Marina Della Valle
Marina Della Valle

Resquícios de um passado milenar

Mais de 7 mil anos de história, guerras e reviravoltas se acumulam em sítios arqueológicos no Irã e no Líbano

Marina Della Valle, Especial para o Estado

23 de abril de 2019 | 03h50

Com evidências de civilização que remontam a mais de 7 mil anos, o Líbano já foi terra de fenícios (1500 a 300 a.C), parte do Império Romano, conquistado pelos árabes muçulmanos, parte do Império Otomano. No Irã, as evidências de povos elamitas datam de 4.000 a.C, depois unificados por volta do século 7.º a.C – o que levou ao Império Acmênida, formado por Ciro, o Grande. Depois de ser conquistado por Alexandre, o Grande, os persas se reorganizaram no Império Parta. Depois veio o Império Sassânida, conquistado por árabes muçulmanos no século 7º d.C. 

Esse passado repleto de detalhes e reviravoltas se reflete na ampla oferta de sítios arqueológicos nos países. Entre Baalbeck, no Líbano, e Pasárgada, no Irã, a grandiosidade de civilizações antigas surge diante de seus olhos. 

Fenícios, romanos e castelos

A apenas 42 km de Beirute, Biblos (ou Jbeil) é uma das cidades mais antigas do mundo. Foi ocupada inicialmente entre os anos 8800 e 7000 a.C. e continuamente habitada desde 5000 a.C. O sítio arqueológico preserva marcas dos tempos dos fenícios, além de construções romanas e das cruzadas. Durante a Idade Média, a cidade fez parte do Reino de Jerusalém – há um castelo dessa época. 

Sídon também está a cerca de 50 km da capital libanesa. Trata-se de uma das principais cidades fenícias, hoje a terceira maior do Líbano – segundo a Bíblia, ela teria sido visitada por Jesus. O Castelo do Mar, construído no século 12, fica de frente para o Mediterrâneo e é um de seus principais atrativos. Outro é o Khan al-Franj, na área dos mercados, uma antiga hospedaria do século 17 muito bem preservada. Não é o caso, infelizmente, do templo de Eshmoun, cujas ruínas estão sem manutenção. 

Ao lado está Tiro, famosamente cercada por Alexandre, o Grande em 332 a.C., com sítios arqueológicos impressionantes, mas pouco conservados. Al-Bass, o maior, é dividido em três áreas, com estradas bizantina e romana, hipódromo, túmulos, banhos. Há vários mosaicos, e colunas ainda em pé sugerem a forma original da estrutura. O de Al-Mina abriga a única arena retangular conhecida. 

Mas nada se compara a Baalbek, no vale do Bekaa (Heliópolis para os romanos). Antes de entrar no complexo principal do sítio histórico, a 100 km de Beirute, o viajante dá de cara com as ruínas do templo de Vênus, com colunas ainda formando um semicírculo. 

 Uma escadaria leva a uma espécie de antecâmara da grande corte principal do templo de Júpiter, demolido por Teodósio no século 4º para a construção de uma basílica, hoje também inexistente. Dali de cima – uma plataforma de 7 metros –, a beleza do templo de Baco, com suas colunas de quase 20 metros e entalhamentos preservados, é uma visão inesquecível.

Persépolis e Pasárgada

Diferentemente dos sítios libaneses, Persépolis e Pasárgada estão a quase 1.000 km de Teerã. Persépolis é a joia arqueológica dos iranianos, residência de verão dos reis acmênidas, cujas ruínas mais antigas datam de 515 a.C – prepare-se para caminhar bastante sob o sol. Atrás do complexo, cavados na montanha, estão os túmulos de Artaxerxes II e III. 

O portão de Xerxes é a imagem mais conhecida de Persépolis. Ali repousam o quatro grandes esculturas de “lamassus”, criaturas híbridas com cabeça de homem e corpo de touro ou leão alado. 

As ruínas dos diferentes palácios preservam colunas e portais, além de desenhos em relevo de dignatários trazendo oferendas aos reis persas. Há ainda figuras de Faravar, um dos símbolos mais conhecidos do zoroastrismo, religião nativa da região antes da chegada dos muçulmanos, ligado ao nacionalismo iraniano. Talvez por isso seja um dos poucos símbolos religiosos não muçulmanos à vista em camisetas e suvenires. 

A cerca de 12 km de Persépolis, a necrópole de Naqsh-e Rustam guarda quatro túmulos de reis acmênidas (550-330 a.C), escavados na montanha. Têm forma de cruz, com o túmulo no centro e relevos com cenas de reis sassânidas. Um deles está identificado como o de Dario I. Os outros são atribuídos a Dário II, Xerxes I e Artaxerxes I. 

Em frente fica uma estrutura chamada de Cubo de Zoroastro, cuja função é desconhecida. Já o túmulo de Ciro, o Grande, é a única estrutura digna de nota em Pasárgada, tão famosa no Brasil por causa do poema de Manuel Bandeira.

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