Bruna Tiussu/AE
Bruna Tiussu/AE

Raízes mineiras

Trajeto entre Mariana e Ouro Preto, cidades históricas do estado, remonta passado do Brasil

BRUNA TIUSSU, MARIANA, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2011 | 03h07

Pode chegar de mansinho, como é costume por ali, e observar sem pressa cada detalhe da estação ferroviária de Mariana. Repare na arquitetura recém revitalizada do casarão, e como os detalhes em madeira branca, as delicadas arandelas de luzes amarelas e os elementos barrocos da torre já começam a dar o gostinho da viagem aguardada. Vindo lá de longe, o apito estridente anuncia que logo, logo o cenário estará completo para a partida. E não tarda para o trem de fato surgir. Pequenino a princípio, mas de repente, em toda aquela imensidão que desliza pelos trilhos. Arrancando sorrisos e deixando boquiaberto até o mais desconfiado dos mineiros.

 

Há apenas seis anos - e após dez sem atividade turística - o trecho ferroviário Mariana-Ouro Preto voltou a fazer parte da lista de atrativos aos visitantes da região. O passeio é feito de sexta-feira a domingo, a bordo de uma composição que data de 1956 e foi toda recuperada pelo projeto Trem da Vale - a Fundação Vale também se encarregou da restauração de cada estação e do percurso. Seus cinco vagões de passageiros mantêm o desenho dos antigos, com interior de madeira, e percorrem os nostálgicos 18 quilômetros de distância entre as cidades em uma hora.

 

Uma verdadeira viagem no tempo. Mas com toques refinados de modernidade. Pagando um pouco mais (R$ 60 ida e volta, enquanto o comum custa R$ 35), você faz o trajeto diante das imensas janelas do vagão panorâmico. Com total visibilidade da paisagem, não há como perder os detalhes do ribeirão que acompanha todo o caminho, das cachoeiras que surgem nas montanhas e a tão simpática lagoinha em formato de coração.

 

 

Também é possível ter uma noção real de como são gigantescos os paredões recortados justamente para dar passagem à composição. Além de ser mais fácil tomar aquele sustinho bom com a escuridão repentina a cada vez que se adentra um dos três túneis da rota - o último, com 115 metros de extensão.

 

Antes de alcançar o destino final, a estação de Ouro Preto, vê-se outras duas: Vitorino Dias e Passagem de Mariana, ambas fundadas em 1914 e com importância histórica para Minas Gerais. Enquanto a primeira atendia às necessidades da fábrica de tecidos Companhia Industrial Ouro-Pretana, era na segunda que chegavam equipamentos e produtos destinados à Mina da Passagem, uma das mais antigas do Estado.

 

Mariana. A experiência do passeio de trem, a riqueza histórica preservada, a cultura barroca ou o desafio de percorrer a Estrada Real. Seja qual for o motivo que leve a Mariana, há alguns pontos que todo turista deve visitar.

 

Pequenininha e sem grandes segredos, a cidade está ali para ser explorada a pé. Agradeça desde já: suas ladeiras são levinhas se comparadas às das outras cidades históricas.

 

Comece pela Basílica da Sé, uma das mais ricas em ouro do País. Em um ambiente onde o barroco predomina, é curioso notar pinturas chinesas em alguns altares, obras de portugueses que viveram em Macau. Elas também estão presentes no belíssimo órgão de origem alemã, do século 18, que segue em funcionamento. Vá as sextas-feiras, às 11h30, ou domingos, às 12h15 para reviver um pouco do ambiente musical do ciclo do ouro. Outras duas importantes igrejas, de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, ficam lado a lado na Praça de Minas Gerais, com mais riquezas coloniais.

 

Para seguir explorando a cultura do Estado, há o museu arquidiocesano. E os constantes eventos que são marca registrada do destino. Se estiver lá durante algum deles, não hesite. São festivais, peças teatrais e tradições folclóricas que destacam história, alegria e cores. Uma opção de viagem ao encantador universo das cidades históricas, com toques precisos de atualidade.

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