Itamambuca Eco Resort
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Mônica Nobrega
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Recreação infantil

Uma boa recreação não precisa insultar a inteligência das crianças

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2019 | 03h45

‘Alôu, criança-da! ALÔU, CRIANÇA-DA! Vamos brinca-ar! VAMOS BRINCA-AR!” Diariamente, às 9h45, a turma da recreação invadia o bufê. Abrindo caminho entre uns 400 hóspedes que tropeçávamos uns nos outros para conseguir uma mesa e pegar comida, monitores vestindo calças coloridas e perucas iam convocando as crianças para “começar a diversã-ão! COMEÇAR A DIVERSÃ-ÃO!”. A fila indiana atrás deles crescia. O tumulto geral no ambiente, também.

Ah, a recreação infantil. Se a hospedagem tem famílias como público alvo, ela é parte da experiência. Para o bem e para o mal.

A lembrança que ficou do café da manhã desse hotel, cujo nome não importa muito citar, não é boa. Até meu filho, 8 anos, olhava incrédulo para aquele quiproquó matinal. Perguntado se queria seguir a fila, esbravejava, mostrando o pratinho com ovos: “Mas é claro que não, mamãe!”.

Na edição passada do Viagem, em uma reportagem sobre Ubatuba, elogiei a recreação infantil do Itamambuca Eco Resort como uma das mais bacanas que já presenciei nessa vida de viajante com filho. Muita gente me perguntou o que há de especial a respeito dela. Volto então ao assunto para explicar mais detalhadamente, em tópicos para facilitar o entendimento – e a sua própria avaliação das próximas experiências com seus filhos.

Quem sabe a gente não ajuda os hotéis a criarem dinâmicas mais interessantes para crianças e adultos?

A convocação

Nada contra a animação dos recreadores, absolutamente tudo contra enfiar uma fila de crianças cantando num restaurante lotado – um restaurante que tem 500 lugares para 2 mil hóspedes. No Itamambuca Eco Resort, uma cartinha deixada no quarto apresentou o roteiro básico da programação de lazer no momento de nossa chegada. Nos dias seguintes, uma monitora ficava na saída do café – as crianças até sabiam seu nome – para dar mais informações sobre o que estava planejado para o dia. Simples, analógico e discreto assim.

Cada um no seu quadrado

Certa vez, em um hotel-fazenda de águas termais em Santa Catarina, vi um tal de bingo animal à beira da piscina, no fim de tarde. Fiquei sem entender a necessidade de ter um monitor anunciando “elefante”, “girafa”, “rinoceronte” ao microfone enquanto a maioria de nós só queria nadar e contemplar. No Itamambuca, a recreação usa praia, piscinas, jardins, quadras, brinquedoteca, salão de eventos, trilha, manguezal, rio. Poucas vezes vi tanta criatividade para espalhar brincadeiras pelo resort, bem como para evitar aglomerações.

Variedade e atualidade

O jogo de perguntas e respostas tinha como tema a reserva natural na qual o resort está inserido – as questões eram baseadas nas informações que estão espalhadas em placas e material que você encontra por toda a propriedade. O passeio de caiaque levava para observar a fauna às margens do Rio Itamambuca. A brincadeira depois do jantar era um desafio de dança do qual meu filho saiu feliz e pingando de suor. O teatro de sombras, uma adaptação da história da Chapeuzinho Vermelho, incluía rápidas inserções sobre questões como meio ambiente. Assim, a equipe do Itamambuca provou que não é tão difícil montar um menu de diversão que respeita a inteligência das crianças e dialoga com suas percepções sobre o mundo onde vivem.

Trilha sonora

Já citei o episódio nesta coluna. Em um resort na Bahia, cheguei ao kids club – lindo, à beira-mar e com piscina exclusiva – no momento em que É o Tchan entoava seu refrão “joga lá no meio, mete em cima, mete embaixo”. Ninguém precisa passar o dia escutando Palavra Cantada (que eu adoro). Mas o bom senso é um amigo da boa playlist.

Cuidado e sensibilidade

Deixei meu filho com os monitores na praia para jogar queimada. Ele ganhou um coletinho de identificação e anotaram seu nome e o número de nosso quarto. Fui caminhar os 2 quilômetros até a outra ponta da praia de Itamambuca. Atrasei 10 minutos na volta.

Quando cheguei, o pequeno estava com cara de choro, sentadinho na areia com um dos monitores. Poderiam ter ido juntos para a próxima atividade, explicou o recreador. Meu filho não quis, e a regra é respeitar a vontade da criança para diminuir seu desconforto em casos assim. Um detalhe, mais um, que fez toda a diferença.

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