Queijos especiais

Abrigado num pub de Edimburgo para esperar uma tempestade amainar diante de um pint de cerveja, entabulei conversa com o dono de galeria ao meu lado no bar. "Se está vivendo na França, você deve gostar de queijo", ele disse. Claro, respondi, mas acrescentei que sempre levo um bom pedaço de cheddar de fazenda para Paris quando venho à Grã-Bretanha. "O melhor cheddar do mundo é escocês, você sabe - ele vem da Ilha de Mull", ele respondeu. "Vire a esquina e vá ao Iain Mellis, e ele lhe dará um pedaço para provar." E assim fiz.

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h07

O que eu não sabia até entrar nessa lojinha bem arrumada era que a Escócia era responsável por um pequeno mas soberbo acervo de queijos de fazenda. Numa tarde úmida, o afável Mellis, de 49 anos, que abriu sua loja, Iain J. Mellis Cheesemonger (www.mellischeese.

co.uk) em 1993 após 15 anos trabalhando na indústria queijeira, ofereceu-me uma aula deliciosa.

"Não fabricamos muitos queijos, mas ele tem muito caráter", disse, enquanto eu provava um pouco de rimbister, um queijo de fazenda de Orkney crocante e levemente cítrico, produzido com leite de vaca não pasteurizado. Adorei a nota trufada do aveludado Bishop Kennedy, nomeado por um bispo de St. Andrews do século 15 e outro queijo de leite de vaca não pasteurizado. "A casca é lavada com uísque de malte durante o estágio de maturação", contou Mellis. Mas foi o choque de prazer causado pelo vibrante azul do fabricante de queijos Ruaraidh Stone, produzido numa cervejaria perto do mar, que me tornou um amante de queijo escocês. Agora, nunca vou à Escócia sem passar pela loja do Mellis em Edimburgo, ou em uma de suas cinco outras lojas espalhadas pelo país. / ALEXANDER LOBRANO

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