Dawson Ramsden/Acervo Particular
Dawson Ramsden/Acervo Particular

Relaxe no passeio de mokoro ou na piscina com vista para a savana

No meio do Delta do Okavango, em Botsuana, passeio de canoa sobre um mar de folhas ajuda a chegar ainda mais perto dos animais

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2015 | 00h01

DELTA DO OKAVANGO/JAO - Os 11 mil quilômetros cúbicos de água que chegam ao delta do Okavango correm de Angola até alcançar uma bacia hídrica no meio do deserto do Kalahari. Essa joia aquífera que invade um território cuja principal característica deveria ser a aridez garante a Botsuana uma vida selvagem extremamente diversa.

Isso significa que não importa quantos game drives você faça pelo Delta do Okavango: dizer game over será bem difícil. Mas é possível variar os passeios e os meios de transporte para conseguir ter contato com ao menos uma parte dos 122 mamíferos, 71 espécies de peixe, 444 de aves, 64 de répteis e 1.300 de plantas existentes na região.

A 20 minutos de Chitabe está a reserva Jao Camp, na área NG25. Foi de lá que, por volta das 6 horas da manhã, partimos em um barco a motor até uma área onde seis canoas chamadas de mokoro nos aguardavam. Feitas no passado com troncos de árvores, essas embarcações populares eram usadas por moradores na travessia do delta. Hoje, são construídas com fibra de vidro e servem para o tour obrigatório a quem quer chegar perto dos animais sem espantá-los com o ronco barulhento do motor.

Cada mokoro comporta duas pessoas sentadas, além do guia. É ele quem rema ao longo do delta, que alarga e estreita dependendo do trecho, entrecortando caminhos no ritmo determinado pela própria natureza. Com a simpatia que parece fazer parte do DNA botsuano, nosso comandante responde animado às perguntas curiosas e conta sobre os usos das water lilies, plantas aquáticas que cobrem todo o lago e cuja espécie mais conhecida é a vitória-régia. “Elas abrem de dia e fecham à noite, por isso ainda estão assim”, conta. Também dá uma dica gastronômica: a raiz é boa para molho de peixe. 

O vento ainda é gelado nas primeiras horas do dia e tudo parece novo. Mais uma vez foi difícil encontrar os crocodilos por conta própria, ou fazer uma boa foto dos hipopótamos que apareceram em nosso percurso – de um deles, aliás, tivemos de correr (dentro da capacidade da canoa, é claro). Todo o passeio dura 4 horas, com direito a café da manhã à beira do lago – e literalmente ao lado de um elefante que, muito antes de nós, havia escolhido o local para o desjejum. 

De volta ao camp, era hora de relaxar na piscina com vista para a savana. No Jao, as tendas são maiores e mais luxuosas que no acampamento anterior. O banheiro conta com uma área externa, onde vale a pena tomar uma ducha olhando para a floresta – deixe de lado a timidez: se algum ser vivo aparecer, não será o da espécie humana. 

Um diferencial importante: apenas o Jao, dos camps e lodges que visitamos, conta com um sistema tecnológico que espanta insetos na área da cama e funciona como ar-condicionado. Esqueça TV e Wi-Fi e esteja pronto para ouvir o barulho dos animais que, do lado de fora, num breu absoluto, se banham por horas no lago. 

Pela quantidade de atividades, é um daqueles lugares que merecem ao menos dois dias para tirar proveito e fazer valer o dinheiro. À noite, o jantar ocorre em uma grande mesa na parte externa, acompanhado de um mini bar e apresentação de dança tribal. Desde US$ 1.242, na baixa temporada.

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