Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Raiatea, o coração da Polinésia Francesa

Rio navegável e o 'Mana' dos templos sagrados

Lucineia Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 04h55

Minha aventura começou pelo coração da Polinésia Francesa: Raiatea (a 195 km do Taiti), uma ilha mística, considerada o berço daquela civilização e onde muitos vão em busca de descobrir (e sentir) o “Mana”, algo como força espiritual. O lugar foi o ponto de partida para os polinésios explorarem o Pacífico rumo ao norte, até o Havaí, e ao oeste, para a Nova Zelândia. Também serviu de porta de entrada para navegadores como o capitão inglês James Cook. Seu primeiro nome, Havai’i Nui, quer dizer “grande fonte de água”, enquanto Raiatea tem significados como “paraíso distante” e “céu de luz suave”.

Raiatea também é reverenciada por ter o único rio navegável da Polinésia e por seus sítios arqueológicos, que preservam antigos templos sagrados. Conheci dois deles durante um passeio cultural guiado por Tahiarii Pariente, da Polynesian Escapes (cerca de US$ 500 para até oito pessoas). O Tainuu Marae é formado por um mural de pedras gigantes, onde eram realizadas cerimônias religiosas há cerca de 500 anos. Ao lado, na mesma área, foi construída uma igreja.

O majestoso Taputapuatea Marae, que em 2017 foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, fica na beira do mar e é composto por pavimentos com pedras que foram organizadas pelos antigos polinésios há cerca de mil anos, onde ocorriam celebrações religiosas, sociais e políticas. Para os ancestrais, aqueles agrupamentos de pedras eram altares, fontes do “Mana” (se diz maná). Ainda hoje, o lugar é considerado sagrado e visitado por seu significado e importância histórica. Para preservar a área, um cartaz na entrada avisa que é proibido beber ou comer, falar alto, brincar, pegar qualquer coisa da natureza e muito menos pisar sobre as pedras.

Antes de sentir a energia de Taputapuatea Marae, percorremos a única estrada que corta toda a ilha, com circunferência de 98 km e que conserva sua vegetação abundante e selvagem no centro, com diversas plantas endêmicas. Um exemplo é a flor branca e perfumada que virou símbolo de Raiatea, a Tiare Apetahi, que só cresce por lá, especificamente no Monte Temehani. Sua origem é associada a uma lenda de amor e ela só floresce à noite.

A maioria das casas circunda as encostas. A parada para o almoço foi em um agradável restaurante pé na areia, o Fish & Blue, lugar simples e bonito, com decoração nos mesmos tons de azul do mar em frente, visível até das janelas do banheiro. O ambiente acolhedor é reforçado pela família que comanda o lugar: o pai cuida da cozinha, a filha faz drinques, a mãe recebe os clientes no salão e os acompanha até a butique dentro da casa. Tudo ao embalo de música local.

O menu de peixes e frutos do mar tem certa influência asiática, com chutney apimentado e arroz mais aglutinado, como o japonês. Provei o atum com chutney e ervas frescas, uma delícia, fresquíssimo. Sem falar na melhor porção de batata-doce frita em palitos que já comi. Para acompanhar, há drinques e sucos naturais de frutas como graviola, abacaxi e goiaba. Os pratos custam, em média, de 2.500 a 4.200 francos polinésios, algo como US$ 25 a US$ 42.

-> Raiatea fica a 195 km do Taiti; o voo até a ilha tem escala em Huaheni e é operado por Air Tahiti.

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