Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Rio de Janeiro para iniciantes

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Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 04h40

Da Noruega distante, onde foi para acompanhar o lançamento de um carro que “oh, God”, era símbolo britânico mas agora pertence a uma empresa da Índia, nosso correspondente responde à carta da semana:

Olá, Mr. Miles. Sempre acompanho suas inspiradoras colunas. Em feriados prolongados, eu e meu marido procuramos viajar a alguma capital brasileira que não conheçamos. No de 7 de Setembro, será a vez do Rio de Janeiro. Normalmente, alugamos um carro já no aeroporto para passearmos ao nosso ritmo pelas cercanias. Entretanto, dada a violência da capital fluminense, vários amigos desaconselharam-nos a adotar esta prática... Assim, pergunto-lhe: qual a melhor forma de conhecer o Rio de Janeiro sem condução própria? Fechar com algum receptivo local? Contratar um motorista para nos acompanhar pelos quatro dias que estivermos por lá? Simplesmente ir chamando um táxi de acordo com nossas necessidades? (Imagino que esta última opção saia cara). Nos hospedaremos em um hotel na Avenida Nossa Senhora de Copacabana.  

Paula Giovana, por e-mail

“Well, my dear: como você sabe eu não costuma responder a perguntas pessoais, não dou dicas de hotéis e restaurantes – porque tenho amigos e compadres na gerência ou direção de centenas deles. Nevertheless, creio que a sua consulta possa interessar a muitos outros leitores. Cada cidade, as you know, tem uma maneira própria de ser conhecida. Na Europa, for instance, quase sempre a caminhada é o melhor jeito de ter contato com o espírito das cidades, sejam as grandes ou as pequenas. Nos Estados Unidos, oh, my God, as cidades são tão espalhadas que não se faz nada sem um carro alugado. Não me refiro, of course, a Nova York ou San Francisco, que são como duas paralelas cosmopolitas à grande highway redneck chamada América. Nessa highway, by the way (perdoem-me a cacofonia) há que estar motorizado – e a boa noticia é que é fácil estacionar. 

 Você e seu marido vão ao Rio e, pelo que percebo, aparentemente pela primeira vez. Ok: dentre as opções sugeridas, o melhor, of course, seria alugar um carro com motorista. However, essa alternativa vai certamente custar tanto quanto a de usar um táxi para cada deslocamento – sem contar com a possibilidade de o taxista levá-los até o Irajá em uma corrida que vai de Copacabana à Ipanema, for instance. 

Certa vez, fingindo-me de inglês – o que é muito fácil com meu chapéu-coco – testei a honestidade de um taxista. Pedi a ele que me levasse a um hotel que ficava dez passos atrás de onde eu o chamei. Se ele fosse honesto, diria que o hotel ficava logo ali. Mas o simpático chofer não resistiu à possibilidade de fazer uma grande volta pelo bairro e despejar-me, ao fim e ao cabo, na porta do mesmo lugar, com trinta reais a menos na carteira.

É importante que eu diga a todos que esse tipo de atitude é comum em muitos países e, sometimes, mesmo em cidades de países ricos é bom ficar de olho.

Anyway, analisando detidamente as suas opções, suponho que o melhor, mais seguro e mais barato é adquirir um city tour que inclua, ao menos, o Pão de Açúcar, o Museu do Amanhã (que chamamos de Tomorrow’s Museum) e – mais importante que tudo o mais – o Corcovado. Believe me: não existe cidade mais cênica no planeta e não há lugar para apreciar melhor essa geografia do que o mirante do Cristo Redentor. Sem contar a vantagem que esse tipo de passeio oferece sobre os motoristas – que podem ficar horas esperando para chegar ao topo ou têm de se contentar com a vista (ainda espetacular) do Mirante de Santa Marta. Para os demais programas – que tal uma visita à boêmia da Lapa ou um chope no Baixo Leblon? –, use o táxi. Mas tenha cuidado: use um aplicativo que mostra onde fica o seu destino e não relute em reclamar se o condutor se desviar demais da rota.

 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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