Aryane Cararo/AE
Aryane Cararo/AE

Romantismo aos pés do Etna

Com jeito de destino de lua de mel, Taormina provoca amor à primeira vista e é ponto de partida para conhecer o vulcão mais alto e ativo da Europa

Aryane Cararo, O Estado de S.Paulo

19 Março 2012 | 21h30

TAORMINA - Taormina é daquelas cidadezinhas adoráveis que você escolhe para passar a lua de mel. Deve ser por isso que casamento, por ali, provoca até congestionamento em frente à catedral e na Piazza IX Aprile. Em uma simples quarta-feira, duas noivas alternavam posições para as fotos. Boa escolha. É da praça que se tem uma das vistas mais bonitas: as casinhas na encosta, os quintais com limoeiros e cactos, o azul do Mar Jônico e o sempre ativo, e volta e meia fumegante, Monte Etna. 

É difícil explicar o encantamento que a cidade causa e que faz com que ela seja um dos principais destinos turísticos da Sicília. Mas há boas pistas. Encravada na encosta do Monte Tauro, a 200 metros do nível do mar, na província de Messina, Taormina mistura igrejinhas, casinhas coloridas e floridas, antiquários, butiques, lojas de arte, cafés, restaurantes charmosos, praias próximas e história. É più bella. 

Fundada em 358 a.C., foi colonizada por gregos, romanos, bizantinos e árabes. Dos primeiros, ela ostenta o Teatro Grego, do século 3 a.C., cartão-postal da cidade e usado até hoje para óperas e shows, com capacidade para 5 mil pessoas. O problema é que assistir a um espetáculo ali é lutar contra a tentação de ficar admirando só a paisagem. 

Percorrer o principal de Taormina é simples e pode ser feito em um dia. Basta caminhar 20 minutos, em passos rápidos, pela Corso Humberto I, a via pulsante do centro antigo. Mas esqueça a pressa. Taormina é para ser sorvida em pequenas descobertas. Por isso, deixe-se envolver pelo clima que inspirou escritores e artistas como D.H. Lawrence, Goethe, Nietzsche, Oscar Wilde, Coppola, Fellini e Liz Taylor e embrenhe-se pelas escadinhas que saem da rua. Você poderá encontrar uma cantina com música italiana ao vivo, lojinhas de arte e até o Parque Duca di Cesaro, na Villa Comunale, criado no fim do século 19 por lady Florence Trevelyn, uma observadora de pássaros. 

Sempre alerta. Pano de fundo para as melhores fotos em Taormina, o Etna está tão próximo dali, a 59 quilômetros, que é irresistível não dar um pulinho até o vulcão mais alto e mais ativo da Europa. São 45 minutos de carro. Mas a sensação é de ter feito uma viagem espacial: parece que se está pisando na lua. Nos locais de atividade mais recente, não há nada a não ser massa preta, que se despedaça em pó fino à medida em que é pisada. 

O ponto mais alto do Etna tem 3.350 metros e isso quer dizer que é sempre muito frio - no inverno dá até para esquiar. A visita ao cume ativo precisa de guias e autorização do Parque Nacional do Etna. Mas é possível chegar a alguns dos 700 cones secundários do vulcão. É bom lembrar que a última erupção foi domingo e, portanto, as áreas de visitação são aquelas em que as bocas estão adormecidas. 

O ponto de partida é a 1.900 metros, num complexo ao sul do Monte, onde está a Cratera Silvestri, um cone inativo. Dali é possível avançar mais 600 metros sobre o vulcão de teleférico (€ 28,30 ou R$ 66). Dá para subir a pé, mas isso leva duas horas, enfrentando um vento terrível. A 2.500 metros só há rocha e pó. Se quiser continuar, ônibus e jipes levam a 2.920 metros, de onde se vê a Torre do Filósofo (€ 53 ou R$ 124 ao todo). Ali do alto, você é apenas um ponto colorido na imensidão preta de magma e branca das nuvens, que se movimentam a uma velocidade impressionante - se não clicar a máquina fotográfica no segundo exato, o azul do céu já não estará onde você mirou. Tudo leva a um estado de introspecção. Perfeito para refletir sobre o eterno ciclo da vida. 

O que levar

Com segurança

Leve tênis ou sapatos confortáveis para se perder pelas ruazinhas sem precisar encher os pés de band-aids. Reforce o protetor solar e não esqueça de ter em mãos um agasalho reforçado se for subir o Monte Etna 

Com estilo

Chapéus protegem do sol e dão um ar charmoso. Para se poupar dos fortes ventos, echarpes são fundamentais 

Com fluência (ou quase)

Nas cidades pequenas, a maior parte dos moradores não fala inglês. Por isso, leve um dicionário ou guia com frases básicas em italiano

O que trazer

Artesanato

Erice é o paraíso das peças de cerâmica, com pratos e vasos pintados à mão que valem o peso na mala. Marionetes de cavaleiros medievais e do Pinóquio são facilmente encontradas nas cidades, bem como lápis, brinquedos e outros objetos do personagem (ótimos para presentear as crianças). Taormina tem lojas com belos objetos de decoração de metal

Delícias

O licor limoncello e as balas, feitos de limão siciliano. Não dá para trazer canollis, mas você poderá substituí-los por marzipãs 

Mais conteúdo sobre:
TaorminaViagemSicília

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.