Quinn Kampschroer/Pixabay
Quinn Kampschroer/Pixabay

Roaming, chip pré, chip internacional: comparamos as soluções de internet no exterior

Chip pré-pago é a saída mais barata, mas dá trabalho. Roaming e chip multipaíses cobram caro pelo conforto

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 05h00

Não é fácil encarar uma viagem internacional sem internet hoje em dia. Mas difícil mesmo é escolher entre tantas opções. Você comprar um chip que funciona no mundo todo (serviço oferecido por várias empresas diferentes); ativar o roaming do seu celular brasileiro - as empresas estão investindo em pacotes a preços fixos -; ou deixar para comprar um chip pré-pago quando já estiver no país visitado. Mas qual o melhor custo-benefício?

Bem tudo vai depender das suas necessidades e do destino em questão. A boa notícia é que, em breve, usar o celular em uma viagem para a Argentina, o Uruguai ou o Paraguai deve ficar bem mais barato. Os quatro países aprovaram nesta semana um projeto que prevê o fim da cobrança de roaming internacional na comunicação por voz e dados dentro do Mercosul. Não é nada para já: o acordo ainda precisa ser ratificado pelos órgãos reguladores dos três países e, depois disso, as operadoras de telefonia terão de afinar vários detalhes técnicos e operacionais. Mas já é uma boa notícia.

Enquanto isso não acontece, compare a melhor opção para não ficar dependendo apenas do Wi-Fi do seu hotel (e do Starbucks):

Chip pré-pago comprado no país de destino

Como é:

Já no país de destino, você vai a uma loja de operadora de celular, compra um chip pré-pago, ativa a linha e sai de lá conectado. A partir daí, vai fazer todas as operações típicas de um pré-pago – recargas, consultas de saldo, ativação de promoções, contatos com a operadora – no idioma local, como os nativos. Se a viagem for um giro pela Europa, basta comprar um único chip no seu primeiro destino: com a integração das redes de celular em 2018, você poderá usar o celular em qualquer país do bloco sem pagar taxas de deslocamento.

Prós:

Preço. De longe, é a solução mais barata. Em uma viagem de uma semana a Buenos Aires, por exemplo, você pode comprar um pacote da MoviStar para turistas, que inclui 1,5 GB de internet, WhatsApp ilimitado e 60 minutos de chamadas locais, por apenas R$ 9,70 (AR$ 110).

Previsibilidade. O controle de gastos é a principal premissa do celular pré-pago. Você já sabe quanto irá desembolsar (o valor de cada recarga), sem sustos. Dá para monitorar o saldo de créditos, moderar o consumo e fazer um uso bem racional e em conta, combinado com o wi-fi eventual.

Contras:

Não é imediato. Você não chega ao país de destino já conectado. Só terá internet depois que tiver encontrado uma loja de operadora, comprado e ativado o chip. Às vezes no aeroporto há quiosques que vendem chips; caso contrário, só no centro da cidade (ou em shopping centers).

Trabalhoso. Você perde um tempo – que seria gasto aproveitando o seu destino – indo até a loja da operadora e esperando na fila para atendimento. Tem de interagir no idioma local com o atendente, que irá ativar e configurar a linha. E enfrenta certa burocracia. Precisa exibir o passaporte original – exigência que tem a ver com a escalada do terrorismo e a necessidade de que todas as linhas de telefone sejam registradas. Por essa mesma razão, na Argentina os visitantes estrangeiros não podem mais comprar chips em quiosques: precisam ir até a loja central da operadora escolhida.

Veja aqui alguns preços de chips e planos pré-pagos na Argentina, nos EUA e na Europa

Chip internacional ou multipaíses

Como é:

Um único chip consegue se conectar em muitos países (muitos mesmo, mais de 100 países). Eles são oferecidos por operadoras gringas que alugam redes em vários países. Você compra pela internet, recebe em casa pelo correio, ativa e já chega ao destino conectado. Alguns são ilimitados, outros têm franquias de dados; alguns não expiram, outros têm validade.

Prós:

Praticidade. É a solução mais descomplicada de todas: você ativa uma vez e não precisa se preocupar com mais nada, já que o chip vai funcionar em qualquer lugar mesmo. Nos chips que não expiram, dá para guardar e usar em outras viagens.

Previsibilidade. Você já sabe exatamente o quanto vai gastar, sem surpresas.

Contras:

Preço. Em comparação com as outras soluções, é a mais cara. Costuma ser mais usada por empresas (que os emprestam aos empregados que viajam a trabalho) que por pessoas físicas.

Excesso de opções. Se o funcionamento do chip é relativamente simples (e costuma ter uma central de suporte eficiente), difícil é não ficar perdido entre as dezenas de empresas disponíveis, cada uma com diferentes produtos a oferecer. Listamos no link abaixo duas das empresas mais conhecidas.

Veja aqui os preços de alguns dos chips multipaíses mais conhecidos

Contratar roaming internacional na sua operadora de celular do Brasil

Como é:

Nas quatro principais operadoras de celular do País (Vivo, TIM, Claro e Oi), o consumidor tem a opção de contratar o serviço de roaming internacional. Com ele, usando a própria linha de celular, poderá fazer e receber chamadas no exterior e também navegar pela internet 4G. Algumas operadoras cobram apenas pelos dados e minutos de voz consumidos e outras oferecem pacotes. Em todas elas, uma coisa é certa: a brincadeira sai bem mais cara para quem é cliente pré-pago.

Prós:

Comodidade. Se contratar ainda no Brasil, você já sai de casa com tudo resolvido: assim que pousar no aeroporto do país estrangeiro, é só ligar o aparelho e já estará conectado. Dependendo da operadora, você também pode contratar o roaming já no país de destino: ao ligar o celular, é só seguir as instruções que chegarão em mensagens SMS.

Manuseio. A experiência de uso do seu celular é exatamente a mesma que você já tem no dia a dia: navegação na internet, aplicativos como o Whatsapp, funções da operadora. Se tiver qualquer problema, é só fazer uma ligação gratuita para a central da operadora no Brasil.

Contras:

Imprevisibilidade. É uma solução cara e imprevisível. Se o usuário não contrata um pacote, é difícil controlar a quantidade de dados consumida; por isso, na volta da viagem, o susto com a conta do celular pode ser pior que o da fatura do cartão de crédito. Faz mais sentido em viagens muito curtas (um bate-volta de trabalho ou um fim de semana em Buenos Aires, por exemplo), como um recurso para usar bem de vez em quando (é preciso ter disciplina). Outra opção é comprar um pacote que entregue só o que você precisa; a TIM, por exemplo, acaba de criar um pacote que dá direito apenas a usar o WhatsApp.

Qualidade. Tenha em mente que nem sempre a qualidade do serviço vai ser a mesma que você tem no Brasil: nem em termos de cobertura (há áreas de sombra), nem em velocidade (às vezes a conexão fica insuportavelmente lenta, especialmente depois que você já consumiu certa quantidade de dados).

Veja aqui o que oferece cada operadora e os respectivos preços

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