Quatro perguntas para o 'Amigo Gringo'

O novo personagem do jornalista americano Seth Kugel é o Amigo Gringo, que dá dicas de Nova York para brasileiros. Quando encarna seu outro personagem, o Frugal Traveler do jornal The New York Times, Seth dá dicas na direção oposta: nos últimos quatro anos, tem escrito generosamente sobre o Brasil para americanos. Conversamos por e-mail sobre como trazer mais amigos gringos para o Brasil.

RICARDO , FREIRE, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2014 | 02h06

Como você compara a repercussão de seus artigos sobre o Brasil com outras colunas?

É difícil uma coluna sobre o Brasil ter muita repercussão. Apesar de o Brasil fascinar o americano, para ele parece um lugar bem longe e caro. E é.

Nunca tantos americanos assistiram a futebol na TV como na última Copa. Você acha que o evento valeu como uma vitrine turística do Brasil?

Esquece a TV! Eu estava aqui durante a Copa e não conheci nenhum americano que não tenha adorado. Quase chorei de ver tantos americanos nas ruas de Natal antes de EUA x Gana. Conversei com um americano dentro do estádio, ele me disse que eram as melhores férias da vida dele. Depois, perguntei: "E como é o serviço?". E ele ficou surpreso (como se nem tivesse pensado nisso): "Ninguém fala inglês! E o serviço é muito ruim! Mas não importa!". Os que vieram pra Copa viraram os melhores embaixadores para o turismo brasileiro.

O brasileiro é contra aborto, eutanásia e flexibilização de visto de entrada para americanos. Você acha que a exigência de visto atrapalha a vinda de mais gringos para o Brasil?

Eu entendo a ideia da reciprocidade, que nós exigimos visto de vocês e que isso é muito chato. Mas assim como há os americanos que voltam da Copa amando o Brasil, muitos voltam dos consulados brasileiros reclamando da burocracia e do custo de conseguir visto. As ilhas do Caribe estão perto, são mais baratas e não exigem visto. Qual você escolheria? Acho que o Brasil está praticando autoeutanásia turística. Chega da reciprocidade, Brasil: vocês podem (e devem) nos repreender de outro jeito.

Se você pudesse pedir uma providência das autoridades para facilitar a vida do turista no Brasil, qual seria?

Além de flexibilizar o visto, melhorar o nível de inglês. Eu detesto que o inglês tenha virado o idioma oficial do mundo, mas é a realidade. Hoje, até turistas coreanos e russos falam inglês. No Rio e em São Paulo, o nível é quase decente. Mas no lindo Nordeste, em Minas Gerais, em Belém, todos lugares que adoro recomendar, o inglês é obstáculo grande.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.