Réveillon no exterior: o que (não) esperar

Passadas as férias de julho, a próxima grande viagem do calendário é o réveillon. Os mais precavidos começam agora a fazer suas pré-reservas. Muitos, alarmados com os preços domésticos - sempre altíssimos nesta época, sobretudo no litoral -, vão considerar passar a virada fora do País. Na ponta do lápis, costuma ser um ótimo negócio. Mas você vai precisar abrir mão de muitas das coisas que fazem o réveillon ser tão bom (e tão caro) no Brasil.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2010 | 02h44

Calibrando a expectativa. Não espere encontrar no exterior um réveillon como o do Brasil. O único lugar onde a virada do ano é comparável é em Sydney - que faz o espetáculo de fogos mais bonito do planeta (e deixa os nossos no chinelo).

Em vários lugares você vai encontrar festas animadas, mas em nenhum canto do mundo a data tem o mesmo significado transcendental que tem no Brasil. No exterior, esta é uma noite importante e de gala - mas sem o elã que a data tem por aqui. O melhor a fazer é baixar a expectativa. A sua viagem pode ser linda, mas essa noite em particular tem tudo para deixar a desejar. Faz parte.

Figurino. Em festas de réveillon do Hemisfério Norte a cor predominante é... o preto, com detalhes brilhantes (máscaras e chapéus com lantejoulas). Apareça de branco e você vai destoar bastante do elenco.

Festas de rua. Existem na maioria dos lugares. Nos mais frios, porém, costumam se dissipar logo após a meia-noite, porque não dá mesmo para ficar na rua por muito tempo. A mais decepcionante é a famosa festa da Times Square, em Nova York: você passa por raio X, passa aperto, passa frio e não vê nada. Melhor assistir pela televisão.

No Hemisfério Norte, valem o esforço e o frio a meia-noite em Madri (todos comem um gomo de uva a cada badalada do relógio da Puerta del Sol) e em Edimburgo, onde a festa vara a noite toda.

No Hemisfério Sul, Sydney faz um réveillon deslumbrante na Harbour Bridge. Valparaíso, no Chile (a 1h30 de Santiago), tem linda queima de fogos e festa na rua a noite inteira.

Atente para a questão do transporte. Só saia do hotel sabendo exatamente como você vai voltar. Não conte com táxi nesta noite; aqueles que continuam circulando são normalmente bastante disputados.

Ceias de ano-novo. Fuja - sobretudo no Hemisfério Norte. São caríssimas e não valem o que custam. Com o mesmo que se gasta para comer em bufê nessa noite, você vai a um restaurante estrelado no dia 30 ou no dia 2 e tem uma refeição de rei.

Na praia. Ilhas e balneários do Caribe, do Índico e do Pacífico, onde faz calor nesta época, têm festas animadas, claro. Mas não espere as tradições brasucas - gente de branco, festa na areia, sete ondas, rosas brancas. O bom é que você vai estar perto do mar e pode fazer seu ritual por conta própria.

Balada. É forte nesta noite em qualquer lugar do planeta. Tente descobrir as que não estejam inseparavelmente associadas a ceias e seu bolso vai agradecer. Uma ótima central de informação para baladas boas e que não levam à falência é a recepção de um albergue bochinchado. Dê uma passadinha em dois ou três deles e você vai descobrir os flyers.

Buenos Aires. Se você estiver na cidade no réveillon e quiser alguma animação de rua, a dica é reservar um jantar em Puerto Madero (mesmo sendo caro, parecerá barato por causa do câmbio) e ficar para o show de fogos que ocorre por lá. Alguns restaurantes e casas noturnas vendem o pacote de ceia + festa. Uma alternativa mais turística é virar o ano num dos muitos espetáculos de tango. A vantagem: transporte para ir e voltar (se você for a Puerto Madero, nem pense em contar com táxi antes das 4 horas).

Punta del Este. Tem definitivamente o melhor réveillon ao sul do Rio de Janeiro, com festas particulares concorridas (todo mundo à procura de convite) e balada fervida.

Europa e países frios. Minha sugestão: em vez de investir numa ceia cara e sem graça, passe durante o dia em mercados e delicatessens e compre coisinhas finas e gostosas. Invista nessa operação o que você gastaria num bom restaurante numa noite normal, e você vai fazer uma maravilhosa ceia piquenique no quarto do hotel.

Passe a meia-noite na festa de rua mais próxima do seu hotel (pense duas vezes se a distância não permitir voltar caminhando). Faça a ceia antes ou depois disso. Emende numa balada - ou então aproveite para acordar cedo e passear pela cidade vazia, sem multidões para estragar suas fotos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.