Que estilo de Nordeste combina com você?

Região oferece atrativos para diferentes gostos, difícil é escolher um

Andréa Oliveira e Cláudia Bredarioli, especial para O Estado de S. Paulo,

17 Novembro 2009 | 12h42

Histórico

 

São Luís foi fundada em 1612 por franceses, invadida por holandeses e colonizada por portugueses

 

Andar pelo centro histórico de São Luís, a capital do Maranhão, é viajar a um passado de séculos atrás. Fundada em 1612 por franceses, invadida por holandeses e colonizada por portugueses, era habitada por índios tupinambás e teve sangue negro na construção de seus palácios e casarões. Toda essa herança habita as ruas de pedras de cantaria, dos becos do Portinho às avenidas da cidade nova.

 

Lendas e história convivem em harmonia na ilha, que é Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1997, com 1.440 imóveis inscritos. O número de construções tombadas pelos patrimônios históricos do Estado e da União chega a 5.600, um dos maiores conjuntos da América Latina. Pela importância, merecia estar em melhor estado - o último grande projeto de revitalização, o Reviver, foi no fim dos anos 1980.

 

Do marco zero, o mar se abre e ao longe se vê Alcântara, cidade em ruínas. Alguns passos atrás, ladeira acima, o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, é a entrada para a Praça d. Pedro II. Diante da Igreja da Sé tem-se a opção de descer para o miolo do centro histórico pela escadaria ou por uma ladeira, mais uma das tantas da capital. A catedral foi erguida pelos jesuítas em 1762 em homenagem a Nossa Senhora da Vitória, santa que, de acordo com a história - ou a lenda? -, surgiu para proteger os portugueses, ajudando-os a expulsar os franceses durante a Batalha de Guaxenduba, em 1642.

Ainda na parte alta, após a Sé, seguindo pela Rua dos Afogados, ladeira abaixo, chega-se à Fonte do Ribeirão, construída em 1796. Por trás de suas carrancas que cospem água, há, segundo a lenda, galerias que ligam as igrejas do centro e onde mora uma grande serpente encantada. Um dia a cobra abraçará e engolirá a ilha.

 

À direita, uma travessa leva à Rua do Sol, onde fica o Museu Histórico e Artístico. O pequeno teatro da casa, conta-se, era usado pelos irmãos Arthur e Aluízio Azevedo para leituras e ensaios. Adiante está o Teatro Arthur Azevedo, imponente prédio inaugurado em 1817. Já na Rua Egito, a fachada do Solar São Luís chama atenção. Construído no século 19, tem belos azulejos portugueses preservados pela Caixa Econômica Federal, que se instalou no prédio.

 

Agora o passeio segue pela cidade baixa. A Praia Grande concentra o maior número de prédios em arquitetura colonial portuguesa. A Rua Portugal encanta pela riqueza dos azulejos, pelos paralelepípedos e pelas calçadas de pedra de cantaria. Em diversos pontos, o céu claro, graças à localização geográfica, bem pertinho da linha do Equador, contrasta com o azul colonial e o amarelo ouro das fachadas. O clima de história dá origem a muitas lendas. Diz-se que nas noites de lua cheia, por essas ruas, a carruagem de Ana Jansen, cruel dona de escravos que viveu no século 19, vaga tocada por cavalos sem cabeça, assustando os vivos. Informações: http://www.turismo.ma.gov.br/

 

Festeiro

 

Pelourinho oferece burburinho e miscigenação para estrangeiros e brasileiros

 

Frequentar a Praia de Porto da Barra no verão talvez seja a melhor opção para o turista que, mais do que conhecer Salvador, queira se embrenhar pela alma soteropolitana. A combinação do pôr do sol estonteante com a Baía de Todos os Santos traz para esse pequeno trecho de areia boa parte do êxtase que toma conta da capital baiana nos meses mais quentes do ano. É ali, no burburinho e na miscigenação, que estrangeiros e brasileiros divulgam, no boca a boca, os programas que agitam as noites de calor.

No verão, essa conexão entre os turistas e a cidade chega ao ápice. Em uma tentativa de prolongar essa energia, em Porto da Barra, depois do carnaval, têm início os shows do projeto Espicha Verão, que em 2010 terá sua quarta edição. Aos sábados, artistas de MPB tocam numa balsa no meio do mar.

Um programa semelhante já pode ser feito há um mês, só com música em um barco. Ivete Sangalo pôs seu nome num passeio turístico de ferry-boat, com shows diversos a bordo. Sai do Terminal de São Joaquim e custa R$ 100 por pessoa.

Os baianos não esperam mesmo o verão para entrar no clima de festa. Por isso, o governo e o setor de turismo investem pela primeira vez em incentivar os turistas a anteciparem seus planos de viagem, com a campanha “Faça como o verão, chegue mais cedo à Bahia”. No próximo dia 28, haverá a Regata da Primavera Baía de todos os Santos-Salvador. Já o mês de dezembro começa com festa pelo Dia Nacional do Samba, dia 2, no Pelourinho, e estende-se em várias homenagens aos santos e orixás (que também sempre acabam em festa).

