Renasce uma estrela

Espreguiçadeiras de plástico na piscina. Mesas de plástico ao lado da churrasqueira. Cortinas de plástico rosa e paredes azul-turquesa no banheiro. Colchões antigos. Ar condicionado barulhento. Assim era o Hotel Tropical das Cataratas na primeira vez em que me hospedei no local, em maio de 2005.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2009 | 01h11

O serviço era atencioso e simpático, as diárias não pesavam no bolso, mas o hotel claramente não estava à altura do lugar onde fica: dentro do Parque Nacional do Iguaçu, a poucos passos das cataratas.

Caducada a concessão anterior, por pouco o hotel não escapou de fechar para sempre. Havia um movimento em Foz do Iguaçu para que o prédio se tornasse um museu ou centro de visitantes.

A nova licitação foi adiante e, em maio de 2007, o hotel foi cedido por vinte anos para o grupo Orient Express - o mesmo que opera o mitológico trem de luxo e também é dono, no Brasil, do Copacabana Palace.

A reforma começou em seguida - mas o hotel nunca chegou a ser desativado. Toda a equipe recebeu uma segunda chance e os hóspedes tiveram o (duvidoso) privilégio de ver o hotel ser transformado à sua frente - durante alguns meses, isso significou não poder frequentar a piscina.

Em outubro, ainda sem o spa e a recepção concluídos (as chuvas de inverno atrasaram as obras), o grupo Orient Express hasteou sua bandeira. Renascia o Hotel das Cataratas.

QUEM TE VIU

Para quem conheceu o hotel na fase decadente, é fácil ver onde estão sendo gastos os US$ 57 milhões da reforma. Os apartamentos foram reconstruídos internamente para abrigar banheiros mais confortáveis. A área das piscinas não destoa mais do conjunto do hotel. Os salões do prédio principal vão ficar mais classudos do que jamais foram.

É um belíssimo trabalho - de certa maneira, até mais bem-sucedido do que o realizado pelo grupo no Copacabana Palace. Enquanto no Copa é difícil trazer de volta o glamour de um Rio que não existe mais, no Hotel das Cataratas o Orient Express pode inventar um padrão que nunca houve por ali.

Não se trata de um luxo desmedido - não é assim que se faz um hotel no meio da selva (ou, vá lá, de um parque nacional). Mas o Hotel das Cataratas é elegante na medida: o suficiente para nos lembrar o tempo todo o privilégio que é estar hospedado de frente para as Cataratas do Iguaçu. Substitua as cataratas por Pirâmides ou Taj Mahal e o efeito seria exatamente o mesmo.

LIVRE ACESSO

As primeiras quedas podem ser avistadas da Suíte Cataratas ou da varanda do bar do térreo. Melhor do que a vista, porém, é ter acesso aos mirantes a qualquer momento. Antes do parque abrir, por exemplo: caminhar até a Garganta do Diabo, sem a companhia das multidões é possivelmente a atividade física mais bonita que você vai ter oportunidade de fazer na vida. Se não quiser ser tão saudável, aproveite na volta o champanhe do bufê do café da manhã.

Depois do Réveillon entram em funcionamento o spa, o restaurante e o bar do prédio principal. A cozinha vai ser comandada pelo chef Russo, o pupilo dileto de Laurent Suaudeau - que está se esmerando em criar receitas que aproveitem o potencial dos peixes de rio da região, como o surubim e o pacu.

Além da reforma do hotel, o grupo vai investir US$ 7 milhões no parque - uma das primeiras obras será enterrar toda a fiação aparente. Parte da verba está sendo investida no Projeto Carnívoros do Iguaçu, que espalhou câmeras pela mata para identificar os hábitos de onças pintadas, pumas e outras espécies que habitam o parque.

DÓLAR FAVORÁVEL

O real forte é nosso aliado para experimentar o mais novo hotel de classe internacional do Brasil. Em janeiro é possível conseguir tarifas de R$ 459, com café da manhã (hoteldascataratas.com.br). Mais barato que os outros cinco estrelas de Foz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.