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Reizinhos nas férias

Estudo indica que crianças têm poder sobre as decisões de viagem dos pais

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 04h35

Renata e Rafael são desses viajantes que adoram uma grande cidade, principalmente se ela tiver jeitão de velho mundo – são mais Paris que Nova York, por exemplo. Em plena gravidez, inventaram de conhecer Seul. Quando a bebê Aurora estava com oito meses, passaram três semanas em Buenos Aires.

Agora, planejando as próximas férias, em setembro, pensam pela primeira vez em um resort de praia no Nordeste. Consideram esta uma opção mais cômoda para a atual configuração familiar. Aurora estará com 2 anos e meio e já não é a única criança na casa: a caçula Iolanda estreará como turista aos oito meses.

Muitas mães e pais dos anos 10 são da geração millenial, gente que cresceu tendo a viagem como aspiração ou item habitual de consumo. Agora com filhos pequenos, esses (já não tão) jovens começam a adaptar suas perspectivas turísticas, em harmonia com suas próprias convicções sobre como educar crianças. Privilegiam a conversa e a participação.

Uma tendência que acaba de ser mapeada por um estudo encomendado pela plataforma global de viagens Expedia. A pesquisa Geração Alfa e as Tendências de Viagem em Família traz ao menos duas ótimas notícias para o setor econômico do turismo.

Primeiro, mostra que as crianças nascidas a partir de 2010 (a tal geração alfa) estão sendo ensinadas a gostar de viajar: o assunto é abordado com muita frequência por 80% das famílias. Segundo, que essas crianças têm poder sobre as decisões de consumo de seus pais, com 43% dos adultos pesquisados afirmando que são influenciados pelos filhos pequenos nas escolhas turísticas.

O estudo foi feito entre 11 de abril e 7 de maio e, dado o recorte feito para compor a amostra, retrata uma população específica: a que tem capacidade de consumo e sabe comprar nos ambientes virtuais. Foram consultados 9.357 adultos de nove países, inclusive o Brasil (mais Austrália, Canadá, China, Alemanha, Japão, México, Reino Unido e Estados Unidos); que são pais ou avós de crianças de até 9 anos; e que compraram pelo menos uma viagem em meio virtuais nos últimos 12 meses.

Há conclusões que podem ajudar os empresários do turismo a orientarem suas ações para o melhor atendimento às famílias. Conveniência é fundamental na decisão de viagem dos pais dos alfas. O meio de transporte preferido é o avião (54%), pela rapidez. Escolhem hospedagem pela localização (41%) e atendimento às necessidades familiares (39%). Hotéis e resorts (79%) são a opção preferencial; aluguéis de temporada receberam 16% das citações. Os destinos nacionais são percebidos como mais acessíveis e escolhidos por 68%.

Pela diversidade

O foco das viagens familiares, segundo a pesquisa, é restritivo. Os passeios e experiências preferidos nas viagens em família são parques temáticos (74%) e atividades na água (67%) em primeiro lugar; marcos históricos (44%) e museus (38%) ficam para o fim da fila. Será mesmo que criança só quer parque, praia e piscina?

Faço aqui a minha aposta: podemos ensiná-las a se interessar por mais que isso. Não se trata de deixar de lado o sonho de ir a Orlando, mas de também incluir no horizonte opções antes nunca imaginadas. Quer um exemplo? Meu filho ficou, sim, bravo de abandonar o futebol na praia com a (excelente) equipe de recreação do Itamambuca Eco Resort, em Ubatuba, para ir conhecer o Quilombo da Fazenda, um foco de luta pelo direito à terra e à cultura tradicional em Ubatuba. Ao chegar lá, no entanto, em pouco tempo estava integrado ao grupo de crianças da comunidade e foi com eles nadar no rio e pular da ponte. Voltou adorando tudo. 

Com duas bebês, Renata e Rafael estão certos de procurar o conforto de um resort. Daqui a poucos anos, com as meninas crescidinhas, poderão voltar a incluir as queridas cidades históricas da Europa no cardápio da família. Se os alfas são mesmo os reizinhos das nossas viagens, que tudo decidem ou influenciam, deveríamos encarar como missão o papel de ampliar suas referências e sua capacidade de se encantar pela diversidade do mundo. Do alto da montanha-russa e do alto da Torre Eiffel. 

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