É no Pelourinho, aliás, que se concentram os ensaios dos blocos. Há apresentações todos os dias, deste mês até o carnaval. É possível ver: Timbalada, Gerônimo, Olodum, Vixe Mainha, Araketu e muito mais. A animação também toma conta da cidade na 12ª edição do Festival de Verão de Salvador, de 20 a 23 de janeiro. Ivete Sangalo e Claudia Leitte estão confirmadas, e a banda Metallica pode estar entre as atrações. Informações: http://www.bahia.com.br/

 

Nativo

 

Pôr do sol na Praia do Jacaré, ao norte de João Pessoa, atrai turistas e moradores

 

De todas as capitais litorâneas do Nordeste, João Pessoa é a mais tranquila. Uma cidade que ainda não foi descoberta pelo turismo de massa, onde o espaço público é ocupado pelos moradores, que aproveitam tudo o que há de belo por ali. O visitante acaba entrando no clima, sem barulho, pressa ou filas para passeios. Tudo isso pagando bem menos do que em vários lugares da região.

João Pessoa possui, assim como várias cidades nordestinas, belas praias, patrimônio histórico e culinária com o melhor do sertão e dos frutos do mar. No entanto, há características na capital paraibana que já não se encontram em outras da região: trânsito calmo, praias próprias para banho durante o ano inteiro, orla sem prédios altos (uma lei proíbe edifícios com mais de três andares numa faixa de 500 metros do litoral) e a possibilidade de passeios à beira-mar sem tanta preocupação com assaltos e violência.

Para se ter uma ideia da diferença, em vez de baladas ou carnavais fora de época, o grande espetáculo, que atrai turistas e moradores, é o pôr do sol na Praia do Jacaré, na cidade vizinha de Cabedelo, ao norte. Na praia fluvial, um evento se repete todos os dias há nove anos, sempre às 17 horas, quando a tarde cai vermelha sobre o Rio Paraíba: em seu barco a remo, Jurandy do Sax toca o Bolero de Ravel. E o melhor: é gratuito.

Também em Cabedelo, na Praia da Camboinha, quando a maré baixa forma-se um banco de areia a um quilômetro da costa. É a Ilha de Areia Vermelha. No local, são montados bares, que servem bebidas e petiscos.

Na orla de João Pessoa, Tambaú encanta pelos coqueiros. Já Cabo Branco atrai pela beleza de suas falésias e é perfeita para quem quer se sentir nativo – é a preferida dos moradores. Ali fica o Farol do Cabo Branco, de onde se vê a Praia de Ponta do Seixas, ponto mais oriental do Brasil. Informações: www.joaopessoa.pb.gov.br/secretarias/setur

 

 

Praieiro

 

Praia de Ponta Negra concentra hotéis, pousadas, bares e restaurantes na região de Natal

 

Com seus 400 quilômetros de praias de águas cristalinas, o Rio Grande do Norte poderia ser o cenário real para o lugar inventado pelo poeta Manuel Bandeira em Itinerário de Pasárgada, poema que fala de um lugar paradisíaco onde basta ser amigo do rei para se ter todas as maravilhas: banhos de mar, aventuras, esportes e paixões. Na capital, Natal, faz sol praticamente o ano inteiro e há oferta de passeios para agradar do baladeiro ao aventureiro, do esportista ao natureba.

A cidade é um dos destinos mais procurados do Nordeste, em razão das belas praias e da infraestrutura. Ponta Negra concentra hotéis, pousadas, bares e restaurantes. Resorts estão localizados ao longo da Via Costeira. Rumo ao norte, há as praias dos Artistas e do Meio e o Forte dos Reis Magos, do século 16. Depois do Rio Potengi, por balsa, chega-se à Praia da Redinha, rota para o litoral norte.

É no norte que fica Genipabu, a 30 quilômetros do centro de Natal e dona de lagoas e altas dunas. Ali faz sucesso dar uma voltinha em cima de um dromedário (R$ 30). Também é possível fazer esquibunda (escorregar na duna sentado numa prancha) e standboard (o mesmo, só que de pé). Ambos custam em torno de R$ 5. As atividades são feitas no passeio pelo Parque Ecológico Água das Dunas (R$ 160 o buggy). Pode-se escolher fazer o trajeto com ou sem emoção, o que depende das manobras executadas pelo bugueiro.

Outro roteiro sai de Genipabu e segue até Jacumã (R$ 260 o buggy). Inclui paradas para aerobunda (tirolesa do alto da duna até a lagoa) e esquibunda. Nos dois, R$ 7 cada descida.

No litoral sul, a pedida é pegar o barco do complexo Marina Badauê, na Praia de Pirangi, para ver as piscinas naturais e algumas praias. Sai a R$ 35 por pessoa. Informações: http://turismo.natal.rn.gov.br/

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