Adriana Moreira/AE
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Regras para garantir o mínimo impacto

Nada de shows ou animador de piscina: palestras educativas, nas quais os visitantes descobrem como se comportar em terra, fazem parte do menu de diversões a bordo

Adriana Moreira - O Estado de S.Paulo,

12 Dezembro 2011 | 22h00

Os dias no Antarctic Dream começam com o chefe de expedição despertando os turistas pelo alto-falante: "Hola a todos", anunciava Jordi Piana Morales por volta das 7 horas, antes de informar a programação do dia. Dormir até tarde, afinal, é algo a ser descartado em uma viagem com características de expedição.

Aliás, não são poucas as peculiaridades em um cruzeiro pela região. Se em destinos convencionais o respeito ao meio ambiente é (ou, pelo menos, deveria ser) fundamental, em um lugar como a Antártida isso é regra. As operadoras cadastradas na Associação de Operadoras de Turismo na Antártida (Iaato, na sigla em inglês) são obrigadas a seguir normas específicas para evitar a contaminação do continente e preservar as espécies que habitam a região.

A Iaato exige a realização de uma palestra antes do primeiro desembarque em solo antártico, na qual os turistas ficam a par de tais regras. Como, por exemplo, manter a distância mínima de 5 metros dos animais e não impedir sua passagem ou persegui-los para obter a melhor imagem.

Quem ganha é o próprio turista: sem se sentirem ameaçados, os animais muitas vezes se aproximam por conta própria, ao invés de fugir ante a presença humana. Na Ilha Meia-Lua, por exemplo, os pinguins-de-barbicha pareciam nem notar os visitantes. Enquanto o grupo fotografava cada movimento dos animais, eles seguiam sua rotina – cortejando fêmeas, construindo ninhos, caminhando em direção à água.

Antes de descer à terra, contudo, é preciso desinfetar as botas em bacias na escada de acesso aos zodiacs, os botes de borracha usados nas expedições – na volta ao navio, repete-se o processo. Tudo para evitar ao máximo a contaminação do solo no continente. Pelo mesmo motivo, tampouco é permitido comer nos desembarques – leve no máximo uma garrafa de água, mas não esqueça de trazê-la de volta ao barco.

Normalmente, as dicas são passadas aos grupos durante a travessia pela Passagem Drake, quando também se distribuem casacos de neve e galochas, fundamentais nas excursões. Isso porque, em alguns pontos, o gelo chega à altura do joelho – e manter os pés secos em temperaturas negativas é regra de ouro.

Vida a bordo. Cientes das normas, é hora de ver ao vivo o que foi mostrado nas palestras. As descidas nem sempre contemplam caminhadas. Muitas vezes, são cruzeiros nos zodiacs, entre baías recortadas e gigantescos blocos de gelo. Nascido em Ushuaia, Maximiliano Aguero Gohde comanda as operações nos botes com extrema concentração. "É uma responsabilidade grande. Não dá para se distrair."

Na volta, uma sopa quentinha aguarda os visitantes. Em dias ensolarados e sem vento, um bufê é montado do deque do navio – e a natureza se encarrega da decoração.

Em uma viagem à Antártida, o roteiro não é a única coisa que deve ser levada em conta na hora da viagem. Escolher o navio que mais combina com você também faz diferença – afinal, é lá que você vai passar a maior parte do tempo. / ADRIANA MOREIRA

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