunta da semana:

Querido mr. Miles: eu pensei que gostava de viajar, mas descobri, infelizmente, que esse tipo de atividade me deixa estressada. Estou na terceira idade e optei por uma excursão à Europa. Aquela correria toda, o tira-e-põe de bagagens no corredor, o guia nos pressionando com horários, o medo de atrasar e enfrentar a ira dos outros turistas, tudo, enfim, pesou negativamente para mim. E nem a beleza do que eu vi compensou a tensão. No ano seguinte, experimentei viajar com uma amiga e sua filha. Foi igual ou pior. Uma bagunça completa. Ninguém cumpria os horários, perdíamos trens e passeios e acabávamos, nós mesmas, perdidas em algumas cidades. Além disso, tivemos discussões por motivos fúteis. O senhor acha que existe uma maneira de viajar sem estresse?

Egle Furlanetti Moura, por e-mail

"Well, my dear: como sempre dizia o meu saudoso amigo e analista Nelson Montag, a solução para os problemas quase sempre está dentro de nós mesmos. Qualquer principiante, ao viajar, estará lidando com o desconhecido. Ou, at least, com o incerto. As pessoas, darling, fazem as coisas diferentes em culturas distintas: guiam pelo lado errado, são mais ou menos pontuais, cobram mais ou menos cortesia, etc. Essa situação, of course, já pode ser desconfortável para os viajantes mais assustadiços, o que, unfortunately, me parece ser o seu caso.

Para oferecer mais segurança existem excursões como a que você provou em sua primeira aventura. However, dear Egle, a sua descrição é perfeita: ao tempo em que facilitam o desenrolar da viagem, elas pedem, em troca, uma carga de tensões e obrigações diárias que podem mesmo obnubilar o prazer de uma jornada. E pode ser ainda pior se o tempo que restar aos passageiros em cada atração for menor (it happens all the time) do que o reservado para a lojinha de souvenirs.

Mas vejo, com alegria, que você deu a si mesma uma nova chance ao viajar na companhia de amigas. Pois entenda que, sometimes, uma jornada com amigos estraga tanto a viagem como a amizade. E o mesmo ocorre, believe me, até mesmo com casamentos!

Não desista, my dear. Viajar é um prazer tão grande e tem o condão de provocar emoções tão inesperadas que qualquer companhia inadequada, tecendo comentários muito aquém da experiência pela qual você está passando, leva à vontade de lançar impropérios ou coisa pior.

A solução pode estar dentro de você. Ou a prezada leitora se vacina contra tensões e viaja mais desarmada, ou faz uma nova experiência: viajar sozinha. Para um único e sonhado destino. Prepare-se, lendo e estudando o quanto for possível. Depois, viaje. No seu ritmo, da maneira que mais lhe convier. Take your time. Veja uma coisa de cada vez e dê a ela o tempo que você estabelecer. Who knows? Quem sabe sentar-se em um café e ver as pessoas indo e vindo não lhe dê mais prazer do que ver velhas tumbas em velhíssimas catedrais? Quem sabe visitar um mercado lhe seja mais saboroso do que ir a um restaurante caro?

Na próxima viagem, dear Egle, olhe para dentro de si e faça do seu jeito. Às vezes, darling, não há companhia melhor."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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