Rockabillies, néons, gadgets, cerejeiras: Tóquio em cena

Dividi minha visita a Tóquio, a inebriante capital japonesa de 13 milhões de habitantes, em duas etapas. Logo na chegada, a cidade recepciona os estrangeiros como ninguém: sem filas na imigração e com funcionários educados, que não te olham com desdém ou fastio.

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h16

O trem, que conecta não apenas a cidade ao aeroporto, mas é um meio de transporte eficientíssimo, nos oferece um breve perfil da população. Homens de terno e gravata são onipresentes - os chamados salary man - , mulheres de tailleur e rosto lindamente maquiado, jovens de cabelo colorido. O nome das estações está também no alfabeto ocidental - o desafio vai ser se localizar ao sair delas, já que as ruas de Tóquio não têm nome.

Caminhar pela cidade é ser surpreendido a cada passo. No fim de semana, o Parque Yoyogi vira palco para os mais diversos personagens, como fãs de rockabilly. De topete, jaqueta e luvas de couro, alguns imitam Elvis Presley e até arriscam passos de dança. Tudo meio desajeitado, mas muito divertido. Uma dica é passar antes nos kombinis (mercadinhos) e comprar seu bentô, marmita típica que eles comem nas praças, no trem ou nos parques.

No quesito tecnologia, os japoneses são imbatíveis. Para garantir seu gadget, siga para o bairro de Akihabara. Não é preciso ir até lá, contudo, para se deparar com os mais curiosos aparatos. Em toda parte há máquinas com bebidas em lata, frias ou quentes - um alívio no inverno. Até o vaso sanitário parece saído de um filme de ficção científica, repleto de botõezinhos que fazem surgir esguichos variados e até aquecem o assento.

Noite. A Tóquio noturna inebria o viajante com suas luzes de néon, seus inusitados caminhões pink, prédios inteiros de karaokê e, claro, Shibuya, a esquina mais movimentada do mundo. Um clássico fundamental. Para ter um panorama desse divertido caos, suba a Tokyo Tower (tokyotower.co.jp), uma réplica da Torre Eiffel. Há dois deques de observação, um a 150 metros (820 ienes ou R$ 19) e outro a 250 metros (adicionais 600 ienes ou R$ 14).

Apesar da pressa inerente a uma cidade grande, fui recebido sempre com muita atenção e carinho. Ao entrar em hotéis ou restaurantes, o irashaimase de boas-vindas era de praxe na entrada, e o arigato gozaimasu, na saída.

Mas sou eu que tenho de agradecer. Pouco antes de deixar o país, fui surpreendido pelo hanami, a festa da florada das cerejeiras. Prevista para abril, adiantou-se algumas semanas e chegou em março, como anunciavam as manchetes dos jornais da cidade. Decidi fugir da multidão e aproveitar a florada em um parque da vizinha Kawasaki. Sob as sombras das árvores, famílias se reuniam para um piquenique, crianças subiam em árvores. Que belo final de viagem. / TIAGO QUEIROZ

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