Romantismo aos pés do Etna

Taormina é daquelas cidadezinhas adoráveis que você escolhe para passar a lua de mel. Deve ser por isso que casamento, por ali, provoca até congestionamento em frente à catedral e na Piazza IX Aprile. Em uma simples quarta-feira, duas noivas alternavam posições para as fotos. Boa escolha. É da praça que se tem uma das vistas mais bonitas: as casinhas na encosta, os quintais com limoeiros e cactos, o azul do Mar Jônico e o sempre ativo, e volta e meia fumegante, Monte Etna.

TAORMINA, O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h07

É difícil explicar o encantamento que a cidade causa e que faz com que ela seja um dos principais destinos turísticos da Sicília. Mas há boas pistas. Encravada na encosta do Monte Tauro, a 200 metros do nível do mar, na província de Messina, Taormina mistura igrejinhas, casinhas coloridas e floridas, antiquários, butiques, lojas de arte, cafés, restaurantes charmosos, praias próximas e história. É più bella.

Fundada em 358 a.C., foi colonizada por gregos, romanos, bizantinos e árabes. Dos primeiros, ela ostenta o Teatro Grego, do século 3 a.C., cartão-postal da cidade e usado até hoje para óperas e shows, com capacidade para 5 mil pessoas. O problema é que assistir a um espetáculo ali é lutar contra a tentação de ficar admirando só a paisagem.

Percorrer o principal de Taormina é simples e pode ser feito em um dia. Basta caminhar 20 minutos, em passos rápidos, pela Corso Humberto I, a via pulsante do centro antigo. Mas esqueça a pressa. Taormina é para ser sorvida em pequenas descobertas. Por isso, deixe-se envolver pelo clima que inspirou escritores e artistas como D.H. Lawrence, Goethe, Nietzsche, Oscar Wilde, Coppola, Fellini e Liz Taylor e embrenhe-se pelas escadinhas que saem da rua. Você poderá encontrar uma cantina com música italiana ao vivo, lojinhas de arte e até o Parque Duca di Cesaro, na Villa Comunale, criado no fim do século 19 por lady Florence Trevelyn, uma observadora de pássaros.

Sempre alerta. Pano de fundo para as melhores fotos em Taormina, o Etna está tão próximo dali, a 59 quilômetros, que é irresistível não dar um pulinho até o vulcão mais alto e mais ativo da Europa. São 45 minutos de carro. Mas a sensação é de ter feito uma viagem espacial: parece que se está pisando na lua. Nos locais de atividade mais recente, não há nada a não ser massa preta, que se despedaça em pó fino à medida em que é pisada.

O ponto mais alto do Etna tem 3.350 metros e isso quer dizer que é sempre muito frio - no inverno dá até para esquiar. A visita ao cume ativo precisa de guias e autorização do Parque Nacional do Etna. Mas é possível chegar a alguns dos 700 cones secundários do vulcão. É bom lembrar que a última erupção foi domingo e, portanto, as áreas de visitação são aquelas em que as bocas estão adormecidas.

O ponto de partida é a 1.900 metros, num complexo ao sul do Monte, onde está a Cratera Silvestri, um cone inativo. Dali é possível avançar mais 600 metros sobre o vulcão de teleférico (€ 28,30 ou R$ 66). Dá para subir a pé, mas isso leva duas horas, enfrentando um vento terrível. A 2.500 metros só há rocha e pó. Se quiser continuar, ônibus e jipes levam a 2.920 metros, de onde se vê a Torre do Filósofo (€ 53 ou R$ 124 ao todo). Ali do alto, você é apenas um ponto colorido na imensidão preta de magma e branca das nuvens, que se movimentam a uma velocidade impressionante - se não clicar a máquina fotográfica no segundo exato, o azul do céu já não estará onde você mirou. Tudo leva a um estado de introspecção. Perfeito para refletir sobre o eterno ciclo da vida. / ARYANE CARARO

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